Veja o resumo da noticia
- De janeiro a outubro de 2025, a construção civil registrou a criação de 214,7 mil novos empregos formais, o que corresponde a 11,92% do total de vagas geradas no Brasil no período.
- Médias empresas ganham espaço no setor, focando em habitação social e infraestrutura.
- Estratégias de empresas de médio porte focam em valor agregado, relacionamento com o cliente e flexibilidade para se destacar.

A construção civil está contornando o cenário de crescimento econômico moderado, com boas oportunidades para empresas de médio porte. De janeiro a outubro de 2025, o setor registrou a criação de 214,7 mil novos empregos formais, o que corresponde a 11,92% do total de vagas geradas no Brasil no período. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
Apesar disso, houve uma desaceleração de 7,03% em relação ao mesmo período de 2024. “Mesmo assim, o ano foi bom para todos os portes de empresas do setor”, destaca Fernando Guedes, presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em entrevista ao Valor Econômico.
O executivo ressalta o impacto positivo do programa Minha Casa, Minha Vida, que recebeu incentivos recentes, contribuindo para o aquecimento do mercado. “Houve muitas contratações e muitas [empresas] médias trabalham nesse segmento”, avalia.
A força das médias empresas no setor
Empresas de médio porte vêm ganhando espaço em diferentes segmentos da construção civil. Cláudio Hermolin, vice-presidente da CBIC na região Sudeste, observa que o mercado residencial de interesse social é um dos principais focos dessas companhias.
“Mas também temos trabalhado em infraestrutura, seja no saneamento básico, seja na área de logística, com concessões de aeroportos e rodoviárias”, complementa Hermolin.
Um dos desafios enfrentados por essas empresas é o acesso ao crédito, marcado por altas taxas de juros, em torno de 15%. Hermolin explica que alternativas como bancos de investimento, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Letra de Crédito Imobiliário (LCI) têm ganhado espaço.
“No mercado imobiliário, cerca de 50% do crédito hoje já não é mais oriundo dos grandes bancos”, explica.
Flexibilidade e diferenciação como vantagens competitivas
A estratégia das médias é não competir em escala, mas na oferta de valor agregado. Em um mercado seletivo, a atenção ao cliente, desde o projeto até a entrega, tem sido decisiva.
“Hoje, o cliente não compra apenas o imóvel, mas todo o relacionamento – do primeiro contato ao pós-entrega”, afirma Joel Zonta, fundador e CEO da Halsten Incorporadora.
Fundada em Santa Catarina, a empresa tem como foco a agilidade e o valor agregado. “Temos maior flexibilidade, proximidade com o cliente e agilidade na tomada de decisão, enquanto as grandes corporações operam com volumes massivos e projetos muitas vezes padronizados”, avalia Zonta. Em 2025, a empresa faturou R$ 300 milhões. Agora, aposta no lançamento de empreendimentos de luxo 100% mobiliados em Balneário Camboriú (SC).
Já a SIM Incorporadora personaliza seus projetos para atender diferentes mercados. Com presença marcante em Goiânia, seus lançamentos de apartamentos compactos continuam populares entre investidores. “Goiânia é uma cidade aquecida, impulsionada pelo agronegócio”, destaca Ricardo Maciel, fundador da empresa.
Outra empresa de médio porte a se destacar no setor é o Grupo Deveck. Há 19 anos no mercado, a empresa enfrenta uma transição geracional e aposta na modernidade combinada a uma gestão estruturada.
“O foco tende a mudar para a qualidade da entrega e não a quantidade, com uma preocupação maior com o produto final e as necessidades do cliente”, afirma Thainá Devechio, diretora da construtora.
*Com informações de Valor Econômico

