tendências do mercado imobiliário 2026
Imagem: SmileStudioAP/iStock

Dois relatórios publicados nesta semana pelo Estadão mostram duas mudanças estruturais ganhando força no setor: a ofensiva de incorporadoras de alto padrão no mercado de imóveis compactos e econômicos e a forte retração nos empreendimentos projetados para locação de curta temporada — os chamados “prédios tipo Airbnb”. A seguir, os fatos:

Na matéria Incorporadoras de alto padrão lançam ofensiva no mercado de imóveis compactos e econômicos, publicada em 25 de novembro, o jornal relata que o crescimento das vendas de imóveis econômicos, mesmo com juros elevados, tem atraído incorporadoras de alto padrão para este segmento. Destaque para a entrada da incorporadora Marquise Incorporações, com a marca econômica M.Lar, voltada à baixa renda, com lançamentos planejados de unidades de 37 m² a 49 m² em São Paulo.

Já a reportagem ‘Apartamentos para Airbnb’ saem de moda entre construtoras de SP; entenda motivos, publicada em 22 de novembro, destaca que o volume de lançamentos de unidades tipo “NR” (não residenciais, para hospedagem/curta temporada) despencou: de cerca de 3.000 unidades em 2021 para apenas 540 até outubro de 2025 na capital paulista.

Entre as causas citadas estão mudanças na legislação municipal, fim dos incentivos urbanísticos, aumento da fiscalização e queda na atratividade financeira desses empreendimentos.

Esses dois fatos, somados, redesenham o cenário e apontam para um mercado mais previsível e com novas oportunidades comerciais para as imobiliárias. A seguir, os principais impactos e como aproveitar:

1. O investidor perdeu o “produto pronto” de curta temporada — e volta a buscar orientação

Com o recuo dos empreendimentos voltados ao Airbnb, quem antes comprava um NR pela facilidade de operação precisa agora de alternativas seguras, o que devolve à imobiliária o papel de consultora, curadora e gestora.

A oportunidade está em reposicionar studios residenciais como novo “produto de entrada” para investidores; oferecer gestão de locação; e montar ofertas estruturadas voltadas ao perfil de investidor conservador.

2. O luxo migra para o compacto — e melhora a conversão de vendas

A entrada de incorporadoras de alto padrão no segmento econômico traz para o compacto uma nova percepção de valor: plantas bem pensadas, reputação sólida e padrão construtivo elevado. Isso amplia o público-alvo, reduz resistências e melhora liquidez.

Aqui, a oportunidade está em apresentar compactos “premium econômicos” como opção para primeiro comprador, para investidor buscando aluguel/reserva de valor, e para quem busca downsizing sem abrir mão de qualidade.

Com isso, a imobiliária pode rodar campanhas segmentadas a cada perfil sem necessidade de portfólio extenso.

3. Parcerias comerciais com incorporadoras ficam ainda mais valiosas

Com o reposicionamento de portfólios pelas incorporadoras — saindo dos NRs e entrando nos compactos econômicos — há espaço para colaboração próxima: exclusividades locais, eventos para investidores, plantões integrados, etc. A imobiliária retoma protagonismo na distribuição e venda.

O cenário descrito pela imprensa aponta para um mercado menos especulativo e mais orientado a fundamentos: previsibilidade de aluguel, menor risco construtivo, maior liquidez e uma nova percepção de valor dos compactos.

Para quem está na linha de frente das vendas, o recado é claro: reposicionar, segmentar e orientar pode ser a vantagem decisiva já em 2025.