
Quer acompanhar Selic, CDI, IPCA, IGP-M e outros indicadores lado a lado? Veja o painel de indicadores econômicos do mercado imobiliário do Portas, atualizado semanalmente.
Mercado de venda
As vendas de imóveis novos cresceram 5,4% no 1º semestre de 2026 ante igual período do ano passado — 226.536 unidades, recorde na série. O Minha Casa, Minha Vida respondeu por 50,3% do total (113.988 unidades, +15,5%), enquanto o médio e alto padrão recuou 3,2% (para 112.548 unidades). O ticket médio caiu 22,6%, para R$ 581.900, refletindo a migração da demanda para a faixa popular — a intenção de compra em 24 meses chegou a 52%, maior nível já registrado. O desconto médio na venda também bateu recorde em 2026: 14% no 2º trimestre, segundo o Raio-X FipeZap — igualando os níveis de 2016 e 2020, e reforçando que o comprador do médio/alto padrão tem poder crescente de negociação diante do estoque elevado.
Em São Paulo, compactos concentram 70% dos lançamentos e 64% das vendas — enquanto o investidor que compra na planta para revender recua no alto padrão, pressionado por juros e excesso de oferta. Um recorte ainda mais específico: unidades de até 34 m² já respondem por quase 80% dos lançamentos da capital em julho, e por 51% do estoque de imóveis novos desde 2023. O estoque residencial da capital bateu recorde em julho: 90,6 mil unidades disponíveis (+42% em 12 meses), com o MCMV respondendo por 58% do total e por 69% das vendas dos últimos 12 meses — as vendas da cidade saltaram 67,4% no mês, mas o médio e alto padrão recuou 18% no período. No Rio, os lançamentos de luxo (acima de R$ 3 milhões) caíram 86,9% no 2º trimestre — apenas 11 unidades, ante 84 um ano antes —, mas as vendas totais da cidade seguem aquecidas. Em São Paulo, o movimento se inverteu: vendas de alto padrão e luxo recuaram 39% no 1º semestre e os lançamentos, 53% — fim do ciclo de recordes de 2025, segundo a Brain Inteligência Imobiliária, após as incorporadoras dobrarem o volume lançado em cinco anos. O estoque, porém, equivale a 18 meses de vendas, nível ainda considerado administrável.
Os preços residenciais subiram 0,46% em julho e acumulam 2,89% no ano — ainda abaixo da inflação de 3,43%, mas a diferença diminuiu. Vitória lidera com +8,82% no ano, seguida por Manaus (+8,43%) e Aracaju (+7%). São Paulo acumula apenas 1,70% e Porto Alegre registra queda. O estoque nacional de imóveis novos prontos soma R$ 38 bilhões, com 30.085 unidades sem comprador. O MCMV segue como contraponto positivo — a faixa 3 cresceu quase 50% no 1º semestre.
Uma pesquisa Loft/Offerwise em seis capitais mostrou o tamanho do descompasso de preço em São Paulo: 42% dos compradores buscam imóveis de até R$ 350 mil, mas apenas 31% dos vendedores aceitariam negociar nessa faixa — ainda que 74% deles topem algum desconto para fechar negócio. Em paralelo, o UBS voltou a apontar São Paulo como a cidade de menor risco de bolha imobiliária entre 23 centros globais analisados — os imóveis, em termos reais, ainda valem cerca de 25% menos que no pico de 2014.
23 set 2026
23 set 2026
21 set 2026
17 set 2026
16 set 2026
16 set 2026
24 ago 2026
21 ago 2026
04 ago 2026
Ago 2026
Ago 2026
Ago 2026
07 ago 2026
05 ago 2026
Crédito e habitação
O cenário de crédito combina sinais opostos. Os bancos já preveem maior restrição ao crédito imobiliário a partir do próximo trimestre, pressionados pela saída de R$ 9,51 bilhões da poupança SBPE em agosto — piora frente aos R$ 6,95 bilhões de julho e o segundo pior resultado mensal do ano, atrás apenas de janeiro (R$ 18,81 bilhões) — revertendo a expectativa de recuperação do 2º trimestre. Do lado otimista, a Abecip revisou para cima a projeção de crédito imobiliário em 2026: R$ 411 bilhões, alta de 25% (ante estimativa anterior de 16%), puxada pelo FGTS/Pré-Sal (R$ 195 bilhões, +38%) e pelo SBPE (R$ 185 bilhões, +18%) — no 1º semestre, as concessões já somaram R$ 180,9 bilhões, alta de 23%. “A demanda seguiu consistente mesmo com juros elevados”, afirmou Michel Cury, presidente da Abecip. Na mesma toada, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, defendeu no Abecip Summit que o crédito imobiliário pode superar 20% do PIB — hoje em 11% — com modernização, novas políticas habitacionais e integração com o setor privado. São visões que não se contradizem: a restrição é conjuntural, a ambição — do setor e do governo — é estrutural.
