Neste episódio do Portas Entrevista, seguimos a conversa com Alexandre Souza Lima, da Meta Incorporadora para aprofundar um tema central da sua atuação: o que realmente define um empreendimento de alto padrão hoje.

Longe da lógica puramente financeira ou de métricas superficiais como metragem e ostentação, Alexandre apresenta uma visão imobiliária construída ao longo de ciclos, crises e projetos reais — onde arquitetura, experiência, uso e tempo são os principais vetores de valor.

O que você vai aprender neste episódio

  • Por que alto padrão não é mais sinônimo de tamanho
  • Como a vocação do terreno define todo o projeto
  • O papel da experiência do morador na valorização do imóvel
  • Por que condomínios ganham valor quando “ganham alma”
  • Como wellness e tempo viraram pilares do alto padrão

Alto padrão começa na leitura do terreno

Na visão de Alexandre, nenhum empreendimento de alto padrão nasce de um projeto reaproveitado. Cada terreno carrega limitações, oportunidades e vocações próprias — e ignorar isso é comprometer o resultado.

“É alfaiataria. Eu vou naquele terreno e penso: o que dá para tirar de melhor daqui?” — Alexandre Souza

Essa lógica orienta desde o gabarito do prédio até o tipo de morador que aquele local naturalmente atrai. Em alguns casos, o alto padrão está em poucas unidades, privacidade e escala reduzida. Em outros, em empreendimentos maiores, com infraestrutura completa e experiências amplas.

Projeto, paisagismo e uso: o tripé do alto padrão

Ao detalhar como pensa seus empreendimentos, Alexandre reforça que o alto padrão não está na lista de amenities, mas na coerência entre projeto, paisagismo e uso real.

Segundo ele, muitos empreendimentos incluem itens apenas para “vender no papel”, mas que depois encarecem o condomínio e não são utilizados.

“Alto padrão é experiência. Aquilo precisa funcionar para quem mora.” — Alexandre Souza

Por isso, a curadoria das áreas comuns é tratada como parte essencial do projeto. Cada espaço precisa ter propósito, dimensionamento correto e operação viável no dia a dia.

Quando o prédio ganha alma, o imóvel valoriza

Um dos pontos mais fortes do episódio é a percepção de Alexandre sobre o momento em que um empreendimento realmente passa a valer mais: quando ele começa a ser vivido.

Na experiência dele, após a entrega, conforme o condomínio se ocupa, cria rotina e identidade, o mercado passa a enxergar valor de forma diferente.

“Depois que o condomínio está implantado e começa a ter vida, o imóvel valoriza muito.” — Alexandre Souza

Esse entendimento influencia diretamente sua estratégia comercial: nem todas as unidades são vendidas durante a obra. Parte do estoque é mantida para um momento posterior, quando o ativo já expressa plenamente sua proposta.

Wellness e saúde como novo centro do alto padrão

Ao falar de tendências, Alexandre é direto: saúde e wellness deixaram de ser diferencial e se tornaram centrais no alto padrão.

Academias bem projetadas, salas de pilates, espaços de fisioterapia e áreas voltadas à longevidade fazem parte de todos os seus projetos atuais — não como estética, mas como funcionalidade.

Para isso, ele destaca a importância de especialistas no desenvolvimento desses espaços, garantindo que eles funcionem de verdade no cotidiano dos moradores.

Experiência e tempo: o luxo silencioso

Outro conceito recorrente neste episódio é o valor do tempo. Para Alexandre, empreendimentos de alto padrão precisam economizar tempo do morador, não apenas oferecer conforto.

Isso aparece em soluções como serviços internos, integração com operadores do bairro e até experiências simples, como café da manhã no condomínio — inspirado em modelos internacionais.

“Hoje, no alto padrão, a gente também precisa entregar tempo para o cliente.” — Alexandre Souza

The Club e a lógica do uso misto

O episódio também traz exemplos práticos, como o The Club, empreendimento de uso misto que reúne residências, lofts, escritórios e uma ampla área de lazer e wellness.

Com dezenas de amenities, esportes, áreas de saúde e fachada ativa cuidadosamente curada, o projeto reflete a visão de que coerência de uso é mais importante do que maximizar vendas no curto prazo.

Mini-FAQ: alto padrão na visão de Alexandre Souza

Alto padrão ainda é sinônimo de imóveis grandes?

Não. Na visão de Alexandre, hoje o alto padrão está muito mais ligado à qualidade do projeto, da arquitetura e da experiência do que à metragem.

Vale repetir projetos que deram certo?

Depende, mas a resposta curta é não. Cada terreno exige uma solução específica. Repetir projetos pode comprometer o potencial do local e o valor do imóvel.

Wellness é tendência passageira?

Para Alexandre, não. Saúde, longevidade e bem-estar devem se fortalecer ainda mais nos próximos anos.

Destaques rápidos do episódio

  • Alto padrão é experiência, não ostentação
  • Projetos devem nascer da vocação do terreno
  • Condomínios ganham valor quando passam a ser vividos
  • Wellness e saúde são pilares do produto imobiliário
  • Economizar tempo virou parte do luxo

O que aprendemos com este episódio

Neste episódio do Portas Entrevista, Alexandre Souza mostra que o alto padrão contemporâneo é menos sobre aparência e mais sobre decisões conscientes, visão imobiliária e compromisso com o uso real.

Construir como se fosse para si mesmo, respeitar o tempo dos ciclos e pensar no morador antes do investidor são escolhas que, no longo prazo, constroem valor — para o imóvel, para o condomínio e para o negócio.

Marina Galesso
Marina Galesso

Marina Galesso é editora de podcast do Portas. Formada em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente cursando Jornalismo também na USP, integra o time de Comunicação da Loft. Produz o Portas Entrevista, podcast que traz conversas com líderes e expoentes do mercado imobiliário.

Marina Galesso é editora de podcast do Portas. Formada em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente cursando Jornalismo também na USP, integra o time de Comunicação da Loft. Produz o Portas Entrevista, podcast que traz conversas com líderes e expoentes do mercado imobiliário.