Veja o resumo da noticia

  • Aumento das taxas de condomínio no Brasil desde 2022 supera índices de inflação como IPCA e IGP-M, impactando o orçamento familiar.
  • Inadimplência condominial crescente, influenciada pela alta da Selic, pressiona ainda mais o orçamento dos condomínios.
  • Custos com mão de obra, especialmente vigilância e segurança, são apontados como o principal fator do encarecimento.
  • Ampliação de serviços e áreas de lazer em condomínios também contribui para o aumento das despesas e da taxa condominial.
  • Crescente procura por casas de rua reflete a busca por alternativas aos altos custos e convívio em condomínios.
  • Portaria remota surge como solução para reduzir custos operacionais em condomínios, com potencial de economia significativa.
lançamentos e vendas de apartamentos
Imagem: cherdchai chawienghong/iStock

A taxa de condomínio no Brasil subiu 25% desde 2022, um crescimento anual superior a 6%, superando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). No período, a inflação oficial ficou em 19%. A previsão da uCondo para 2025 é de novo reajuste de 6% – o IPCA encerrou o ano em 4,26% e o IGP-M recuou 1,05%.

O valor médio nacional do condomínio passou de R$ 413 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516 no mesmo período de 2025, alta de R$ 103. Um dos fatores para o aumento é a alta da inadimplência, que atingiu 11,82% no terceiro trimestre de 2025, considerando atrasos superiores a 30 dias.

Inadimplência pressiona orçamento

Segundo Léo Mack, cofundador e COO (Chief Operating Officer) da uCondo, disse ao Estadão, o aumento da inadimplência está ligado à Selic elevada, que encarece o crédito e pressiona a renda familiar.

O fenômeno, de acordo com o executivo, está espalhado, com pessoas em condomínios classe A migrando para classe B e assim por diante.

Mack destaca que a inadimplência condominial, um gasto básico com habitação, demonstra comprometimento preocupante da renda brasileira. “Quando a inadimplência chega à taxa condominial, é porque há um problema financeiro familiar”, diz, destacando que o próximo item a ser cortado é a alimentação.

Mão de obra lidera custos condominiais

Marcello Romero, CEO (Chief Executive Officer) da Bossa Nova Sotheby’s International Realty, aponta que o principal fator de encarecimento é o custo de mão de obra. “Basicamente, o aumento da taxa ocorre por causa do aumento no custo da mão de obra. Uma das maiores rubricas, se não a maior, é a do custo com vigilância e segurança”, afirma.

Ele também destaca que os valores têm aumentado com a ampliação da oferta de serviços em áreas comuns, como quadras esportivas, academia e espaço pet, entre outros.

Diante desse cenário, o executivo observa retomada na procura por casas. As vendas de casas na imobiliária passaram de 20% para 30% do total no ano passado. “Uma parte dessas pessoas está tomando a decisão de ir para uma casa de rua, porque estão cansadas primeiro do convívio dentro do condomínio, mas também pela questão dos custos de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e condomínio”, diz.

Carlos Honorato, professor de economia na FIA Business School, destaca que as taxas partem de piso alto. “O condomínio acaba sendo pior do que uma prestação, porque, mesmo que dure 30 anos, você sabe que o financiamento vai acabar. O condomínio é eterno”, afirma. Por isso, o valor do condomínio deve ser levado em consideração na hora da compra do imóvel.

Como o custo maior é com a mão de obra, uma das maneiras de reduzir a taxa de condomínio é adotar o serviço de portaria remota. A Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança) afirma que o sistema já é utilizado por mais de 14 mil condomínios e pode reduzir custos operacionais em até 60%.

*Com informações do Estadão