Construir uma operação imobiliária de alto padrão em uma das capitais com o metro quadrado mais valorizado do país, Florianópolis, não é uma tarefa simples. Fazer isso sem recorrer à tradicional competição predatória do setor e colocando o fator humano no centro da estratégia é o que torna o case da F1 Cia. Imobiliária verdadeiramente único. No vídeo inserido acima, você acompanha o episódio completo do Portas com os fundadores da marca.
O que você vai aprender neste episódio
- Cultura Anti-Turnover: Como desenhar processos focados em reter e desenvolver talentos no mercado imobiliário.
- Alinhamento de Incentivos: A estratégia de comissionar desde a recepção até o administrativo para gerar engajamento mútuo.
- Liderança Resiliente: Como estruturar e expandir um modelo de negócios sólido em cenários de crise econômica.
- Plano de Recuperação Trimestral: O passo a passo prático para resgatar a performance de corretores sem apelar para a demissão em massa.
- Inovação e Tecnologia: A sinergia entre o atendimento humanizado e ferramentas como o ecossistema.
Do rústico ao metro quadrado mais caro: O cenário de Florianópolis
Para entender o sucesso da F1, é preciso compreender o mercado onde ela está inserida. Florianópolis passou por uma transformação radical nas últimas décadas, deixando de lado as características puramente rústicas para se consolidar como um dos polos imobiliários mais desejados e valorizados do Brasil. Impulsionada pelo alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e pela força do setor de tecnologia, a capital catarinense atrai investidores e moradores finais com alto poder aquisitivo.
No entanto, a geografia restrita da ilha — com mais de 70% de área de preservação — impõe um limite físico à oferta de terrenos edificáveis. O resultado é um cenário de valorização plena e demanda reprimida, onde imóveis diferenciados encontram liquidez rápida, independentemente das oscilações macroeconômicas nacionais.
Desafiando a crise através da “Família Única”
Foi exatamente nesse mercado que Johny e Taiane decidiram empreender em 2013. Enquanto o país caminhava para uma recessão econômica severa, o casal — que trazia na bagagem uma rica experiência no setor de hospitalidade e atendimento de alto padrão na Espanha — fundou a F1.
O início foi humilde: uma pequena sala comercial pintada pelas próprias mãos. Mas o grande diferencial não estava na estrutura física, e sim na filosofia fundadora do negócio. O nome “F1” não faz referência ao automobilismo, mas sim à razão social da empresa: Família Única.
“A gente sempre acreditou em fazer tudo certo, fazer as coisas certas, não certas coisas.” — Johny Fabra
Essa busca pelo que é ético e justo moldou uma cultura colaborativa que bate de frente com o estigma machista e predatório muitas vezes associado aos ambientes tradicionais de vendas imobiliárias. Na F1, as mesas redondas substituíram as baias individuais, o traje formal deu lugar ao conforto adequado ao clima da região, e o conceito do “Cia.” (companhia, do latim, compartilhar o pão) foi levado ao pé da letra.
Alinhamento de incentivos e a cultura do ganho mútuo
Para sustentar essa cultura voltada às pessoas, a liderança da F1 estruturou um modelo prático onde o sucesso financeiro é compartilhado com toda a operação. A visão comercial da empresa determina que todo mundo dentro da imobiliária tem que ganhar comissão, o que se traduz em uma política estendida a funções que tradicionalmente recebem apenas salário fixo no mercado.
Na prática, o ecossistema funciona sob as seguintes diretrizes:
Investimento em leads: A imobiliária investe recursos diretos na geração de leads, chegando a entregar cerca de cinco a seis leads por semana para os profissionais.
Comissão transversal: Todas as recepcionistas, profissionais do pós-vendas, equipe de retenção e time de manutenção recebem algum tipo de comissão pelas vendas ou aluguéis que acontecem.
Plataforma de gamificação: Criada pela Taiane, a empresa utiliza um processo de gamificação por boas práticas focado na galera do aluguel.
