Veja o resumo da notícia
- 74% dos brasileiros reduziram despesas para pagar moradia, e 56% temem perder a casa por imprevistos financeiros.
- O número de domicílios alugados no Brasil aumentou 54,1% entre 2016 e 2025, atingindo 18,9 milhões.
- A valorização imobiliária e o custo do crédito dificultam a compra financiada e pressionam os aluguéis.
- 48,9% dos domicílios brasileiros tinham telha sem laje de concreto em 2025, indicando inadequação habitacional.
- Apesar da pressão financeira, 92% dos brasileiros desejam ter casa própria e 91% veem moradia como direito humano.

O encarecimento da moradia já reorganiza o orçamento das famílias brasileiras. Em pesquisa de percepção pública encomendada pela Habitat para a Humanidade, 74% dos entrevistados disseram ter reduzido ao menos uma despesa no último ano para pagar onde vivem. Outros 56% afirmaram que um imprevisto financeiro poderia ameaçar sua permanência na moradia. É sinal de que aluguel, financiamento e custos associados deixaram pouca margem de segurança.
O levantamento, destacado pelo Valor, foi realizado pela Edelman Intelligence entre 10 de abril e 30 de junho de 2026. A amostra brasileira reuniu 1.400 pessoas e integrou o estudo global Home at What Cost?, que ouviu 30.758 participantes em 22 países. No recorte nacional, 82% disseram que a alta do custo habitacional dificulta a conquista da casa própria.
Aluguel cresce e crédito fica mais restrito
A percepção acompanha uma mudança estrutural na forma de morar. Segundo a Pnad Contínua do IBGE, o número de domicílios alugados aumentou 54,1% entre 2016 e 2025, de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Quase um quarto dos domicílios do país já era alugado no fim do período. A valorização dos imóveis e o custo do crédito reduziram o alcance da compra financiada.
Para Socorro Leite, diretora-executiva da Habitat para a Humanidade Brasil, a valorização imobiliária orientada pela busca de rentabilidade pressiona aluguéis e dificulta a permanência de famílias em áreas mais valorizadas. O risco é maior quando o aluguel supera 30% da renda familiar, situação que atinge principalmente a baixa renda, mas também alcança parte da classe média.
Aperto também adia melhorias nas casas
O comprometimento da renda reduz a capacidade de corrigir problemas de telhado, piso, banheiro e outras estruturas básicas. A própria Pnad mostra que 48,9% dos domicílios brasileiros tinham telha sem laje de concreto como cobertura predominante em 2025, condição que pode aumentar a exposição a temperaturas extremas. Segundo Socorro, a inadequação habitacional e a falta de infraestrutura atingem, juntas, mais de 20 milhões de domicílios.
A dimensão climática amplia a urgência das reformas. Sem investimento contínuo em melhoria habitacional e políticas públicas permanentes, famílias que já têm um endereço continuam expostas a calor, chuva e outros eventos extremos, mesmo sem aparecer nas estatísticas de falta de moradia.
Casa própria permanece como projeto de vida
Apesar da pressão financeira, o desejo de adquirir um imóvel continua elevado: 92% dos entrevistados brasileiros esperam possuir uma moradia em algum momento da vida, e 91% consideram a habitação adequada um direito humano básico. O contraste entre aspiração e capacidade de pagamento reforça o desafio de combinar crédito acessível, oferta de aluguel compatível com a renda e programas de melhoria do estoque existente.
*Com informações de Valor







