Veja o resumo da notícia
- Pesquisa Loft/Offerwise revela descompasso entre a percepção do brasileiro sobre o mercado imobiliário e seus planos de compra/aluguel.
- A maioria dos entrevistados acredita que o consumo de bens duráveis permanecerá estável após a eleição, com o imóvel sendo o item mais afetado em caso de retração.
- Entre quem pretende comprar imóvel, 51% dizem que a eleição presidencial não muda o plano, e 53% afirmam o mesmo sobre a estadual.
- A exceção à estabilidade dos planos é a insegurança para assumir financiamento de longo prazo, citada por 48% dos entrevistados.
- Quem se declara de esquerda mostra mais confiança em financiamentos (32% seguros), enquanto a direita é mais insegura (54% inseguros).
- Compradores de imóveis tendem a ser mais otimistas, mas isso não prova que a proximidade da decisão reduz o medo do cenário eleitoral.
- A hesitação real reside na disposição de assumir compromissos financeiros longos, não na decisão de procurar um imóvel.
- Imobiliárias e corretores devem focar em comunicação clara sobre condições de pagamento para manter clientes no semestre eleitoral.

Pesquisa Loft/Offerwise (Onda 7, 1.400 entrevistados em seis capitais, campo de 21 a 30/07/2026) encontra um descompasso entre o que o brasileiro acha que vai acontecer com o mercado imobiliário depois da eleição de outubro e o que ele diz que vai fazer com o próprio plano de comprar ou alugar. Em geral, ele acredita que o “mercado” pode desacelerar. Mas quando a pergunta é sobre a própria decisão, a resposta muda pouco.
O medo é sobre os “outros”
Perguntados diretamente se o consumo de bens duráveis do brasileiro vai mudar depois da eleição, 64% dos entrevistados acham que vai ficar igual. Só 21% apostam em queda e 15%, em alta — o pessimismo é minoritário, mas existe.
E, quando existe, converge para um lugar específico. Entre quem acredita em retração geral do consumo, 65% apontam a compra de imóveis como o item mais afetado — mais até do que veículos (60%) ou eletrodomésticos (37%). Do outro lado, entre quem espera alta no consumo, a compra de imóveis é o item menos citado (40%, atrás de eletrônicos, eletrodomésticos, veículos e móveis). Ou seja: quando o brasileiro imagina que a eleição vai atrapalhar alguma coisa, o imóvel é o primeiro suspeito — mas essa é uma opinião sobre o mercado como um todo, sobre “os brasileiros” em abstrato, não sobre a própria vida. Não é só uma percepção de consumo: candidatos também disputam o tema diretamente, com propostas de moradia que prometem endereçar o déficit habitacional — o que ajuda a explicar por que o imóvel aparece tão associado ao clima eleitoral no imaginário de quem está de fora do mercado.
O próprio plano quase não muda
É aqui que o descompasso aparece. Entre os que já pretendem comprar um imóvel nos próximos 12 meses (base: 215), 51% dizem que a eleição presidencial não muda nada no plano, e 53% dizem o mesmo sobre a estadual. Entre proprietários que pretendem alugar (base: 74), o número é ainda mais alto — 62% e 73%.
O restante se divide de forma quase equilibrada entre acelerar e recuar: cerca de 18-21% dizem que vão adiar os planos por causa da eleição, e uma fração muito parecida (19-21%) diz que vai antecipar — provavelmente para fechar negócio antes de qualquer mudança de cenário. Não há fuga generalizada do mercado; há um pequeno grupo andando para frente e outro para trás, que praticamente se cancelam. A crença de que “o mercado vai travar” não se traduz, na prática, em “eu vou parar”.

A exceção real não é a decisão — é o financiamento
Isso não quer dizer que não exista cautela nenhuma. No total da amostra, 48% dos entrevistados se dizem inseguros para assumir um financiamento de longo prazo neste momento político — quase o dobro dos que se sentem seguros (18%). A insegurança sobe para 57% na Classe D/E.
Há também um recorte por posicionamento político que vale registrar, com base robusta (330 à esquerda, 137 no centro, 491 à direita): quem se declara de esquerda é o grupo mais confiante no financiamento (32% seguros, apenas 32% inseguros), enquanto quem se declara de direita é o mais inseguro (54% inseguros, 17% seguros) — o centro fica perto da média geral.
Esse é o ponto real de fricção da eleição sobre o mercado: não é a vontade de comprar ou alugar, que segue praticamente intacta, mas a disposição de travar um compromisso financeiro longo em um momento de instabilidade política. É uma cautela sobre o contrato, não sobre o imóvel.
Um detalhe a tratar com cuidado
A pesquisa também mostra que quem já pretende comprar um imóvel se sente mais seguro para financiar (32% inseguros) do que quem não pretende comprar, vender ou alugar nada (53% inseguros) — e o mesmo padrão aparece, de forma independente, na nota geral dada à economia do país (5,00 entre compradores vs. 4,40 no total da amostra).
É tentador ler isso como “quem está mais perto do negócio tem menos medo do que se imagina de fora”. Mas vale uma ressalva: pretender comprar um imóvel não é um grupo sorteado ao acaso — é, em boa parte, autosseleção. É bem possível que a causalidade vá no sentido contrário: pessoas que já se sentem financeiramente seguras e otimistas são justamente as que mais declaram intenção de comprar, e são elas que também respondem com mais confiança a qualquer pergunta sobre economia ou financiamento. Ou seja, o dado mostra que compradores são, em geral, um público mais otimista — o que é interessante para entender o perfil desse consumidor, mas não prova que a proximidade da decisão de compra reduz o medo do cenário eleitoral. Essa leitura fica como nota, não como manchete.
O que isso significa
Para quem está pensando em comprar, vender ou alugar em 2026, o dado mais sólido da pesquisa é o mais simples: a maioria de quem já tinha um plano não pretende mudá-lo por causa da eleição, mesmo achando, em tese, que o mercado como um todo pode sentir o impacto. A hesitação real, quando existe, mora na conversa sobre financiamento — não na decisão de procurar um imóvel. Para imobiliárias e corretores, isso reforça um ponto que a própria Onda 7 já vinha sinalizando: comunicação clara sobre condições de pagamento pesa tanto quanto o preço do imóvel para manter o cliente na jornada, ainda mais em um semestre eleitoral.
Para acompanhar outros indicadores do setor além das eleições, veja o panorama completo do mercado imobiliário em 2026.
Nota metodológica: dados da pesquisa Loft/Offerwise, “Mercado Imobiliário — Onda 7”, com 1.400 respondentes (300 em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte; 100 em Brasília e Goiânia), coletados entre 21 e 30/07/2026.







