Veja o resumo da notícia

  • Incorporadoras de média e alta renda registraram queda de 2,3% nos lançamentos e 5,1% nas vendas no segundo trimestre.
  • O indicador de venda sobre oferta (VSO) perdeu força, e o estoque de imóveis aumentou entre 17% e 22% nas empresas analisadas.
  • Juros altos, eleições e sobreoferta levam compradores a adiar a aquisição de imóveis, impactando o setor.
  • O segmento popular Minha Casa, Minha Vida também desacelerou, com lançamentos estáveis e vendas em ritmo mais moderado.
  • A política de preços defensivos e a incerteza sobre o custo de materiais contribuíram para a queda do VSO no MCMV.
  • Empresas maiores e com melhor acesso a financiamento tendem a ter mais fôlego no ciclo atual do mercado imobiliário.
incorporadoras no segundo trimestre
JONGHO SHIN/iStock

As incorporadoras de média e alta renda tiveram um segundo trimestre mais fraco do que o mercado projetava. Levantamento do Valor com nove companhias listadas que divulgaram prévias operacionais mostra queda de 2,3% no valor dos lançamentos e de 5,1% nas vendas, sempre em comparação com o segundo trimestre de 2025.

O indicador de venda sobre oferta (VSO), que mede a velocidade de comercialização das unidades lançadas e em estoque, também perdeu força. Das oito empresas que divulgaram o dado, sete registraram queda e uma ficou estável. Ao mesmo tempo, o estoque de imóveis aumentou entre 17% e 22% nas quatro companhias que apresentaram esse indicador.

Comprador adia decisão em ambiente de incerteza

Para Ygor Altero, analista-chefe do setor imobiliário da XP, o resultado veio pior do que o esperado em um cenário que já era considerado difícil. A combinação de juros altos, proximidade das eleições e sobreoferta no médio e alto padrão tem levado compradores a postergar a aquisição do imóvel.

Nesse contexto, reduzir lançamentos faz sentido para preservar caixa e evitar acúmulo adicional de estoque. A Cyrela foi vista como exceção positiva por manter vendas saudáveis, ainda que com VSO em desaceleração. Já Even, Helbor e Mitre ilustram a postura mais defensiva de parte do setor, com ausência ou redução de lançamentos em alguns períodos de 2026.

MCMV cresce menos após ciclo forte

O segmento popular também mostrou menor velocidade. Entre as incorporadoras dedicadas ao Minha Casa, Minha Vida, os lançamentos ficaram praticamente estáveis, com queda de 1% no trimestre e alta de 0,7% no semestre. As vendas ainda avançaram, mas em ritmo mais moderado: 3,4% no segundo trimestre e 7,8% no acumulado de seis meses.

Segundo Altero, a desaceleração reflete a forte expansão recente das empresas do segmento. Depois de anos de crescimento acelerado, a prioridade passa a ser executar obras, controlar custos e cumprir cronogramas, especialmente em um mercado com falta de mão de obra.

Preços defensivos pesam na velocidade

A queda de VSO no MCMV também tem relação com a política de preços. Incorporadoras elevaram valores de forma defensiva diante do risco de aumento no custo de materiais, associado aos efeitos indiretos da guerra no Irã e à volatilidade do petróleo. A inflação de insumos não avançou tanto quanto se temia, mas a incerteza voltou a pesar nas últimas semanas.

Para o setor, o segundo trimestre reforça uma leitura de maior seletividade. Empresas maiores e com melhor acesso a financiamento tendem a atravessar o ciclo com mais fôlego. Já companhias menores ou mais expostas à classe média enfrentam uma equação mais apertada entre juros, estoque, margem e velocidade de venda.

*Com informações de Valor

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.