Veja o resumo da noticia
- Crescimento do mercado de leilões imobiliários impulsionado por mudanças regulatórias e sistemas eletrônicos, atraindo novos compradores.
- Leilões extrajudiciais lideram a expansão, representando 70% do mercado, devido à lei de alienação fiduciária e ao Marco Legal das Garantias.
- A educação financeira e a digitalização democratizam o acesso, com plataformas que concentram ofertas e reduzem a falta de informação.
- Aumento da competição eleva o número de lances, principalmente em áreas valorizadas, com descontos médios de até 27% nos imóveis.
- Caixa Econômica Federal destaca-se na oferta de imóveis, especialmente no programa Minha Casa, Minha Vida, com condições facilitadas.

Os leilões de imóveis atravessam fase de amadurecimento com crescimento superior a 35% no volume de ofertas nos três primeiros trimestres de 2025, comparado ao mesmo período anterior. Segundo integrantes desse mercado, as mudanças regulatórias dos últimos anos garantem maior segurança jurídica. Isso se soma à evolução dos sistemas eletrônicos, impulsionando o setor.
A transformação mudou o perfil dos compradores. Quase 70% dos arrematantes compram para uso próprio, aponta o levantamento do agregador Leilão Imóvel. O cenário contrasta com o padrão pré-pandemia, quando investidores dominavam as aquisições.
O principal motor da expansão são os leilões extrajudiciais, ligados à retomada de imóveis dados em garantia. “Os [leilões] judiciais tendem a acompanhar o ciclo econômico, mas os extrajudiciais crescem de forma acelerada. Hoje, já representam cerca de 70% do mercado e devem ganhar ainda mais espaço”, afirma André Figueiredo, fundador do Leilão Imóvel e da Aukit, em entrevista ao InfoMoney.
Marco legal reduz riscos e acelera processos
A lei de alienação fiduciária, vigente desde 1997, transformou o crédito imobiliário ao permitir retomada extrajudicial em casos de inadimplência. O impacto foi direto: a relação entre crédito imobiliário e Produto Interno Bruto (PIB) saltou de menos de 2% para cerca de 10% nas últimas décadas.
O Marco Legal das Garantias ampliou essa lógica ao flexibilizar o uso do imóvel como garantia em múltiplas operações. “Quando o risco diminui para quem empresta, o crédito fica mais barato para todos, inclusive para quem arremata imóveis em leilão“, explica Figueiredo.
Outros impulsionadores foram a educação financeira e a digitalização, que ajudaram a democratizar o acesso. Plataformas agregadoras concentram milhares de imóveis e reduzem assimetria de informação, substituindo a busca por dezenas de sites e editais pouco acessíveis.
“A internet trouxe transparência e ampliou o alcance dos leilões. O que antes parecia um ambiente fechado hoje é uma vitrine aberta, inclusive para quem nunca tinha considerado esse caminho”, afirma Avraham Dichi, CEO da Bayti, plataforma especializada em leilões imobiliários.
Maior competição eleva número de lances
Com a entrada do consumidor final, o mercado tornou-se mais competitivo, especialmente em regiões valorizadas. Dados do Leilão Imóvel mostram descontos médios de até 27% e 11,3 lances por imóvel, sinalizando maior disputa.
Em casos excepcionais, como em uma fazenda na Serra das Araras, o número de lances ultrapassou mil, elevando o preço final acima de R$ 8,5 milhões.
A Caixa Econômica Federal responde por cerca de 70% dos imóveis ofertados, sobretudo em faixas mais baixas como o Minha Casa, Minha Vida. Nesses casos, compradores encontram condições diferenciadas de financiamento com entradas menores e juros reduzidos.
“O arremate une o útil ao agradável: imóvel mais barato e crédito acessível. Por isso, o leilão passou a ser alternativa real para quem quer sair do aluguel, desde que não tenha pressa”, afirma Figueiredo.
*Com informações de InfoMoney

