
Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, vive um boom imobiliário com mais de 70 edifícios em obras simultâneas. Pequenos prédios e estabelecimentos comerciais do centro cedem lugar a novos projetos, mesmo com operações funcionando. Os imóveis são vendidos a construtoras e demolidos para torres maiores nos mesmos terrenos.
A disputa pela vista do mar movimenta o setor. Um prédio onde funcionava uma padaria aberta em 2023 será demolido para nova construção com vista oceânica, o atrativo mais procurado por compradores de apartamentos na praia.
Plano diretor limita altura de edifícios
O plano diretor atual impõe limites de altura nas duas primeiras quadras da “zona 8”, da Praia Grande até os Molhes. Terrenos nessa área só podem receber edificações de até quatro andares para evitar sombreamento na faixa de areia.
A gestão municipal estuda atualizar o regramento. “É um processo que demanda tempo e energia para fazer de forma assertiva. A ideia é discutir antes com a comunidade”, afirma Douglas Gomes, secretário municipal do Meio Ambiente, em entrevista ao GZH.
A prefeitura não dá previsão para apresentar proposta de alteração na Câmara de Vereadores. A última atualização ocorreu em 2024, mantendo normas estabelecidas na década de 1990.
Construtoras locais dominam mercado
A R Dimer, maior empresa local do segmento, iniciou a obra de edifício de alto padrão na Avenida Beira Mar. O empreendimento terá quatro andares permitidos, com áreas comuns. “Duas suítes de 130 metros quadrados estão à venda por R$ 3,5 milhões“, conta Rodrigo Dimer, dono da construtora.
A empresa adquiriu outras áreas de frente para a praia, incluindo o famoso Hotel De Rose, que será demolido até metade do ano após o último verão funcionando.
Já a incorporadora Design comprou sete terrenos perto da Praia dos Molhes para edifício baixo com grandes apartamentos. “Residências de 550 a quase mil metros quadrados privativos. Todos terão piscina privativa, elevadores e guarita blindada”, revela Juliano Justo, dono da Design.
Segundo a Associação dos Construtores de Torres (Actor), construtoras forasteiras desistem após o primeiro lançamento. “Os corretores são muito fiéis às construtoras daqui. Hoje temos mais de mil profissionais trabalhando na cidade”, conta Rodrigo Dimer.
Já Eraclides Maggi, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), destaca diferenciais da construção litorânea. “Tu não consegue usar esquadrias em aço. Tem que ser alumínio, madeira ou PVC. Se não, corrói”, explica.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, a população de Torres chegou a 41.751 pessoas, aumento de 20,47% desde 2010. A prefeitura contesta, alegando mais de 65 mil habitantes. A administração municipal diz que, no verão, circulam mais de 200 mil pessoas na cidade.
O prefeito Delci Dimer afirma que 80% dos imóveis em construção destinam-se a veranistas. Milhares de apartamentos ficam desocupados de março a novembro, mas moradores permanentes aproveitam a estrutura disponível o ano todo.
*Com informações de GZH

