Veja o resumo da notícia
- O mercado de leilões imobiliários movimentou R$ 420 bilhões em 2025, com 299.732 leilões registrados no país.
- O leilão se consolida como tese de investimento, impulsionado pelo ciclo de crédito e inadimplência.
- A taxa Selic, mesmo em queda, mantém-se elevada, pressionando consumidores endividados e ampliando a oferta de imóveis em leilão.
- O principal atrativo dos leilões é o desconto médio de 37,3% sobre o valor de avaliação, superando a valorização do mercado tradicional.
- A complexidade dos leilões exige diligência do investidor para avaliar riscos jurídicos, ocupação e custos de regularização.

O mercado de leilões imobiliários ganhou escala no Brasil. Segundo dados da SPY Leilões citados pela Forbes, o segmento movimentou R$ 420 bilhões em 2025, com 299.732 leilões registrados no país. No primeiro semestre, foram 116,6 mil arremates, alta de 25,1% em relação ao mesmo período de 2024.
Os dados mostram que o leilão vem deixando de ser visto apenas como alternativa para especialistas e passando a compor uma tese de investimento com dinâmica própria, ligada ao ciclo de crédito, à inadimplência e à busca por margem de segurança no preço de aquisição.
Juros e inadimplência alimentam a oferta
A Selic saiu do pico de 15% ao ano, mantido entre junho de 2025 e março de 2026, e foi cortada para 14,25% em junho. Mesmo assim, as projeções indicam fechamento de 2026 entre 13,5% e 14%, patamar ainda elevado para famílias e investidores.
Esse ambiente pressiona consumidores endividados. São 81,7 milhões de inadimplentes no país e reincidência de 42% entre quem já estava nessa condição há uma década. Quando a dívida deixa de caber no orçamento, a retomada de imóveis por credores tende a ampliar o pipeline de leilões.
Desconto é a principal fonte de retorno
A atratividade do leilão vem menos da valorização futura e mais do preço de entrada. Segundo a Associação de Arrematantes (Abraim), o desconto médio de arrematação é de 37,3% sobre o valor de avaliação oficial, com prazo médio de 45 dias entre edital e arrematação.
Esse diferencial contrasta com o mercado tradicional. O FipeZap registrou alta de 2,42% nos preços residenciais no primeiro semestre de 2026 e valorização de 5,59% em 12 meses. Nesse cenário, comprar com desconto relevante pode oferecer margem de segurança maior do que depender apenas da valorização orgânica do imóvel.
Complexidade vira filtro técnico
Usar o leilão como opção de investimento exige diligência. Descontos elevados podem refletir riscos jurídicos, ocupação, custos de regularização, baixa liquidez local, impostos e taxas. O investidor precisa avaliar se o desconto é real depois de todos esses custos.
Por isso, a barreira de entrada é mais técnica do que financeira. O leilão pode complementar o crédito imobiliário tradicional, que segue caro e de acesso desigual, mas exige análise do edital, do imóvel, da região e da estratégia de saída.
*Com informações de Forbes







