Veja o resumo da notícia

  • Crescente atração de construtoras e proprietários por retrofits no Centro de São Paulo.
  • Incentivos fiscais e subvenções impulsionam a viabilidade econômica dos projetos de retrofit.
  • A sustentabilidade dos retrofits depende diretamente da rentabilidade e retorno competitivo.
  • Discussão sobre o destino final das unidades reformadas e seu impacto na habitação social.
  • Necessidade de critérios claros para ocupação e preço para ampliar o estoque acessível.
retrofit no Centro de São Paulo
Jean Suplicy/iStock

Os projetos de retrofit no Centro de São Paulo deixaram de ser uma tese restrita a operadores especializados e começam a atrair construtoras tradicionais, síndicos e proprietários de edifícios subutilizados. Levantamento da DataLello noticiado pelo Valor identificou 774 prédios na região do Requalifica Centro com potencial para receber incentivos. Até março, segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, 49 edifícios haviam sido selecionados como possíveis beneficiários, sinal de que a agenda ainda está no início.

Subvenção ajuda a fechar a conta

Dois mecanismos explicam a tração recente do mercado imobiliário no Centro da capital paulista: o Requalifica Centro, com isenção de impostos e taxas, e a subvenção de reformas, que pode pagar até 25% do custo da obra.

Para desenvolvedores, esses incentivos reduzem a diferença de retorno entre o retrofit e uma nova incorporação. A Ilion aprovou o Anhumas, com 94 unidades e benefício de 18,75%, equivalente a R$ 1,44 milhão. A Somaúma recebeu 11% de subvenção no edifício Virgínia, com R$ 2,37 milhões já pagos.

Sustentabilidade não basta sem rentabilidade

A tese do retrofit combina menor consumo de materiais, redução de impacto ambiental, prazo de obra potencialmente mais curto e reativação de edifícios abandonados ou subaproveitados. Ainda assim, os executivos do setor enfatizam que a camada ESG só se sustenta se a rentabilidade for competitiva. Executivos da Somaúma e da Ilion avaliam que sustentabilidade ajuda, mas só destrava capital quando há retorno competitivo, liquidez e transparência de preços.

Uso dos imóveis será o ponto sensível

O avanço do retrofit também abre debate sobre o destino final das unidades. Urbanistas ouvidos pelo jornal alertam para o risco de projetos incentivados com recursos públicos entregarem pouca habitação social ou migrarem para locação de temporada, reduzindo o impacto sobre moradia permanente no Centro.

Requalificar prédios vazios ajuda a usar infraestrutura existente e aproximar moradia de emprego e transporte. Sem critérios de ocupação, preço e permanência, o incentivo pode valorizar ativos sem ampliar o estoque acessível.

*Com informações de Valor Econômico

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.