Veja o resumo da notícia

  • O nível de atividade da construção brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 em 46,4 pontos, abaixo do registrado em 2025.
  • A retração do setor coincide com a permanência da taxa Selic em nível elevado, impactando a produção de edifícios.
  • Juros altos, inflação de insumos e escassez de mão de obra qualificada ampliam a pressão sobre as empresas do setor.
  • O índice de confiança dos empresários da construção atingiu o menor patamar médio em dez anos, indicando pessimismo.
  • Apesar da perda de ritmo, a CBIC mantém a projeção de crescimento de 1,2% para o PIB da construção em 2026.
atividade da construção civil.
Imagem: Natnan Srisuwan/iStock

O nível de atividade da construção brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 em 46,4 pontos, segundo indicador calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apresentado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O resultado ficou abaixo dos 46,8 pontos registrados no mesmo período de 2025. Na comparação entre os primeiros semestres dos últimos seis anos, o indicador superou apenas os 39,1 pontos de 2020, quando a pandemia interrompeu obras e investimentos.

Selic limita novos projetos

A atividade começou o ano em crescimento, mas perdeu força e inverteu a tendência em junho. Para Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC, a retração coincide com a permanência da Selic em nível elevado “Impacta principalmente a produção de edifícios”, afirmou ao portal Metro Quadrado.

Os juros foram apontados como o principal problema pelos empresários ouvidos na Sondagem Indústria da Construção. A taxa aparece entre as três maiores preocupações do setor desde o início de 2022, quando voltou aos dois dígitos.

O custo do crédito afeta incorporadoras, construtoras e compradores. Com financiamentos mais caros, novos projetos enfrentam maior exigência de retorno, enquanto famílias perdem capacidade de compra.

Materiais e mão de obra ampliam a pressão

O cenário de juros elevados se soma à inflação dos insumos e à escassez de trabalhadores qualificados. Segundo os dados apresentados, o Custo da Construção Brasil acumulou alta de 7,06% em 12 meses.

A variação ficou acima do IPCA, de 4,64% no mesmo intervalo. Custos superiores à inflação comprimem margens, dificultam orçamentos e podem levar empresas a rever cronogramas ou lançamentos.

Confiança permanece abaixo de 50 pontos

O índice de confiança dos empresários da construção encerrou o semestre com média de 47,2 pontos, o menor patamar médio em dez anos, segundo a CBIC. Leituras abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança.

A persistência do pessimismo pode afetar decisões de investimento, contratação e lançamento. O impacto tende a ser maior quando os juros e os custos permanecem elevados por vários meses.

PIB da construção ainda deve crescer

Apesar da perda de ritmo, a CBIC manteve a projeção de crescimento de 1,2% para o PIB da construção em 2026. O resultado esperado supera a alta de 0,5% registrada em 2025.

A previsão se apoia nos lançamentos imobiliários realizados nos dois anos anteriores e no avanço das obras de infraestrutura. Esses projetos já contratados ajudam a sustentar a atividade, mesmo diante da redução da confiança e do crédito caro.

Com informações de Metro Quadrado

Marcela Guimaraes
Marcela Guimarães

editora/redatora

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)