Veja o resumo da noticia
- O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo (SP) recuperou o poder de preço, com aluguéis superando a inflação.
- A mudança é impulsionada pela volta das empresas ao escritório e pela restrição na oferta de novas lajes qualificadas.
- A alta nos preços se estende além da Faria Lima, atingindo polos como Avenida Paulista, Marginal Pinheiros e Berrini.
- Reajustes de até 40% são observados em contratos de locação, mesmo em regiões com vacância relevante.

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo (SP) voltou a ganhar poder de preço. Ao Metro Quadrado, Fernando Oliveira, fundador da Primaz, avalia que a fase em que a maior parte das regiões tinha dificuldade para reajustar aluguéis acima da inflação ficou para trás.
A mudança combina dois movimentos. De um lado, empresas aceleraram a volta ao escritório e passaram a buscar áreas maiores do que ocupavam no pós-pandemia. De outro, incorporadores seguraram novas entregas, restringindo a oferta de lajes qualificadas.
Para Oliveira, já há falta de espaços triple-A e double-A. Quando esse tipo de ativo começa a faltar, os preços sobem, e o aluguel passa a superar a inflação.
Alta vai além da Faria Lima
A Faria Lima segue como principal referência de preço, com algumas locações chegando a R$ 400 por metro quadrado. Mas a pressão já aparece em outros polos corporativos.
Segundo Oliveira, está difícil encontrar escritórios disponíveis na Avenida Paulista. Na Marginal Pinheiros, os preços chegam a R$ 240 por metro quadrado. A Berrini também mostra movimento claro de valorização.
Na primeira etapa da retomada, prédios nas avenidas Chucri Zaidan e Berrini ofereceram condições comerciais agressivas para atrair ocupantes e reduzir a vacância criada pela pandemia. Agora, proprietários avaliam que parte desses contratos ficou defasada.
Reajustes aparecem mesmo com vacância relevante
Diogo Moraes, sócio da Primaz e responsável por negociações de locação, afirma que há casos na Chácara Santo Antônio com reajustes de até 40% após dois anos de contrato apenas corrigido pela inflação.
Mesmo em regiões onde a vacância não está abaixo de 10%, como a Chucri Zaidan, a consultoria vê pressão por aumentos acima da inflação. Esse comportamento reduz o receio de investidores em ativos de renda, porque a evolução das locações melhora a perspectiva de receita.
Galpões e shoppings estão no foco
Além de escritórios, a Primaz quer crescer no mercado de galpões logísticos. A consultoria vê potencial fora de São Paulo, acompanhando a descentralização de empresas de e-commerce que precisam se aproximar dos consumidores finais.
A empresa tem 10 projetos no pipeline dessa vertical, um deles já com inquilino encaminhado. A estratégia inclui entrar como sócia em desenvolvimentos para destravar negócios e preparar projetos antes da demanda formal de operadores como Amazon, Mercado Livre e Shopee.
No mercado de shoppings, a Primaz também enxerga ambiente mais favorável a transações entre minoritários. Segundo Oliveira, há 10 potenciais negócios na mesa, com cinco em estágio avançado.
*Com informações de Metro Quadrado







