mercado imobiliário em 2026
Imagem: cherdchai chawienghong/iStock

O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com forte aquecimento tanto no aluguel quanto na compra e venda. A cobertura da imprensa dos últimos dias sobre os resultados de 2025 e perspectivas do setor para este ano mostra sinais de um novo ciclo de crescimento, capaz de impulsionar um processo de reconstrução de confiança, previsibilidade e tomada de decisão — especialmente relevante para quem atua diretamente com locação e intermediação imobiliária.

A queda da inadimplência do aluguel é um dos sinais mais relevantes desse novo momento. Dados divulgados pelo site Times Brasil, com base no Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), elaborado pela Superlógica, mostram que o indicador atingiu o menor nível em sete meses. Mais do que o patamar isolado, o que merece atenção é a trajetória: depois de um primeiro semestre extremamente duro, a inadimplência passa a recuar de forma consistente, mês após mês.

As imobiliárias têm aqui uma oportunidade concreta de capturar valor. No meu entendimento, esse avanço não virá do relaxamento de critérios de aprovação ou de uma gestão menos rigorosa da carteira. Pelo contrário. O momento favorece quem é mais eficiente para o cliente: escolher melhor o inquilino, estruturar processos, operar com dados e trabalhar com garantias claras. É isso que transforma a percepção de risco do proprietário em confiança real e permite acelerar o mercado de forma saudável.

Do lado da compra e venda, o recorde de lançamentos reforça a leitura de que o setor voltou a ganhar tração. Reportagem da Folha de S.Paulo, com base em dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostra que o volume de novos empreendimentos atingiu um patamar histórico em 2025, impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

O MCMV cumpre um papel central nesse cenário. O programa não apenas sustenta o volume de lançamentos, como também funciona como um amortecedor em um ambiente ainda desafiador de crédito. Mesmo com juros elevados, ele mantém o mercado em movimento e evita uma desaceleração mais profunda.

As vendas avançam em ritmo mais moderado do que os lançamentos, e não vejo isso como um problema estrutural. Trata-se de um processo natural de acomodação após um período de forte aceleração da oferta. A tendência é que as vendas ganhem tração à medida que o cenário de juros evolua de forma mais favorável ao longo de 2026.

Para as imobiliárias, o recado é claro. Onde o Minha Casa, Minha Vida é mais presente, haverá espaço para crescimento consistente, desde que exista estrutura, times preparados e foco operacional. Já no médio e alto padrão, o momento exige leitura de ciclo, disciplina comercial e capacidade de atravessar o ajuste atual para capturar a próxima fase de retomada.

A combinação entre inadimplência em queda e expansão dos lançamentos reforça a convicção de que o mercado imobiliário entra em 2026 em um patamar melhor do que o observado ao longo do ano passado.

Não é apenas um alívio conjuntural, mas a construção de um novo ciclo, no qual quem operar com inteligência, dados e processos sólidos tende a capturar mais resultado.