Veja o resumo da noticia
- Abecip projeta crescimento de 16% no financiamento imobiliário em 2026, impulsionado pela redução da Selic e novo modelo de funding.
- Estimativa é de que concessões com recursos da poupança (SBPE) alcancem R$ 180 bilhões, representando um aumento de 15%.
- Financiamentos com recursos do FGTS para habitação social devem crescer 5%, atingindo R$ 145 bilhões, segundo a Abecip.
- Liberação do compulsório pelo Banco Central em outubro de 2025 injetou R$ 38 bilhões no sistema, reduzindo taxas de juros.
- Novo modelo de funding visa reduzir dependência de recursos subsidiados, incentivando LCI e CRI, com compulsório zerado em 10 anos.
- Em 2025, financiamento imobiliário somou R$ 324 bilhões, impulsionado por CRI e operações de tesouraria, apesar da alta dos juros.
- Poupança financiou 458 mil imóveis em 2025, com queda de 13% no montante financiado via SBPE, totalizando R$ 156,3 bilhões.

O volume de financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O aumento é esperado após a alta de 3% em 2025 e é sustentado pela possível redução da Selic (taxa básica de juros) no segundo semestre e pelo impacto do novo modelo de funding anunciado pelo governo no ano passado.
A projeção leva em conta expectativas de que as concessões com recursos da poupança (SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) alcancem R$ 180 bilhões, com alta de 15%.
Financiamentos com FGTS e liberação do compulsório
Ainda de acordo com estimativas da Abecip, os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), voltados para habitação social, devem crescer 5%. O valor deve atingir R$ 145 bilhões.
A Abecip aponta que a liberação do compulsório, regulamentada pelo Banco Central em outubro de 2025, começou a reduzir as taxas de juros para clientes pessoa física, injetando R$ 38 bilhões no sistema.
“Houve um movimento dos bancos no fim do ano de redução dos juros em função desse aporte”, afirmou Priscilla Ciolli, presidente da Abecip ao Valor Econômico.
Novo modelo de funding e desafios
O fim da exigência do Banco Central (BC), que obrigava os bancos a depositarem uma parte do dinheiro captado de clientes, contudo, ainda impõe um modelo de transição. Esse modelo pretende reduzir a dependência de funding subsidiado aos poucos, incentivando o uso de recursos de mercado, como letras de crédito imobiliário (LCI) e certificados de recebíveis imobiliários (CRI).
O compulsório deve ser zerado ao longo dos próximos dez anos, possibilitando maior liberdade operacional para os bancos. Para Priscilla Ciolli, a viabilidade desse modelo depende da queda contínua da Selic. “Caso contrário, não conseguiremos operar com taxas abaixo de 12% ao ano”.
Em 2025, mesmo com o alto patamar dos juros, o volume de financiamento imobiliário somou R$ 324 bilhões. O desempenho foi impulsionado por setores como os certificados de recebíveis imobiliários (que aumentaram de 9% para 10% no funding total) e pelas operações de tesouraria dos bancos.
O saldo da poupança, por outro lado, caiu 0,9% em 2025, totalizando R$ 766 bilhões e reduzindo sua representatividade no funding total de 32% em 2024 para 29% em 2025. Segundo a Abecip, a diversificação de fontes de financiamento continuará sendo essencial para atender à demanda de crédito imobiliário.
Poupança financia 458 mil imóveis em 2025, aponta Abecip
Em 2025, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança possibilitaram a aquisição de 458 mil imóveis. O resultado representou uma redução de 14% em relação ao número de unidades financiadas no ano anterior, segundo dados da Abecip.
Destinados principalmente a imóveis de médio e alto padrão, os recursos da SBPE registraram queda de 13% no montante financiado em 2025, na comparação com 21024 (totalizando R$ 156,3 bilhões).
A retração, porém, foi menor do que o esperado pela Abecip, que projetava uma redução de 17%.
*Com informações de Valor Econômico e Broadcast/Estadão

