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- A poupança destinada ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) registrou captação líquida negativa de R$ 1,39 bilhão em junho, revertendo a recuperação dos meses anteriores.
- Apesar da saída de recursos, o volume total do SBPE cresceu de R$ 760,74 bilhões para R$ 764,08 bilhões em junho.
- Os rendimentos creditados aos poupadores, que somaram R$ 4,73 bilhões, compensaram a saída líquida de recursos.
- A taxa Selic elevada em 14,25% ao ano direciona investidores para a renda fixa, impactando a recuperação da poupança imobiliária.
- O comportamento do estoque é acompanhado de perto pelo mercado imobiliário porque ele influencia diretamente a capacidade dos bancos de conceder financiamentos habitacionais.

A poupança destinada ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), uma das principais fontes de recursos para o financiamento habitacional no país, voltou a registrar captação líquida negativa no encerramento do primeiro semestre.
Dados divulgados nesta quarta-feira (8) pelo BC (Banco Central) mostram que as retiradas superaram os depósitos em R$ 1,39 bilhão em junho, resultado de R$ 326,66 bilhões em depósitos e R$ 328,06 bilhões em retiradas.
O revés de junho interrompe a recuperação observada nos dois meses anteriores. Em abril, a captação líquida foi positiva em R$ 498,95 milhões e, em maio, foi de R$ 2,29 bilhões.
Apesar dos números, o recuo não é visto com alarmismo pelo setor. Para o presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Luiz França, o resultado de junho não sinaliza uma mudança estrutural de tendência. Segundo diz, apesar do saldo líquido negativo no mês, o ganho com os rendimentos garantiu que o saldo total da poupança seguisse crescendo, amortecendo o impacto imediato.
Captação Líquida SBPE: 1º Semestre (2025 vs. 2026)
| Mês | 2025 (em R$ bilhões) | 2026 (em R$ bilhões) |
|---|---|---|
| Janeiro | -20,30 | -18,81 |
| Fevereiro | -5,06 | -4,07 |
| Março | -9,24 | -9,09 |
| Abril | -4,34 | 0,50 |
| Maio | -0,13 | 2,30 |
| Junho | 0,67 | -1,39 |
| TOTAL ACUMULADO | -38,39 | -30,57 |
Estoque cresce apesar da saída de recursos
Embora a captação líquida tenha voltado a ficar no vermelho, o volume total de recursos do SBPE continuou avançando. O saldo passou de R$ 760,74 bilhões, em maio, para R$ 764,08 bilhões, em junho. O estoque também supera o registrado no mesmo período do ano passado, quando somava R$ 762,28 bilhões.
A evolução foi sustentada pelos rendimentos creditados aos poupadores, que totalizaram R$ 4,73 bilhões em junho e mais do que compensaram a saída líquida de recursos.
O comportamento do estoque é acompanhado de perto pelo mercado imobiliário porque ele influencia diretamente a capacidade dos bancos de conceder financiamentos habitacionais. A lógica é simples: quanto maior o volume de recursos disponível na poupança, maior tende a ser a oferta de crédito para a compra de imóveis.
Saldo SBPE: 1º Semestre (2025 vs. 2026)
| Mês | Saldo 2025 (em R$ bilhões) | Saldo 2026 (em R$ bilhões) |
|---|---|---|
| Janeiro | 757,50 | 752,49 |
| Fevereiro | 757,16 | 753,03 |
| Março | 752,11 | 748,61 |
| Abril | 752,45 | 753,83 |
| Maio | 756,87 | 760,74 |
| Junho (Fim do Semestre) | 762,29 | 764,08 |
Cenário menos desfavorável no 1º semestre
Apesar do desempenho de junho, o acumulado do primeiro semestre continua mostrando um cenário menos desfavorável do que o observado no mesmo período do ano passado.
Entre janeiro e junho de 2026, a retirada líquida de recursos somou R$ 30,56 bilhões. No primeiro semestre de 2025, o saldo negativo havia alcançado R$ 38,39 bilhões.
Essa maior resiliência em 2026, apesar de um cenário macroeconômico complexo, reflete o comportamento de um investidor mais conservador, segundo França, que aplicam em poupança. “Em geral, são pessoas que buscam investimentos de baixo risco e rentabilidade assegurada. Estamos em um cenário macro econômico complexo, que se agrava com a guerra entre Estados Unidos e Irã. Tudo isso faz com que haja uma migração de ativos de risco para investimentos mais seguros como a poupança”, explica.
Captação Líquida SBPE: 1º Semestre (2025 vs. 2026)
| Mês | 2025 (em R$ bilhões) | 2026 (em R$ bilhões) |
|---|---|---|
| Janeiro | -20,30 | -18,81 |
| Fevereiro | -5,06 | -4,07 |
| Março | -9,24 | -9,09 |
| Abril | -4,34 | 0,50 |
| Maio | -0,13 | 2,30 |
| Junho | 0,67 | -1,39 |
| TOTAL ACUMULADO | -38,39 | -30,55 |
Selic elevada e o impacto na poupança
Embora os números indiquem uma desaceleração no ritmo de saída de recursos em relação ao ano passado, eles também mostram que a recuperação da poupança imobiliária ainda enfrenta obstáculos.
Atualmente a taxa básica de juros, a Selic, está em 14,25% ao ano. Os dados mais recentes do Relatório Focus, que capta a percepção do mercado, indicam que a Selic fechará este ano em 14%. As estimativas divulgadas na última segunda-feira (6) são mais pessimistas do que as divulgadas há um mês, quando a indicação era de 13,5%.
Com a Selic em patamar elevado, investidores seguem encontrando alternativas mais rentáveis na renda fixa, o que limita uma retomada mais consistente da principal fonte de recursos para o financiamento habitacional.
Na avaliação de França, a poupança deve conseguir sustentar seu patamar atual quando avaliado o saldo total (somando rendimentos e captação). Porém, o executivo alerta que o setor não pode depender exclusivamente dessa fonte. “Precisamos de mais fontes de financiamento para sustentar o nível de crescimento do setor imobiliário”, aponta.
Para o executivo, o caminho para garantir recursos suficientes passa por medidas regulatórias e fiscais estratégicas, como a preservação do FGTS para a habitação, o direcionamento de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e, fundamentalmente, a manutenção da isenção de Imposto de Renda para títulos como a LCI (Letra Crédito Imobiliário) e as LIG (Letra Imobiliária Garantida), CRI (Certificado Recebíveis Imobiliário) e FII (Fundo de Investimento Imobiliário). Deste modo, segundo França, haverá garantia de que esses instrumentos continuem atraentes para o investidor.







