Veja o resumo da noticia
- Copom mantém Selic em 15%, mas sinalização de cortes futuros anima o setor.
- Especialistas apontam que a redução dos juros pode destravar demanda reprimida e aquecer o mercado, com possível impacto nos preços.
- Bancos antecipam a redução da Selic e já revisam tabelas de juros, visando contratos de financiamento imobiliário de longo prazo.
- Especialistas ponderam sobre a decisão de comprar agora ou esperar a queda dos juros, considerando a portabilidade e renegociação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic, a taxa básica de juros, em 15% ao ano na primeira reunião de 2026. Esse patamar, o mais alto em quase vinte anos, continua impactando o mercado imobiliário, tanto na oferta de crédito quanto no custo geral dos financiamentos. No entanto, a sinalização de que o ciclo de cortes poderá começar em março já traz um novo ânimo ao setor.
“Os juros nesse patamar por tanto tempo têm afetado muito os custos de financiamento dos clientes e dos próprios empreendimentos. A sinalização de que estão em viés de queda seria muito importante para que os compradores voltem a ter um crédito mais justo e próximo das taxas históricas do mercado imobiliário”, afirma Leonardo Mesquita, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ).
A perspectiva de redução dos juros deve se refletir no ânimo dos compradores, mesmo com a Selic ainda tão alta, acredita o economista Gilberto Braga. “Hoje, os 15% são muito elevados e poderemos fechar o ano com 12,25% que, embora seja uma taxa alta, é uma perspectiva de redução. Isso pode motivar que as pessoas tirem o dinheiro do banco, da renda fixa, e invistam em ativos reais. Certamente, vai animar as construtoras e motivar os compradores”.
Peixoto Accyoli, CEO da rede de franquias RE/MAX Brasil, também acredita que “essa sinalização do Banco Central aumenta a confiança de que o ciclo de cortes vai começar de fato”. Em entrevista à Exame, ele alerta, porém, para o tempo necessário para que as mudanças cheguem ao consumidor.
“Existe uma defasagem natural entre a decisão de política monetária e a chegada dessa redução às taxas finais dos financiamentos. E, quando acontece, o efeito costuma ser gradual”, explica.
Bancos antecipam redução e aquecem mercado
Mesmo antes do comunicado do Banco Central desta quarta-feira (29) — que retirou a menção à necessidade de uma política monetária “significativamente contracionista por um período prolongado” — alguns bancos já começaram a revisar suas tabelas, projetando o novo cenário de mercado.
De acordo com Ramiro Delgado, especialista em investimento imobiliário, ouvido pelo jornal O Dia, “como os financiamentos imobiliários são contratos de longo prazo, que chegam a 30 ou 35 anos, as instituições financeiras costumam se antecipar aos ciclos econômicos. Alguns bancos já começaram a reduzir suas tabelas de juros, justamente projetando esse novo cenário”.
Essa antecipação pode destravar uma demanda represada ao longo de 2025. No entanto, especialistas alertam que tal movimentação pode pressionar os preços dos imóveis em locais estratégicos e com maior liquidez.
“Para quem já comprou o imóvel financiado em um período de juros elevados, existe a possibilidade de renegociar com o próprio banco ou transferir a dívida para outra instituição que ofereça taxas menores”, avalia Delgado.
Além disso, medidas como a elevação do teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para R$ 2,25 milhões e ajustes no programa Minha Casa, Minha Vida também contribuíram para ampliar o acesso ao crédito e, consequentemente, aquecer o mercado.
Comprar agora ou esperar?
Mesmo com juros altos, especialistas acreditam que financiar neste momento pode ser uma decisão estratégica, dependendo do perfil do comprador. As taxas de financiamento, historicamente inferiores aos 15% anuais da Selic, já estão disponíveis em faixas próximas a 12% ao ano, dependendo das condições do cliente e da instituição.
A decisão de aguardar a queda dos juros pode ser arriscada.
Outro ponto a ser considerado é a possibilidade de portabilidade e renegociação, que permite ao consumidor ajustar as condições do financiamento quando a Selic cair de forma consistente.
“O sistema brasileiro permite portabilidade e renegociação do contrato, o que possibilita ao comprador ajustar a taxa, a parcela ou o saldo devedor no futuro, quando os juros caírem de forma mais consistente”, explica Accyoli.
Os especialistas concordam que a decisão de financiar agora ou aguardar depende de fatores pessoais e de mercado. Ainda assim, “com mais compradores voltando ao mercado e uma oferta limitada de imóveis, os preços tendem a subir”, conclui Delgado.

