Veja o resumo da noticia
- Reajuste nos limites de renda do Minha Casa, Minha Vida pode trazer benefícios para a construtora Tenda, com foco na faixa 1 do programa.
- A Tenda registrou um aumento de 27% nas vendas brutas nos dois primeiros meses de 2026, atingindo R$ 1 bilhão em vendas.
- A empresa projeta lucro líquido consolidado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões para 2026, representando um crescimento.
- Subsidiária Alea, de casas pré-fabricadas, teve prejuízo e adiou o breakeven para 2027; foco nas faixas 1, 2 e 3 do programa.
- Tenda monitora custos trabalhistas e possível mudança no regime 6X1, mas prevê impacto limitado devido à sua industrialização.

A construtora Tenda avalia que o reajuste proposto pelo governo federal para os limites de renda do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) pode gerar benefícios relevantes para a companhia. A estimativa foi apresentada pelo diretor financeiro (CFO), Luiz Garcia, em entrevista à Bloomberg Línea.
No início de março, o Ministério das Cidades propôs elevar o limite de renda familiar em todas as faixas do programa, além de aumentar o teto de preços dos imóveis das faixas 3 e 4. As mudanças ainda dependem de aprovação do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em reunião no dia 24 de março.
Ajuste na faixa 1 do Minha Casa Minha Vida
Segundo Garcia, o principal impacto para a Tenda pode ocorrer na faixa 1 do programa, que concentra cerca de metade da base de clientes da companhia.
A proposta prevê aumento do limite de renda dessa faixa de R$ 2.850 para R$ 3.200. “A renda mediana do nosso cliente é de R$ 3.000, então estimamos que poderemos capturar os benefícios desse movimento de forma expressiva”, afirmou o executivo.
A empresa registrou crescimento nas vendas no início de 2026. Nos dois primeiros meses do ano, a Tenda alcançou R$ 1 bilhão em vendas brutas, alta de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Resultados e projeções da construtora
Para 2026, a companhia projeta lucro líquido consolidado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, excluindo o resultado de swap de dívida. O intervalo representa crescimento entre 35% e 62%.
No quarto trimestre de 2025, a Tenda registrou lucro líquido de R$ 104,6 milhões, avanço de 390,9% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pela divisão de incorporação vertical.
A subsidiária Alea, voltada à produção de casas pré-fabricadas, registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no trimestre e de R$ 130,4 milhões em 2025. O breakeven – ponto de equilíbrio das contas – foi adiado para 2027.
Estratégia de portfólio e custos de mão de obra
A faixa 1 representa metade das vendas da Tenda no programa. Atualmente, 34% das unidades estão na faixa 2 e 15% na faixa 3. A expectativa da companhia é elevar a participação da faixa 3 para entre 20% e 25% do portfólio até o fim de 2026.
A empresa não pretende atuar na faixa 4 do programa. Segundo Garcia, o segmento exige projetos arquitetônicos mais complexos e maior uso de mão de obra.
“A faixa 4 frequentemente exige projetos arquitetônicos mais elaborados e uma engenharia mais flexível, o que demanda mais mão de obra. Não queremos seguir esse caminho”, disse ao site.
O executivo também afirmou que a empresa monitora o avanço dos custos trabalhistas no setor e a possível mudança no regime de trabalho 6X1 em discussão no Congresso Nacional. Segundo ele, o impacto tende a ser limitado devido ao modelo industrializado da construtora.
“Já estamos bem posicionados para enfrentar esse cenário. O componente de mão de obra da Tenda está cerca de 10 pontos percentuais abaixo da média do segmento econômico”, afirmou.
*Com informações de Bloomberg Línea







