Veja o resumo da noticia

  • Redução nas vendas de imóveis de alto padrão em São Paulo é identificada através de dados sobre o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis.
  • Desaceleração do mercado de luxo se intensifica, com taxas de crescimento menores em comparação com anos anteriores.
  • Cenário de juros altos e expectativa de queda da Selic influenciam a decisão de compra no setor imobiliário.
  • Restrições de crédito para a média renda impulsionaram o mercado de alto padrão como alternativa.
  • Aumento no tempo de fechamento das vendas e exigência de descontos maiores são observados no segmento.
  • Preocupação com o volume de lançamentos e a velocidade de vendas sobre ofertas no mercado primário.
  • Estoque de unidades de alto padrão em São Paulo apresenta elevação, atingindo 20 meses de venda.
  • Apesar da queda nas transações, o Valor Geral de Vendas (VGV) somado registrou um aumento em janeiro.
vendas de imóveis acima de R$ 2 milhões
Alfribeiro/iStock

As vendas de imóveis residenciais acima de R$ 2 milhões em São Paulo caíram 7% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados são da proptech Pilar, com base nos Impostos sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBIs) pagos na capital paulista.

O resultado sinaliza perda de fôlego do segmento de alto padrão após um período de crescimento recente.

Mercado imobiliário de alto padrão

Segundo a Pilar, a queda mensal reforça um movimento de desaceleração iniciado em 2025. Em 2024, as transações nessa faixa cresceram 24%. Já no ano passado, a alta foi de apenas 3% no consolidado anual.

No último trimestre de 2025, o volume de vendas chegou a cair 1,8%.

A amostragem mensal ainda é limitada — foram cerca de 300 transações em janeiro —, mas o cenário de juros elevados tem impacto sobre a demanda. A perspectiva de queda da Selic ao longo de 2026 também pode incentivar o consumidor a adiar a decisão de compra.

“O desafio é convencer o cliente a fazer o resgate de uma aplicação financeira ou tomar um financiamento no banco”, disse Felipe Abramovay, CEO da Pilar, ao site Metro Quadrado.

Crédito imobiliário e estoque

A faixa de R$ 2 milhões é considerada relevante no mercado porque o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no financiamento é permitido apenas para imóveis de até R$ 2,25 milhões.

O segmento acima desse valor vinha funcionando como alternativa para incorporadoras, diante das restrições de crédito à média renda. Mas imobiliárias ouvidas pelo Metro Quadrado relatam que compradores nesse patamar passaram a exigir descontos maiores, e que o tempo para fechamento das vendas aumentou.

Há ainda preocupação com o mercado primário devido ao volume recente de lançamentos. “Ainda precisamos ver como será a absorção do mercado desses lançamentos e a VSO (Velocidade de Venda sobre Ofertas) das incorporadoras”, disse Abramovay.

Em São Paulo, o estoque de unidades avaliadas a partir de R$ 2,1 milhões chegou a 20 meses de venda, segundo o BTG Pactual. Dois anos antes, estava abaixo de 15 meses.

Apesar da queda nas transações, o Valor Geral de Vendas (VGV) somado cresceu 10% em janeiro, para R$ 1,7 bilhão.

*Com informações do Metro Quadrado