Veja o resumo da notícia
- Mansão de Nasser Fares, CEO da Marabraz, avaliada em R$ 72,8 milhões, irá a leilão judicial em outubro de 2026.
- A dívida pessoal de R$ 2,3 milhões a R$ 2,4 milhões, motivada por aluguel não pago, levou à penhora do imóvel.
- Há indícios de que a mansão foi vendida informalmente há anos, mas a transação nunca foi registrada em cartório.
- Legalmente, Fares ainda é o proprietário, permitindo a penhora e o leilão do imóvel pela Justiça.
- O leilão eletrônico ocorrerá em duas etapas, com lances mínimos de R$ 72,8 milhões e R$ 51 milhões, respectivamente.
- A dívida pessoal de Fares é distinta da recuperação judicial da Marabraz, que soma R$ 140 milhões em débitos.

Uma mansão avaliada em R$ 72,8 milhões no condomínio Fazenda Tamboré Residencial 2, em Alphaville (Santana de Parnaíba, SP), vai a leilão judicial entre 6 e 29 de outubro de 2026. O imóvel pertence a Nasser Fares, CEO e filho do fundador da rede de móveis e eletrodomésticos Marabraz — mas a dívida que motivou o leilão não tem relação com a empresa: é pessoal, resultado do não pagamento do aluguel de uma loja que funciona desde 1994, no valor de R$ 55 mil por mês.
A dívida, de cerca de R$ 2,3 milhões a R$ 2,4 milhões, é cobrada pelo credor Silvio Torres Soares em um cumprimento de sentença que tramita na 1ª Vara Cível do Foro Regional XI de Pinheiros, em São Paulo. Como Fares não pagou, a Justiça penhorou a mansão.
O caso foi contado pelo Seu Dinheiro, em reportagem de Isabella Scaramucci publicada em 3 de setembro de 2026, e pela Folha de Alphaville, em reportagem de Aliz Lambiazzi publicada em 8 de setembro de 2026.
Mas o imóvel pode já não ser dele há anos
É aí que a história ganha uma camada a mais: segundo a corretora de imóveis Bernadete Antunes Correia, ouvida pela Folha de Alphaville, a mansão teria sido vendida informalmente muito antes do leilão. “Essa casa não é mais do dono da Marabraz já faz tempo, lá mora uma outra pessoa”, disse ela. Quem mora no imóvel hoje teria feito uma reforma completa em 2023.
O problema é que essa venda, se de fato aconteceu, nunca foi registrada no cartório de registro de imóveis — não há escritura nem pré-notação da transação. Legalmente, portanto, Fares segue sendo o dono, e é por isso que a mansão pode ser penhorada e leiloada por uma dívida que talvez nem diga respeito a quem realmente vive lá.
Como funciona o leilão
Conduzida pela plataforma Bayit, a venda eletrônica começa às 14h de 6 de outubro, com lances aceitos até 14h de 9 de outubro pelo valor de avaliação, R$ 72,8 milhões. Se ninguém arrematar nessa primeira praça, uma segunda etapa vai das 14h01 de 9 de outubro até 14h de 29 de outubro, com lance mínimo de 70% da avaliação — cerca de R$ 51 milhões. O terreno tem 5.130 m², com 2.640 m² de área construída e 143 m² de piscina.
Vale separar as contas: a dívida pessoal de Fares que levou a mansão a leilão (cerca de R$ 2,4 milhões) não tem relação com a recuperação judicial da própria Marabraz, que soma outros R$ 140 milhões em dívidas da rede varejista — processos distintos, que apenas coincidem no tempo.







