
O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com sinais claros de fortalecimento. Os dados mais recentes confirmam que o setor atravessou 2025 mantendo um desempenho consistente, com valorização real dos imóveis e um mercado de locação aquecido, criando uma base mais sólida para o ciclo que se desenha à frente.
Segundo o Índice FipeZap, os preços dos imóveis residenciais subiram 6,5% em 2025, a segunda maior alta anual dos últimos 11 anos. O movimento representou crescimento acima da inflação no período, consolidando mais um ano de valorização real do ativo imobiliário no Brasil. Em termos práticos, o imóvel voltou a cumprir seu papel clássico de proteção patrimonial, com desempenho superior ao índice geral de preços.
Esse comportamento não foi homogêneo entre as regiões, mas reforça uma tendência estrutural: a combinação de oferta ainda limitada em determinadas praças, demanda resiliente e reorganização do crédito sustentou os preços, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados ao longo de parte do ano.
Ao olhar para 2026, o cenário se mostra ainda mais construtivo, especialmente para o mercado de vendas. Três fatores se destacam como determinantes para um ano positivo.
O primeiro é a expectativa de queda da taxa Selic, que deve aliviar de forma direta o custo do financiamento imobiliário. De acordo com análises de mercado, uma redução entre 2 e 3 pontos percentuais nas taxas finais ao consumidor já seria suficiente para ampliar significativamente a capacidade de compra das famílias, especialmente na classe média.
O segundo fator é o reforço no funding para crédito habitacional. A ampliação dos recursos do FGTS e ajustes no Sistema Financeiro da Habitação indicam maior disponibilidade de crédito em 2026. Estimativas apontam para a possibilidade de entrada de dezenas de bilhões de reais adicionais no financiamento imobiliário, criando um ambiente mais favorável para o aumento do volume de transações.
O terceiro elemento relevante é o Minha Casa, Minha Vida operando ao longo de todo o ano com a quarta faixa. Essa mudança amplia o público elegível ao programa, reduz taxas e coloca um contingente maior de compradores no mercado formal de crédito, com impacto direto na dinâmica de vendas, especialmente nos segmentos de entrada e médio padrão.
Esse conjunto de fatores aponta para um ano positivo em volume de negócios. Não necessariamente um ciclo de forte aceleração de preços — pode haver uma acomodação no ritmo de valorização após dois anos de altas relevantes —, mas os fundamentos não indicam reversão. A tendência é de continuidade do crescimento real, ainda acima da inflação, embora de forma mais equilibrada.
No mercado de locação, o cenário permanece igualmente favorável. A demanda segue elevada, impulsionada por fatores demográficos, mobilidade urbana, mudanças no perfil das famílias e pelo próprio comportamento do crédito. O aluguel continua sendo uma alternativa estratégica, tanto para quem posterga a compra quanto para investidores em busca de renda recorrente.
Em síntese, 2026 começa com mais crédito disponível, taxas de financiamento mais atrativas, políticas habitacionais ampliadas e um mercado de locação estruturalmente aquecido.
Esse conjunto de fatores cria um ambiente favorável para o mercado imobiliário ao longo do ano, tanto no segmento de vendas quanto no de alocação, reforçando a leitura de que o setor entra em um novo ciclo, mais sustentado e menos dependente de movimentos pontuais de preço.

