
Ex-executivos de grupos como Bunge, Microsoft, Disney, Twitter, Fiesp e Nestlé migraram para a corretagem de imóveis de alto padrão, segundo relato de profissionais ouvidos pelo InfoMoney. A onda, que ganhou força entre 2020 e o fim de 2024, no embalo da pandemia e do boom imobiliário, entrou em uma fase mais seletiva, com maior peso de qualificação profissional. Para muitos, a combinação entre autonomia, meritocracia e potencial de ganhos acima do ambiente corporativo tradicional foi o principal atrativo.
Alta renda existe, mas não chega de forma linear
O segmento premium representa uma fatia pequena do universo da corretagem, estimada em 5% do total, mas, em 2025, concentrou 30% do volume negociado, segundo dados da consultoria Brain. Um corretor da Open Imóveis relatou renda mensal média entre R$ 30 mil e R$ 40 mil com base nas comissões anuais.
Na Pilar, 30 corretores ganharam mais de R$ 1 milhão apenas em 2025. Os relatos mostram, porém, que esses números convivem com meses sem fechamento e um primeiro ano especialmente duro para quem ainda não consolidou rede, carteira e reputação.
Rotina é intensa e glamour nas redes distorce a profissão
Os profissionais descrevem uma atividade marcada por disponibilidade constante, visitas em fins de semana e forte pressão emocional. Nas redes sociais, o mercado de luxo aparece associado a mansões, comissões elevadas e flexibilidade. No dia a dia, porém, a maior parte do trabalho envolve prospecção, negociação, construção de relacionamento e atendimento de longo prazo.
A recomendação de quem já fez a transição é manter reserva financeira para pelo menos um ano e tratar a entrada no setor como uma mudança estrutural de carreira, não como atalho para renda rápida.
Corretor premium virou consultor patrimonial
No alto padrão, o profissional deixou de ser apenas intermediador de visitas e passou a atuar como consultor patrimonial e de lifestyle. Segundo Felipe Abramovay, CEO da Pilar, o cliente espera conhecimento sobre arquitetura, liquidez, valorização, urbanismo e cenário econômico, além de discrição e capacidade de formar relações duradouras. O movimento acompanha a sofisticação do segmento, que segue resiliente mesmo com juros altos.
*Com informações de InfoMoney







