Vacância de escritórios em São Paulo
Imagem: Pedro Truffi/iStock

São Paulo registrou baixa adição de área corporativa em 2025. Construtoras optaram por postergar conclusão de edifícios planejados para o período, resultando em oferta de aproximadamente 130 mil metros quadrados. O volume é 46% inferior às projeções iniciais, de acordo com levantamento da Newmark Brasil.

Segundo Mariana Hanania, head de pesquisa da Newmark Brasil, esse cenário impulsionou a redução da taxa de vacância paulistana. Dados mostram declínio de 20,8% ao final de 2024 para 15,9% em dezembro. O retorno mais intenso ao regime presencial também influenciou os números.

A CBRE (Coldwell Banker Richard Ellis) apresenta um cálculo parecido, identificando 16,7% de vacância geral e 11,5% em edifícios AAA (padrão mais elevado) em São Paulo.

Previsão de 300 mil m² para 2026 com pré-locação

O diretor de locação da CBRE, Felipe Giuliano, projeta a disponibilização de 300 mil metros quadrados em 2026, o dobro do volume de 2025. “Mas um terço já vai entrar pré-locado”, destacou em entrevista ao Valor Econômico. Isso vai diminuir a oferta de espaço livre, com menos possibilidade de vacância.

Mesmo assim, o setor mantém cautela. “O mercado está maduro, os proprietários estão muito menos especulativos. Se tem demanda, entrego, mas se vejo que está andando de lado, espero um pouco”, afirma Christofer Mariano, diretor da RealtyCorp.

Entre os principais lançamentos programados para este ano estão Alto das Nações (Chácara Santo Antônio), EstherTowers (Santo Amaro), Biosquare (Pinheiros) e Cyrela Corporate.

Alto padrão puxa retomada

De acordo com Mariano, os maiores movimentos de retomada acontecem em prédios de altíssimo padrão. A tendência tem estimulado mais reformas de prédios antigos, os retrofits. “Esses prédios que ficaram para trás estão tentando acompanhar o mercado”, avalia.

A Avenida Paulista, por exemplo, passa por um processo de transformação e maior interesse para ocupação corporativa. A vacância na região é de apenas 5,8% em edifícios AAA, segundo a CBRE.

Já os imóveis de categorias B e C enfrentam cenário adverso, registrando absorção negativa devido ao predomínio de devoluções sobre novas locações, aponta a RealtyCorp.

Os escritórios correspondem hoje a 17% dos investimentos imobiliários, atrás de logística e shoppings, mas já representaram 50%, segundo Edson Ferrari, vice-presidente da CBRE.

A redução da vacância e valorização dos aluguéis podem indicar retomada parcial desse interesse. “Não é mais pecado falar em investir em escritórios”, afirma. O desafio, no entanto, é expandir investimentos para outras capitais.

Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), por exemplo, apresentam baixa vacância em edifícios premium sem atrair novos projetos. “As principais capitais hoje já estão com uma vacância de 15% ou menos, então as grandes empresas têm dificuldade para achar imóveis para ocupar”, destaca Felipe Giuliano, da CBRE.

Rio apresenta melhora com absorção de 82 mil m²

O mercado carioca manteve a vacância de escritórios em 25,6%, porém registrou absorção positiva de 82 mil metros quadrados em 2025. Segundo a CBRE, houve um crescimento de 204% ante 2024.

Conversões de uso também reduziram a oferta paulistana. Giuliano contabiliza nove transformações em 2025: quatro para residencial, duas para hotelaria, além de adaptações para self-storage, multifamily e hospitalar.

*Com informações de Valor Econômico

Marcela Guimaraes
Marcela Guimarães

editora/redatora

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)