Plano de Recuperação: O antídoto contra o turnover
A alta rotatividade de corretores é um dos gargalos mais conhecidos do mercado de capitais imobiliários. A solução da F1 para esse problema foi criar uma esteira de processos comerciais rígida, porém profundamente humanizada. Através do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) e do Plano de Recuperação, a empresa monitora três métricas essenciais: comportamental (assiduidade e engajamento), produtividade (visitas e captações) e vendas.
Se um corretor passa três meses sem vender, o processo tradicional do mercado ditaria a sua demissão instantânea. Na F1, inicia-se uma mentoria focada.
“Meu ócio criativo é fazer com que o meu negócio melhore cada vez mais com as pessoas no centro dela. Se as pessoas estão no centro, você consegue empoderá-las.” — Johny Fabra
O profissional é chamado para uma reunião individual com o RH e a diretoria, onde os dados são auditados. Se ele apresentou bons indicadores de comportamento e produtividade, recebe mais três meses de suporte com ajustes finos em sua abordagem de vendas. Esse processo inverteu a lógica do turnover: na F1, os profissionais são desenvolvidos para ficar, e as saídas ocorrem por desligamentos estratégicos baseados em total transparência, nunca por abandono espontâneo.
A sinergia com a tecnologia e o futuro até 2050
O case da F1 se cruza com a própria história de inovação do ecossistema Loft. Adotando soluções tecnológicas integradas desde as suas primeiras operações, como a Loft/ CRM (antigo Vista) e as facilidades de locação sem fiador da CredPago (atual Loft/ Fiança Aluguel) a imobiliária ganhou a musculatura necessária para tirar a gestão do papel e do Excel.
Para Johny, o futuro do mercado imobiliário brasileiro é promissor e garantido até pelo menos 2050. No entanto, a sobrevivência e a escala dos negócios dependerão da capacidade dos líderes em abandonar o empirismo amador e abraçar processos técnicos e de inteligência de dados, sem nunca perder a ética e a centralidade humana no atendimento.
Dúvidas Frequentes sobre Gestão e Cultura no Mercado Imobiliário
Como criar uma cultura colaborativa em equipes de vendas comissionadas?
O segredo está no alinhamento de incentivos e na quebra do isolamento das equipes. Criar um modelo onde o suporte administrativo e de atendimento (como a recepção) participa dos ganhos de comissão estimula o espírito de equipe. Outra convidada que também deixou clara a importância de metas claras para toda a equipe foi Alice Areia, da Imobiliária Jaú. Confira também a conversa com ela no vídeo abaixo.
Além disso, a liderança deve estabelecer manuais de boas práticas claros para o cruzamento de leads e propostas, garantindo total transparência e meritocracia.
O que fazer para diminuir a rotatividade (turnover) de corretores em uma imobiliária?
Substitua o medo da demissão imediata por um acompanhamento baseado em dados e desenvolvimento humano. Ferramentas como o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) e Planos de Recuperação baseados em trimestres permitem identificar se a falta de vendas é por ausência de esforço prático ou apenas uma necessidade de ajuste técnico na esteira comercial.
Por que a comissão distribuída para o administrativo melhora a experiência do cliente?
Quando funções operacionais, como recepção e pós-venda, recebem comissão por metas atingidas, toda a jornada do cliente é impactada positivamente. O cliente deixa de ser um “lead” em uma planilha e passa a ser atendido com foco em excelência e agilidade por todos os pontos de contato da empresa.
O que aprendemos com este episódio
Este episódio com Johny Fabra e Taiane Daros nos deixa uma lição clara: processos altamente técnicos e metas rígidas não precisam anular um ambiente acolhedor, humano e ético. A F1 Cia. Imobiliária serve de inspiração para o mercado ao provar que a cultura colaborativa não é apenas um conceito abstrato, mas sim uma estratégia comercial mensurável capaz de gerar atração orgânica de talentos, retenção de equipes e lucratividade escalável a longo prazo.







