Veja o resumo da noticia

  • Corregedor geral de Justiça de SP proíbe registro de tokens imobiliários vinculados às matrículas de imóveis, atendendo pedido dos registradores.
  • Cartórios defendem a decisão, alegando que ela protege o sistema jurídico imobiliário e a segurança da cadeia construtiva e de crédito.
  • Empresas de tokenização criticam a medida, argumentando que ela atrasa a evolução do mercado e trava operações em andamento no país.
  • ONR afirma não ser contra a tecnologia blockchain e trabalha em projetos para integrá-la ao sistema registral de imóveis no Brasil.
  • Setor aguarda posicionamento do CNJ sobre a regulamentação da atividade, que exige estudos aprofundados para evitar riscos.
tokens imobiliários
Imagem: Maksim Safaniuk/iStock

Atendendo um pedido dos registradores de imóveis, o corregedor geral de Justiça de São Paulo, Francisco Eduardo Loureiro, decidiu proibir o registro de tokens imobiliários vinculados às matrículas de imóveis no estado.

A decisão representa mais uma vitória dos cartórios em sua batalha contra as empresas de tokenização. Em outubro de 2025, a Justiça do Distrito Federal já havia suspendido uma resolução do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), que buscava regulamentar a atividade no país.

Cartórios defendem segurança no registro imobiliário

A decisão foi celebrada pelo Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), que representa os cartórios. De acordo com Flaviano Galhardo, diretor executivo do ONR, a proibição protege o sistema jurídico imobiliário.

“O token pode representar contratos de investimento ou instrumentos financeiros, mas não pode induzir as pessoas a acreditar que é um direito real de propriedade de um imóvel”, afirmou ao Valor Econômico.

Segundo Galhardo, o sistema atual, existente há 180 anos, é a base de toda a segurança da cadeia construtiva e de crédito imobiliário no país.

Empresas criticam atrasos na regulação

Do outro lado, as empresas de tokenização argumentam que a postura do ONR atrasa a evolução do mercado. Uma fonte do setor declarou que, enquanto o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não regulamenta a atividade, os tribunais estaduais têm tomado decisões que travam operações já em andamento.

“O Cofeci fez um esforço para organizar um mercado que já existia. Quando o ONR faz o movimento em sentido contrário, ele barra o desenvolvimento, mas não apresentou nenhuma solução”, disse a fonte.

Ainda assim, Galhardo defende que os cartórios não são contrários à tecnologia blockchain. Segundo ele, o ONR trabalha em projetos para integrar a tecnologia no sistema registral, substituindo fichas manuais por registros estruturados digitalmente. “A ideia é usar uma blockchain permissionada”, reforçou.

A expectativa do setor segue voltada para uma posição formal do CNJ. O diretor ressalta, porém, que um tema tão complexo exige estudos aprofundados para evitar riscos à segurança jurídica. “Qualquer equívoco pode pôr em xeque toda essa conquista de bases sólidas que temos hoje no mercado imobiliário.”

*Com informações de Valor Econômico

Marcela Guimaraes
Marcela Guimarães

editora/redatora

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)