Veja o resumo da noticia

  • Investimentos em residenciais para renda atingem R$ 1,1 bilhão em 2025, segundo maior valor em dez anos, representando 3% do total investido.
  • Galpões lideram investimentos imobiliários (34%), seguidos por shoppings (29%) e escritórios (17%); multifamily teve pico em 2021 com R$ 2,7 bilhões.
  • Mercado multifamily brasileiro, ainda incipiente, atrai novos players como a gestora Brio, com fundo iniciado em parceria com a Greystar.
  • Analistas do Itaú BBA veem o setor como promissor, com expectativa de aquecimento impulsionado pela queda dos juros.
  • Yuca migra para projetos multifamily em parceria com incorporadoras, visando VGV de R$ 100 milhões em novos empreendimentos.
  • Alfa Realty entra no multifamily após 20 anos, transformando estoque não vendido em unidades para locação, modelo replicado na linha Noon.
  • Indicadores hoteleiros em São Paulo, com alta na ocupação e diária média, também incentivam os investimentos no setor imobiliário.
investimentos em residenciais para renda
Explora_2005/iStock

Investidores movimentaram R$ 1,1 bilhão em negócios de residenciais para renda em 2025, segundo levantamento da consultoria CBRE. É o segundo maior valor em dez anos para o segmento multifamily, embora corresponda a apenas 3% do total investido por Fundos imobiliários (FIIs), multifamily offices, fundos de pensão e investidores de private equity em ativos imobiliários no período.

O setor de galpões logísticos e industriais lidera os investimentos imobiliários, com 34% de participação, seguido por shoppings (29%) e escritórios (17%). Em 2021, o multifamily registrou mais do que o dobro de aportes, R$ 2,7 bilhões, representando 11% do total, impulsionado pela operação da Brookfield com a Luggo, da MRV.

Mercado ainda incipiente atrai novos players

Edson Ferrari, vice-presidente da CBRE Brasil, destaca que a Brookfield segue liderando os aportes no segmento, mas novos competidores surgiram em 2025, como a gestora Brio, que iniciou fundo com a americana Greystar. “Conseguir fazer R$ 1 bilhão, em cenário macroeconômico super restritivo, em um mercado que está começando agora, ainda bastante restrito em termos de negócios consolidados, é uma performance que considero bem boa”, afirma Ferrari ao Valor.

Analistas do Itaú BBA classificam o mercado multifamily brasileiro como “muito incipiente”, comparado ao setor de shoppings “bem-desenvolvido” e logística “ainda em fase de desenvolvimento”. A expectativa é que o início da queda dos juros, prevista para este ano, aqueça o setor, principalmente nos fundos imobiliários, que representam 70% dos investimentos anuais em imóveis.

Empresas apostam em parcerias com incorporadoras

A Yuca, de Rafael Steinbruch, migrou do modelo coliving em prédios já existentes para projetos multifamily desenvolvidos do zero, em parceria com incorporadoras. A empresa espera participar de novos projetos que somariam valor geral de venda (VGV) de R$ 100 milhões.

A Alfa Realty seguiu caminho oposto, entrando no multifamily após 20 anos como incorporadora. O CEO Eudoxios Anastassiadis conta que o ingresso ocorreu em 2016, ao transformar estoque não vendido em Pinheiros em unidades para locação via Airbnb. O modelo foi replicado na linha Noon, com apartamentos de 25 a 71 metros quadrados voltados exclusivamente para locação.

A melhora dos indicadores hoteleiros paulistanos incentiva esses investimentos. Segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a ocupação média em São Paulo foi de 64,6% entre janeiro e novembro de 2025, alta de 0,5% anual, enquanto a diária média subiu 7,4%, para R$ 566,65.

*Com informações do Valor