
Os maiores bancos privados do Brasil decidiram aumentar suas carteiras de financiamento habitacional no terceiro trimestre de 2025, mesmo diante dos juros altos. As instituições apostam em estratégias para ampliar participação no mercado dominado pela Caixa Econômica Federal.
Itaú, Bradesco e Santander expandiram a carteira de crédito imobiliário à pessoa física para R$ 321 bilhões, crescimento de 13,5% ante o mesmo período de 2024. Esse aumento foi bem mais rápido que a expansão da carteira de pessoa física como um todo, que cresceu 7,5% no período, para R$ 1,15 trilhão.
Financiamento como estratégia de fidelização
Diante dos juros restritivos, os bancos têm priorizado as linhas mais seguras, com garantias, como o consignado e o financiamento imobiliário, que ajudam a preservar a qualidade dos ativos. O crédito imobiliário serve como instrumento de fidelização em contratos de longo prazo.
“É uma forma dos bancos tradicionais tentarem reter clientes, porque é um contrato de prazo muito longo”, explica Gustavo Schroden, analista do Citi em entrevista ao Estadão. “O cliente até pode pedir portabilidade, mas não é algo trivial de se fazer”.
Entre os três maiores bancos do país, o Itaú lidera com 47% de participação no segmento, carteira de R$ 137 bilhões e crescimento de 15% em 12 meses. De janeiro a setembro, a instituição originou R$ 24 bilhões, alta anual de 24%.
Santander e Bradesco aceleram crescimento
O banco Santander registrou alta de 9% em seu portfólio imobiliário, para R$ 71,8 bilhões. “O imobiliário é um dos pontos de destaque e vai continuar sendo pelos próximos trimestres”, afirmou Mario Leão, o CEO da instituição.
Já o Bradesco expandiu 14,5% a carteira imobiliária, que fechou setembro em R$ 11,99 bilhões. Para o CEO do banco, Marcelo Noronha, há oportunidades para acelerar ainda mais em 2026. Ele cita o esperado corte da Selic, que deve chegar ainda no primeiro trimestre.
“Vocês vão ver isso mais para o fim do ano, no início de 2026, que vamos para cima, decolando. Temos demanda e capacidade de voltar a crescer e vamos voltar a crescer”, acrescentou Noronha.
O novo modelo de crédito imobiliário do governo federal, que elimina gradualmente a exigência de 20% para compulsórios, também tem garantido a confiança dos banqueiros. O setor entende que as mudanças reestruturam as normas de mobilização dos recursos da poupança para a habitação.
*Com informações de Estadão

