Veja o resumo da noticia
- Índice FipeZap registra menor alta desde março de 2021, indicando acomodação após valorização em 2025, mas ainda acima da inflação.
- Taxas de juros elevadas e crédito caro influenciam a moderação no ritmo de alta, apesar da expectativa de melhoria gradual.
- Minha Casa Minha Vida e economia devem gerar pressões opostas, resultando em valorização mais moderada dos imóveis.
- Cidades do Norte e Nordeste apresentam maior valorização, impulsionadas por preços mais baixos e alta demanda.
- Imóveis de um dormitório lideram o preço médio por metro quadrado, enquanto unidades de dois dormitórios têm menor valor.

O preço de imóvel residencial subiu 0,20% em janeiro, pouco abaixo do desempenho de dezembro (+0,28%), segundo o índice FipeZap. O avanço é a menor variação mensal desde março de 2021 (+0,18%) e representa uma desaceleração em relação ao mesmo período do ano passado, quando subiu 0,58%. O dado sugere uma acomodação no início do ano, depois de o segmento ter acumulado valorização de 6,52% do metro quadrado em 2025, a segunda maior alta anual em 11 anos.
A alta de janeiro do preço de imóveis residenciais empata com a inflação ao consumidor do período, medida pelo IPCA-15, e perde para o IGP-M (+0,41%), índice geralmente usado no reajuste de contratos de aluguel.
“Essa alta de 0,20% não é uma reversão da tendência ainda, mas indica um ritmo mais moderado, também compatível com o início de ano, em que as famílias voltam das férias, começam a buscar um imóvel e estão reorganizando o orçamento. Há também o fato de que o crédito ainda está caro e a taxa de juros está elevada. Em termos reais, os preços empataram com a prévia do IPCA, isso reforça a leitura de estabilidade no curto prazo”, afirma Alison Oliveira, coordenador do Índice FipeZap.
Para os próximos meses, o especialista afirma que o setor de imóveis residenciais deve lidar com pressões opostas. De um lado, há a expectativa de melhora gradual da taxa de juros e do crédito imobiliário, ao mesmo tempo em que o Minha Casa Minha Vida, com regras ajustadas desde o fim de 2025, tende a melhorar o acesso a financiamentos e sustentar a demanda. Na via inversa, a economia deve crescer menos, o que vai limitar o repasse de custos para os preços.
“O resultado mais provável é uma valorização mais moderada do que a observada em 2025. Os preços devem continuar subindo, mas em um ritmo um pouco mais próximo da inflação e ganhos reais mais localizados em áreas específicas”, destaca Oliveira.
A Reforma Tributária, que traz expectativa de alta de custos na construção civil, ainda deve ser um fator secundário em 2026, na opinião do coordenador do FipeZap. “Esses efeitos tendem a aparece primeiro em projetos novos, na questão do custo e planejamento das incorporadoras. O FipeZap é um índice que acompanha o preço de imóveis prontos, então isso deve chegar ao índice de forma gradual. É algo importante para monitorar, mas não deve ser um motor para a variação de preços”, afirma.
De modo desagregado, o indicador ainda mostra força em cidades das regiões Norte e Nordeste, assim como o padrão observado em 2025. É o caso de Belém, onde o preço de imóvel residencial registrou aumento de 2,19% em janeiro. Outros sete locais superaram a valorização média do metro quadrado medida pelo FipeZap. Confira:
Cidades com maior alta no preço de imóvel residencial em janeiro de 2026:
- Belém (PA): +2,19%
- Manaus (AM): +1,07%
- Salvador (BA): +1,07%
- Florianópolis (SC): +0,82%
- Brasília (DF): +0,65%
- Natal (RN): +0,62%
- Fortaleza (CE): +0,53%
- Vitória (ES): +0,40%
- Índice FipeZap: +0,20%
Essas regiões, explica Oliveira, são mercados que ainda têm preços relativamente mais baixos e passaram a atrair uma demanda maior. Além disso, são cidades litorâneas, em sua maioria, com escassez de terrenos, o que limita a oferta de novas unidades residenciais. “Ao longo de 2026, essas regiões devem continuar subindo acima da média em vários momentos, mas é natural que esses mercados também passem por alguma acomodação depois de altas fortes em 2025”, afirma o coordenador do FipeZap.
Em outras 8 cidades houve aumento no preço de imóvel residencial, mas abaixo dos índices de inflação, o que configura queda real de preço.
- Rio de Janeiro (RJ): +0,17%
- Teresina (PI): +0,17%
- São Paulo (SP): +0,15%
- Goiânia (GO): +0,14%
- Aracaju (SE): +0,10%
- Campo Grande (MS): +0,08%
- Maceió (AL): +0,04%
- João Pessoa (PB): +0,03%
Em janeiro, imóveis com um dormitório apresentaram o maior preço médio (R$ 11.717/m²), enquanto as unidades com dois dormitórios registraram o menor valor (R$ 8.653/m²). A cotação média pelo País ficou em R$ 9.642/m².
Entre as 56 localidades monitoradas, os maiores valores foram identificados em duas cidades catarinenses: Balneário Camboriú (R$ 15.030/m²) e Itapema (R$ 14.944/m²); e os menores, em Pelotas/RS (R$ 4.334/m²) e Betim/MG (R$ 4.814/m²).
Já no recorte entre capitais, os maiores valores em janeiro foram registrados em Vitória, com R$ 14.253/m², com Florianópolis (R$ 12.864/m²), São Paulo (R$ 11.915/m²), Curitiba (R$ 11.646/m²) e Rio de Janeiro (R$ 10.850/m²) fechando o top 5.
*Uma versão anterior desse texto informava erroneamente que a alta em janeiro era a menor desde março de 2011, e não março de 2021, como é o correto

