Veja o resumo da noticia

  • Cbic projeta crescimento de 10% nas vendas imobiliárias em 2026, após restrições de crédito habitacional devido à alta taxa de juros.
  • Financiamentos imobiliários têm queda de 17% em 2025, impactados pela Selic a 15%, afetando principalmente o segmento de médio e alto padrão.
  • Governo federal libera compulsório da poupança e injeta R$ 35 bilhões no SBPE, elevando teto de financiamento pelo SFH.
  • Criação da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida facilita financiamento para famílias com renda entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil.
Mercado imobiliário 2026
dabldy/iStock

O mercado imobiliário brasileiro projeta crescimento de 10% nas vendas em 2026, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), após um ano de juros elevados que limitaram o acesso ao crédito habitacional.

“A expectativa é crescer nas vendas de imóveis [no volume de unidades]. Temos capacidade de crescer 10% em 2026, apesar da taxa de juros alta, porque a demanda continua crescendo, e as pessoas, comprando imóveis”, afirmou Renato Correia, presidente da Cbic, à Folha.

Financiamentos caem 17% em 2025

O alto patamar da Selic, hoje em 15% ao ano, é um dos principais desafios do setor. Os financiamentos imobiliários somaram R$ 140 bilhões de janeiro a novembro de 2025, uma queda de 17,1% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O segmento de médio e alto padrão foi o mais afetado. Enquanto o Minha Casa, Minha Vida, para famílias de menor renda, deve bater recorde de 600 mil unidades vendidas, os contratos com recursos da poupança caíram mais de 20% em 2025.

Um estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostra que a alta dos juros excluiu 800 mil famílias do acesso ao crédito para imóveis de R$ 500 mil nos últimos cinco anos.

Novas regras injetam R$ 35 bilhões no crédito

O governo federal liberou 5% do compulsório da poupança em 2026, injetando R$ 35 bilhões adicionais no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

O teto do valor imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, após sete anos sem correção. A mudança amplia o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a entrada, a amortização ou a quitação.

Outro fator positivo para essa fatia de mercado é a criação da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, que une uso do FGTS, prazos mais longos de financiamento e taxas inferiores às do mercado. A nova faixa permite a famílias com renda de R$ 8,6 mil e R$ 12 mil financiar imóveis novos ou usados de até R$ 500 mil.

As melhores condições podem destravar a demanda reprimida. Segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, a intenção de compra do segmento de médio e alto padrão chega a 48%.

*Com informações da Folha de S. Paulo