Veja o resumo da noticia

  • Porto Alegre busca reverter a perda populacional com um novo Plano Diretor, visando atrair e reter habitantes para impulsionar a economia local.
  • A prefeitura foca em atrair trabalhadores remotos, oferecendo qualidade de vida e investindo em infraestrutura em bairros já consolidados.
  • O plano propõe aumentar o potencial construtivo em áreas estratégicas, permitindo prédios mais altos e incentivando a revitalização urbana.
  • Críticas apontam para o grande número de imóveis vazios e questionam a necessidade de novas construções, além da limitada participação popular.
Plano Diretor de Porto Alegre
diegograndi/iStock

Porto Alegre está prestes a votar um novo Plano Diretor com objetivo incomum: aumentar a população da cidade. A capital gaúcha, marcada por uma grave enchente em 2024, foi a quarta que mais perdeu habitantes segundo o Censo de 2022.

A Prefeitura preparou um plano que busca criar condições para atrair migrantes ou reter quem pensa em sair. A perda populacional esfria a economia local e desestimula a construção civil, setor responsável por metade da arrecadação municipal.

Estratégia para reverter perda populacional

“Se nós resolvermos os desafios urbanos, vamos reter e atrair talentos, porque são as pessoas que geram riqueza para a cidade”, disse Germano Bremm, secretário de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade.

O Rio Grande do Sul foi o sexto estado que mais enviou pessoas para outros estados no último Censo. Porto Alegre também registrou uma das maiores quedas na taxa de natalidade entre as capitais.

A Prefeitura mira pessoas que podem escolher onde morar graças ao trabalho remoto pós-pandemia, priorizando qualidade de vida, similar ao movimento no litoral catarinense.

Adensamento em bairros consolidados

O principal objetivo é gerar adensamento em bairros com boa infraestrutura pública, como Centro, Menino Deus, Bom Fim, Rio Branco, Bela Vista e Petrópolis.

No plano vigente, o potencial construtivo chega a 3x. A nova proposta prevê áreas onde o limite subirá de 1,6x para 6,5x e de 1,9x para 7,5x.

A altura permitida, hoje de 52 metros, subirá para 60m na maioria dos terrenos e 130m no Quarto Distrito, antiga área industrial que será revitalizada com inspiração no Distrito 22@ de Barcelona.

O plano inclui incentivos à habitação no Centro, projetos de moradia acessível e fachadas ativas. A cidade possui cerca de 700 praças, 12 parques e orlas que serão melhoradas.

Críticas ao modelo proposto

“Adensar bairros não é uma ideia equivocada, mas se a cidade está diminuindo população e há mais de 100 mil imóveis vazios, qual o sentido de estimular novos prédios?”, questionou Mario Lahorgue, coordenador do núcleo Porto Alegre do Observatório das Metrópoles ao site Metro Quadrado.

Lahorgue critica ainda a participação popular limitada, com poucas reuniões, que serviram mais para apresentar o plano do que discuti-lo.

O secretário argumenta que restringir construções encarece terrenos disponíveis, contrariando a oferta de moradia acessível em locais com infraestrutura e transporte público.

A expectativa é que a Câmara dos Vereadores vote o Plano nas próximas semanas.

*Com informações do Metro Quadrado