Imagem: nathaphat/iStock
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Segundo a pesquisa Raio-X FipeZAP (3º tri/2025), cerca de duas em cada três transações fecharam com algum abatimento (68%). Na média geral das vendas, o corte foi de 8%. Quando houve negociação, a média ficou próxima de 11%. Reportagens do JC – Metro Quadrado e da IstoÉ Dinheiro repercutiram esses resultados e o padrão de negociação observado. A pergunta não é se haverá desconto, mas quanto você vai conquistar.

A régua de hoje

  • 8% — média geral apontada pelo Raio-X FipeZAP
  • ~11% — média quando a operação teve desconto, também segundo o FipeZAP
  • Faixas usuais — 8% a 12%, em linha com o que profissionais do setor relatam

Mas de onde vem nossa cultura de pedir e conceder descontos?

Cultura da barganha: entenda o jogo

Esse comportamento é explicado por um traço cultural brasileiro: pedir desconto faz parte do jogo. Se um imóvel é anunciado por 1,3 milhão de reais, a primeira oferta tende a vir abaixo — por exemplo, 1,25 milhão — e o fechamento costuma acontecer no meio do caminho, algo como 1,28 a 1,30 milhão. Postura totalmente rígida soa estranha ao comprador. Por isso, muitos vendedores anunciam com pequena folga acima do valor-alvo para acomodar a negociação. Quem conhece essa dinâmica sai na frente.

Lançamento e usado — o essencial

Lançamentos

Incorporadoras trabalham com margens e políticas claras. A flexibilidade aparece mais em concessões, como custeio de ITBI e registro, itens de acabamento e condições de pagamento, do que em cortes profundos de tabela.

Imóvel usado

Negociação caso a caso. Urgência do vendedor, tempo de anúncio e comparáveis no bairro pesam. Unidades há mais de 90 dias no ar, diante de concorrência direta na região, tendem a aceitar reduções acima da média.

Como levar vantagem na mesa de negociação

  • Traga evidências de preço, com amostras de metro quadrado realmente comparáveis e histórico de exposição
  • Mostre capacidade de fechar, com aprovação de crédito ou prova de recursos — credibilidade gera flexibilidade
  • Calibre o pedido dentro da faixa de 8% a 12%, e só avance além disso com lastro objetivo
  • Evite pedidos fora da curva sem justificativa, pois costumam fechar portas

Observação sobre a metodologia utilizada

Os percentuais citados derivam da pesquisa Raio-X FipeZAP (3º trimestre de 2025), que trabalha com dados de transações declaradas e percepção de mercado. Servem bem como bússola de negociação e leitura de tendência, mas não substituem o valor efetivo de escritura. Na minha percepção pessoal, o número é até modesto. Eu diria que algo próximo de 90% das pessoas que negociam imóvel pede e consegue algum tipo de desconto, ainda que pequeno.

Para fechar

Desconto no Brasil não é modismo, é prática consolidada. A diferença entre pagar o preço de tabela ou economizar milhares de reais está em ler o contexto e negociar com método. Agora você tem os dados e a estratégia. E você, está pronto para negociar seu próximo imóvel com confiança?