Veja o resumo da notícia
- O mercado imobiliário precisa se adaptar à transformação demográfica, com 13,7 milhões de brasileiros vivendo sozinhos.
- Idosos com 60 anos ou mais representam 41% das pessoas que moram sozinhas, mas nem sempre são considerados nas ofertas.
- Especialistas afirmam que o design das casas deve evoluir para atender às necessidades de indivíduos, não apenas famílias.
- O envelhecimento da população se intensificará, com 37,8% dos brasileiros acima de 60 anos em 2070.
- Jovens e idosos que moram sozinhos veem a moradia atual como temporária, mas buscam produtos imobiliários diferentes.
- O imóvel ainda é visto como segurança e investimento para os brasileiros, mas o acesso ao mercado varia entre gerações.
- Há um grande "gap" financeiro, com 40% dos mais velhos podendo dar entrada acima de R$ 100 mil, contra 3% da Geração Z.
- As gerações também diferem no tipo de imóvel atual, com Baby Boomers em casas maiores e jovens com menos vagas de garagem.

O mercado imobiliário enfrenta o desafio de repensar como desenvolve seus empreendimentos diante da transformação demográfica em curso no Brasil. Cerca de 13,7 milhões de brasileiros vivem sozinhos, quase um em cada cinco domicílios do país, número que praticamente triplicou em pouco mais de duas décadas.
O mais surpreendente, porém, está na composição desse grupo: apenas 12% das pessoas que moram sozinhas têm entre 15 e 29 anos, enquanto 41% têm 60 anos ou mais, segundo dados do IBGE apresentados pela Brain Inteligência Estratégica. A terceira idade é quase tão representativa quando o grupo entre 30 e 59 anos (47% dos que moram sozinhos) e só deve aumentar a sua participação nas próximas décadas.
Para especialistas, idosos que moram sozinhos nem sempre são considerados na oferta de empreendimentos pelo mercado imobiliário. “Aprendemos a desenhar casas para famílias, mas cada vez mais vamos ter que desenhar casas para indivíduos”, afirmou Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, durante evento da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) em São Paulo nesta quarta-feira (7).
O executivo apresentou o estudo “Vida Imobiliária por Geração” e delimitou o dilema. Um jovem de 25 anos, um divorciado de 45 e um idoso de 75 podem procurar a mesma metragem para morar, mas precisam de produtos diferentes.
Segundo Araújo, os idosos procuram cada vez mais empreendimentos com espaços para atividades físicas, como pilates. Já para famílias com filhos pequenos, a mesma área comum pode ter outra função, como uma quadra esportiva para crianças e adolescentes.
A mudança é especialmente relevante porque o envelhecimento da população deve se intensificar nas próximas décadas. A Brain destaca que 37,8% da população terá 60 anos ou mais em 2070, contra 15,6% em 2022. Ao mesmo tempo, a parcela de brasileiros com até 29 anos caiu, no intervalo entre 2012 e 2025, de 49,9% para 41,4%.
Para construtoras, incorporadoras e corretores, o desafio está em decifrar como esses desejos mudam entre as gerações. Entre quem mora sozinho, a Geração Z é quem mais vê a moradia atual como algo passageiro (90%), segundo a pesquisa. Mas essa percepção também é elevada entre os idosos que moram sozinhos, e 55% deles enxergam como temporária a casa atual.
Os mais jovens, no entanto, aceitam menos espaço em troca de localização perto do trabalho, restaurantes e vida noturna. Já os mais velhos buscam praticidade, elevador e serviços nos arredores. “Produzimos para jovens e meia-idade, mas não para a terceira idade”, destacou Araújo.
Preço e financiamento de um imóvel também dividem as gerações
A Brain mostra que o imóvel ainda tem um forte significado cultural para o brasileiro. O estudo identificou que, na média, 51% dos entrevistados veem o imóvel como sinônimo de segurança, um conceito abstrato que pode ter significados variados conforme a idade. Para mais de 60% dos entrevistados, a aquisição de uma residência está associada a uma forma de investimento ou formação de patrimônio.
Mas a percepção sobre as possibilidades de acessar esse mercado varia bastante entre gerações. O estudo da Brain descobriu que:
- O preço é um fator relevante para 18% dos Baby Boomers, de 61 a 79 anos, percentual que chega para o dobro, ou 36%, na Geração Z
- As condições de pagamento pesam sete vezes mais para a Geração Z do que para os Baby Boomers (9,3% contra 1,3%)
- 44% da Geração Z pretende utilizar financiamento bancário para comprar o próximo imóvel, contra 15% entre os Baby Boomers
Além disso, o levantamento identificou que, embora seja esperado que as reservas financeiras de cada grupo sejam diferentes, há um “gap” bastante elevado. Entre os mais velhos, 40% podem dar entrada acima de R$ 100 mil, contra apenas 3% da Geração Z. “Isso significa que o jovem não consegue mais gerar poupança. Pode até ter renda, mas não consegue juntar dinheiro para dar de entrada”, disse o executivo.
O retrato do imóvel atual de cada grupo também revela diferenças entre as gerações. Entre os Baby Boomers, 74% vivem em imóveis de três quartos ou mais, enquanto esse percentual é de 41% na Geração Z – mesmo que, para o último grupo, se trate da casa dos pais ou parentes. A diferença vai parar também na presença de vagas de garagem. Apenas 6% dos mais velhos vivem em imóveis sem vaga para veículo, contra 15% dos jovens.







