Vista aérea de São Paulo; veja dados sobre o humor dos consumidores do mercado imobiliário
Confira dados da pesquisa da Loft/Offerwise sobre o mercado imobiliário - Spectral-Design / iStock

Atualizado com dados da Onda 6 (17/04 a 08/05/2026). Este conteúdo é revisado a cada nova rodada da pesquisa. A Onda 6 mostra um contraste: a confiança no mercado imobiliário bate recorde, mas a jornada de compra segue difícil para a maioria dos consumidores.

O cenário econômico brasileiro segue marcado por incerteza — a expectativa de inflação e o pessimismo com a economia continuam pressionando o humor do consumidor. Mesmo nesse contexto, o mercado imobiliário caminha por um caminho próprio, com sinais de confiança em alta que convivem com dificuldades concretas na hora de fechar negócio. É esse contraste que a pesquisa Índice de Confiança do Mercado Imobiliário, realizada pela Loft em parceria com a Offerwise, ajuda a explicar.

Confiança no mercado imobiliário bate recorde

O índice de confiança do mercado imobiliário — que mede o equilíbrio entre oferta e demanda por imóveis — atingiu na Onda 6 o maior patamar desde a Onda 3, quando a metodologia atual passou a ser aplicada de forma consolidada. O indicador aponta para mais demanda do que oferta disponível no mercado.

  • 22% dos entrevistados são proprietários de imóveis, e 16% têm imóveis disponíveis para locação ou venda
  • 21% pretendem comprar ou alugar um imóvel nos próximos meses
  • Desse grupo, 4% vão mudar para um imóvel alugado e 3% querem comprar um imóvel residencial ou comercial

O índice varia numa escala de -7 (baixa demanda, alta oferta) a +7 (alta demanda, baixa oferta). Na Onda 6, o resultado consolidado ficou em 5 pontos, empatando com a Onda 3 como o maior valor da série.

Mas a jornada de compra segue travada

O otimismo com o mercado não se traduz automaticamente em uma jornada mais fácil para quem está comprando. Entre quem está no processo de aquisição de um imóvel:

  • 93% relatam alguma dificuldade no processo de compra
  • 31% já desistiram de comprar um imóvel em algum momento

Os principais obstáculos apontados têm um denominador comum: o bolso do consumidor.

Fator de dificuldade % que cita
Dívidas ou compromissos financeiros24%
Preços dos imóveis muito altos em relação ao orçamento24%
Dificuldade em juntar o valor da entrada22%
Taxa de juros alta no financiamento imobiliário22%
Renda insuficiente para ser aprovado no financiamento21%

Entre quem já desistiu de uma compra, os motivos seguem a mesma linha: juros do financiamento muito altos (21%) e parcelas mais altas do que o esperado (14%) lideram as respostas.

O gap entre o que compradores e vendedores esperam bate recorde

Uma das explicações para essa dificuldade aparece na comparação entre o valor que vendedores pedem e o valor que compradores estão dispostos a pagar. Na Onda 6, esse descompasso chegou ao maior patamar desde o início do estudo, especialmente na faixa de imóveis de até R$ 350 mil:

  • Vendedores que pedem até R$ 350 mil: 34%
  • Compradores que buscam imóveis nessa faixa: 49%
  • Diferença (gap): 15 pontos percentuais — o maior da série histórica

A faixa entre R$ 801 mil e R$ 2 milhões também chamou atenção: o gap avançou 9 p.p. em relação à onda anterior, igualmente o maior patamar já registrado nessa faixa.

“O cruzamento de dados mostra que a confiança no setor não elimina o atrito da negociação. Vendedores ainda não ajustaram totalmente a expectativa de preço à realidade do crédito mais caro, e é esse descompasso que explica boa parte das desistências”, afirma Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.

Quem compra e por que compra

Entre quem pretende comprar um imóvel, a esmagadora maioria busca moradia, não investimento:

  • 70% pretendem comprar para fins de moradia (74% no consolidado das 6 ondas)
  • 54% estão comprando o primeiro imóvel
  • Valor médio que o comprador de moradia gostaria de pagar (consolidado das 6 ondas): R$ 559.882,94

No consolidado das seis ondas, os dois principais motivadores de compra são deixar de pagar aluguel (39%) e construir patrimônio (34%). Mas vale um destaque específico da Onda 6: pela primeira vez na série, os dois motivos aparecem tecnicamente empatados, com 32% cada — sinal de que o peso financeiro do aluguel e o desejo de acumular patrimônio estão pesando de forma parecida na decisão de compra. Já entre quem compra como investimento (26% do total), o objetivo é diversificar ativos e buscar segurança financeira.

Como o consumidor pesquisa hoje

Sites e aplicativos de imobiliárias seguem como o principal canal de pesquisa, usados por mais da metade dos compradores (56% no consolidado das 6 ondas).

As redes sociais têm um papel específico nessa jornada: funcionam mais como vitrine do que como canal de negociação. O comprador médio usa cerca de três redes sociais diferentes para pesquisar imóveis — Instagram (69%) e Facebook (64%) lideram —, mas a confiança para negociar por esses canais é baixa: apenas 32% se sentem confortáveis em iniciar uma negociação por rede social, contra 41% que relatam desconforto.

Locação: a mesma cautela, do outro lado do balcão

O movimento de conter gastos também aparece entre quem aluga. A parcela de inquilinos que espera pagar menos do que paga hoje vem crescendo desde a Onda 4 e chegou a 49% na Onda 6 — um salto de 9 p.p. em relação à onda anterior —, enquanto quem aceitaria pagar o mesmo valor caiu para 18%.

Esse movimento também ampliou o gap entre o que locadores pedem e o que locatários topam pagar, especialmente na faixa entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais, onde a diferença chegou a 23 p.p.

Ficha técnica

Pesquisa quantitativa online, realizada pela Offerwise por meio de questionário estruturado, encomendada pela Loft. Onda 6: 1.403 respondentes (300 casos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre; 100 casos em Brasília e Goiânia), coletados entre 17/04/2026 e 08/05/2026. Público: homens e mulheres, 18 anos ou mais, classes sociais A, B, C e D-E. Dados sobre Brasília e Goiânia têm base amostral menor e exigem cautela na leitura.

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.