Veja o resumo da noticia

  • Mercado imobiliário aquecido por crédito facilitado e confiança do consumidor após período restritivo, com projeções otimistas da Abecip.
  • Home equity ainda enfrenta barreiras culturais e educacionais, limitando seu potencial como alternativa de financiamento no Brasil.
  • Reforma tributária pode impactar aluguel por temporada, com possível aumento da carga tributária sobre a receita dos proprietários.
  • Cenário imobiliário exige profissionais consultivos, capazes de orientar sobre crédito, riscos, prazos e impactos tributários.
mercado imobiliário brasileiro
Imagem: MaRabelo/iStock

Três notícias publicadas nos últimos dias ajudam a iluminar diferentes frentes do atual momento do mercado imobiliário brasileiro — um cenário que combina melhora nas condições de crédito, ampliação das alternativas de financiamento e novos pontos de atenção no ambiente regulatório e tributário.

No dia 27 de janeiro de 2026, o Valor Econômico destacou a projeção da Abecip de crescimento de 16% no volume de financiamentos imobiliários ao longo de 2026, impulsionado principalmente pela expectativa de queda gradual da taxa de juros e pelo aumento da confiança do consumidor após um ciclo prolongado de crédito restritivo. A leitura é de que parte da demanda represada nos últimos anos tende a voltar ao mercado à medida que as condições de financiamento se tornam mais previsíveis.

Poucos dias antes, em 25 de janeiro, o InfoMoney chamou atenção para outro ponto estrutural: apesar do crescimento recente, o crédito com garantia de imóvel (home equity) segue subutilizado no Brasil quando comparado a mercados mais maduros. Segundo a avaliação da Abecip, ainda existe uma barreira cultural e educacional importante, tanto do lado dos consumidores quanto dos profissionais do setor, que impede o uso mais amplo desse instrumento como alternativa de funding para consumo, investimento ou reorganização financeira.

Já no campo da locação, outra reportagem do InfoMoney, publicada também em janeiro de 2026, mostrou como a reforma tributária pode alterar a lógica do aluguel por temporada, com a possibilidade de incidência de cerca de 44% de imposto sobre a receita. A mudança afeta diretamente um modelo que cresceu nos últimos anos pela atratividade das margens e pode levar parte dos proprietários a reavaliar se o curto prazo continua sendo a melhor opção frente ao aluguel residencial tradicional.

Em conjunto, essas três frentes ajudam a desenhar um mercado em transição. A retomada gradual do crédito tende a estimular transações e reacender a confiança, mas ocorre em um ambiente mais sofisticado, com novas estruturas de financiamento e maior complexidade regulatória. Nesse contexto, ganha relevância o papel das imobiliárias e dos profissionais do setor como agentes consultivos, capazes de traduzir cenários econômicos, explicar alternativas de crédito, riscos, prazos e impactos tributários.

No caso do home equity, por exemplo, a oportunidade vai além da venda ou locação do imóvel. Trata-se de ajudar o cliente a compreender que o imóvel pode ser também um ativo financeiro, sem perder de vista os cuidados necessários na tomada de crédito. Já no mercado de locação, especialmente diante das mudanças tributárias, eficiência de gestão, precificação correta, redução de vacância e estruturas de garantia passam a ser ainda mais determinantes para a rentabilidade.

O elo entre essas notícias é claro: crédito mais estável, novos instrumentos financeiros e mudanças tributárias colocam a qualidade da informação no centro da jornada imobiliária. O cenário é positivo, mas tende a favorecer quem estiver melhor estruturado para operar em um ambiente mais técnico, informacional e consultivo. O mercado segue promissor — e cada vez mais exigente.