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Veja o resumo da notícia
- Distratos de imóveis de médio e alto padrão atingiram 21% das vendas brutas no 1º semestre de 2026, maior índice desde 2020.
- Aumento dos cancelamentos reflete juros elevados, crédito restrito e endividamento das famílias, sem subsídios governamentais.
- A dificuldade para os compradores costuma surgir no repasse do financiamento, após meses de pagamento durante a obra.
- O cenário atual não se compara à crise imobiliária de 2014, quando os cancelamentos superaram 50% das vendas.
- A Lei do Distrato, de 2018, define regras para rescisão, permitindo retenção de até 50% do valor pago em caso de desistência do comprador.
- No segmento econômico, os distratos equivaleram a 10,5% das vendas, mas com picos pontuais em algumas construtoras.
- O impacto financeiro dos distratos depende da velocidade de revenda das unidades devolvidas no estoque das incorporadoras.

Os distratos de imóveis de médio e alto padrão corresponderam a 21% das vendas brutas no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Abrainc. O índice, o maior desde o primeiro semestre de 2020, reflete juros elevados, crédito mais restrito e endividamento das famílias, mostra o Valor. Diferentemente do segmento econômico, esse público não conta com subsídios do Minha Casa, Minha Vida nem com programas regionais, como o Pode Entrar.
Entregas concentram o momento de risco
A dificuldade costuma aparecer no repasse do financiamento, depois de meses de pagamento durante a obra. Atrasos em documentos como o Habite-se também podem postergar a entrega e a contratação do crédito. A Lavvi registrou alta de 82% nos distratos entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, sem concentração em um projeto. Na Trisul, o avanço foi de 29,4%, associado ao maior volume de entregas e repasses.
Cenário ainda está distante da crise de 2014
Especialistas avaliam que o quadro não se compara à crise imobiliária iniciada em 2014, quando os cancelamentos superaram 50% das vendas em meio a desemprego, queda de renda e estoques elevados. Desde 2018, a Lei do Distrato define regras para a rescisão de contratos. Em empreendimentos com patrimônio de afetação, a retenção pode chegar a 50% dos valores pagos quando a desistência parte do comprador; atrasos atribuídos à incorporadora asseguram restituição integral.
Segmento econômico tem índice menor, mas registra picos
Nos imóveis econômicos, os distratos equivaleram a 10,5% das vendas brutas nos seis meses analisados. Há, porém, situações pontuais: a Plano&Plano informou taxa de 25% no último trimestre, alta de 16,9 pontos percentuais em um ano, relacionada a clientes com renda informa. A Tenda dobrou o número de distratos no terceiro trimestre de 2026 ante igual período de 2025, após mudanças temporárias na análise de crédito.
Velocidade de revenda será decisiva
O efeito financeiro depende de quanto tempo a unidade devolvida permanece em estoque. Dados do Secovi-SP indicam prazo geral de cerca de 13 meses para vender um imóvel novo de médio ou alto padrão na capital paulista, ante oito meses no econômico, embora a métrica não meça especificamente a revenda de unidades distratadas. Para especialistas, a taxa acima de 20% acende um alerta, mas seu impacto varia conforme vendas, porte da incorporadora e liquidez do mercado.
*Com informações de Estadão







