
A cidade de São Paulo registrou crescimento nas vendas imobiliárias em 2025, totalizando 67.752 transações entre janeiro e outubro, comparado ao mesmo período de 2024 (65.918).
O levantamento da Loft feito a pedido do jornal Estadão, baseado nos registros da Prefeitura, mostra que 822 das mais de 12 mil ruas da capital onde houve venda de imóveis no período analisado apresentaram preço médio superior a R$ 1 milhão.
Ruas mais caras concentram-se em bairros nobres
Frederic Chopin lidera ranking de preços
A Rua Frederic Chopin, nos Jardins, registrou o maior preço médio, atingindo R$ 42,8 milhões por imóvel. Na sequência aparecem a Rua Ibsen da Costa Manso (R$ 38,9 milhões) e a Rua Alemanha (R$ 21,6 milhões), também nos Jardins.
Completam o topo deste ranking a Rua Lopes Neto, no Itaim Bibi, com R$ 20,4 milhões, e a Avenida Magalhães de Castro, no Morumbi, apresentando com R$ 17,1 milhões.
Os bairros Jardins, Itaim Bibi, Morumbi, Paraíso, Pinheiros e Alto de Pinheiros concentraram ruas com preço médio acima de R$ 10 milhões em três ou mais transações.
A Rua Lopes Neto, no Itaim Bibi, destacou-se com 12 vendas e preço médio de R$ 20,4 milhões. Foi nesta rua que a incorporadora Lucio lançou o edifício Vizcaya, com apartamentos de 541 metros quadrados, quatro suítes e seis vagas de garagem.
O empreendimento tem preço médio do metro quadrado na faixa dos R$ 70 mil, totalizando R$ 40 milhões por apartamento. Segundo Firmino Lucio Junior, CEO da Lucio, o imóvel tem sido adquirido por compradores de fora de São Paulo ou do país.
Pirituba e Vila Olímpia lideram volume de transações
Segundo o levantamento, a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Pirituba, liderou em quantidade de vendas com 225 imóveis negociados. A Avenida Aparecida do Rio Negro, também em Pirituba, ficou em segundo lugar com 175 transações.
A Vila Olímpia aparece neste ranking com a Rua Casa do Ator e Rua Quatá, ambas registrando 163 vendas cada.
“Bairros como Pirituba, Santo Amaro e Vila Olímpia, que lideram em volume de negócios, são áreas distantes entre si, com perfis bem diferentes. Isso mostra uma pujança no setor neste ano”, afirma Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, ao Estadão.
Variação de preços dentro das mesmas vias
O levantamento revela ainda grande amplitude de preços mesmo dentro de uma única rua. Na Avenida Vila Ema, na Zona Leste, a média varia de R$ 370 mil na Vila Prudente até R$ 430 mil em São Lucas, passando por R$ 404 mil na Água Rasa e R$ 380 mil em Sapopemba.
A Avenida Angélica apresenta diferença ainda maior, com preço médio de R$ 512 mil nos Campos Elíseos e R$ 1,3 milhão em Higienópolis. Essa variação reflete tanto a valorização específica de cada micro-região quanto o perfil dos imóveis lançados.
Fatores de valorização e desenvolvimento regional
Pirituba atrai incorporadoras e compradores
Segundo Cyro Naufel, diretor de relações com investidores do Grupo Lopes, o desenvolvimento regional tem sido um forte motor de valorização para alguns bairros. Pirituba é um bom exemplo dessa tendência, atraindo incorporadoras com empreendimentos como o Tietê Plaza Shopping, além da proximidade com as rodovias Bandeirantes e Anhanguera.
Naufel observa que os valores em bairros nobres tendem a ser superiores aos registrados no Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). “Se forem apartamentos, eles só são registrados na hora da entrega das chaves”, explica. Ele destaca que imóveis na planta são registrados anos após a compra, quando os preços já subiram.
Mercado de lançamentos bate recorde
Imóveis econômicos dominam oferta
São Paulo atingiu recorde de mais de 150 mil apartamentos lançados até outubro de 2025, com 60% sendo imóveis econômicos (até R$ 500 mil) enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida.
Os apartamentos econômicos saltaram de 70,6 mil em 2024 para 93,5 mil em 2025, enquanto as vendas cresceram de 58,5 mil para 78,1 mil.
Segundo a consultoria Brain, o preço médio do metro quadrado de apartamentos na capital paulista é de R$ 15,8 mil. O índice FipeZap registra R$ 11,9 mil para imóveis usados, evidenciando a diferença entre lançamentos e mercado secundário.
*Com informações de Estadão