O Banco Central fez o 5º corte consecutivo da Selic, levando a taxa a 13,75% ao ano em setembro — o menor patamar desde março de 2025. Segundo o BC, o repasse do corte ao crédito imobiliário é gradual e pode levar até 12 meses para se refletir integralmente nas condições de financiamento. O home equity bateu recorde: R$ 6,6 bilhões no 1º semestre, alta de 309%. O uso do FGTS em consórcios imobiliários cresceu 39%, movimentando R$ 215 milhões. A Caixa atingiu R$ 1 trilhão em crédito habitacional, com MCMV respondendo por 58,4%. O Santander passa a financiar até 90% do valor do imóvel em casos selecionados.
16 set 2026
17 set 2026
21 ago 2026
24 ago 2026
19 ago 2026
05 ago 2026
07 ago 2026
Ago 2026
Ago 2026
02 jul 2026
13 mai 2026
Mercado de aluguel
O aluguel residencial subiu 0,70% em julho, acumulando 5,97% nos primeiros sete meses de 2026 — 2,53 pontos percentuais acima do IPCA. Cinco capitais já superam 10% no ano: Aracaju (+16,12%), Campo Grande (+11,95%), Manaus (+11,04%), Fortaleza (+10,98%) e Natal (+10,72%). A boa notícia do mês vem da inadimplência: o índice da Loft, calculado com 500 mil contratos, recuou de 6,18% para 5,98% em agosto após três meses de alta — queda disseminada em todas as regiões do país, possivelmente associada à liberação de renda por programas de renegociação de dívidas.
Outro termômetro do setor, o IVAR (FGV-IBRE), mostrou desaceleração ainda mais nítida: alta de 0,29% em agosto, ante 0,66% em julho, com o acumulado em 12 meses praticamente estável em 5,09%. Três das quatro capitais pesquisadas perderam ritmo na leitura mensal — São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre —, enquanto Belo Horizonte acelerou e lidera o acumulado anual, com alta de 8,47%.
No segmento comercial, o aluguel acumula alta de 8,50% entre janeiro e agosto — 11,21% em 12 meses —, com o rendimento anual (7,59%) superando o do residencial (6,14%). O ritmo mensal acelerou: 1,01% em agosto, ante 0,56% em julho. Salvador (+15,70%), Rio de Janeiro (+14,29%) e Curitiba (+12,08%) lideram a valorização no ano. A vacância de escritórios premium em São Paulo caiu para 13,1%, com 153 mil m² de absorção líquida no semestre. Em Florianópolis, studios chegam a R$ 27 mil/mês. O IGP-M caiu em julho, mas acumula 2,76% em 12 meses, corrigindo contratos com aniversário em agosto.
- Aluguel comercial volta a acelerar em agosto e acumula alta de 8,50% no ano, diz FipeZap
22 set 2026 - Inadimplência no aluguel recua para 5,98% em agosto após três altas seguidas
21 ago 2026 - FipeZap: aluguel residencial sobe 0,70% em julho e acumula 5,97% no ano
12 ago 2026 - Studios avançam em Florianópolis e aluguel chega a R$ 27 mil
Ago 2026 - Aluguel comercial acumula alta de 7,42% no ano e 11,26% em 12 meses, aponta FipeZap
25 ago 2026 - Vacância de escritórios premium em São Paulo cai para 13,1%
16 jul 2026 - IGP-M cai em julho, mas contratos com aniversário em agosto terão reajuste de 2,76%
Ago 2026
Construtoras e incorporadoras
A atividade da construção civil recuou no 1º semestre de 2026 — o índice encerrou o período em 46,4 pontos, pressionado por Selic alta, custos de materiais, escassez de mão de obra e confiança baixa. O desempenho operacional das construtoras, porém, conta história diferente: as de baixa renda, ancoradas no MCMV, impulsionam resultados, enquanto as de alta renda seguem afetadas pelos juros elevados. MRV e Cyrela reportaram lucros com custos crescentes. Um retrato mais recente do setor (BB-BI, com dados do BC) reforça esse dinamismo: a taxa média do financiamento imobiliário para pessoa física chegou a 11,3% ao ano em julho, mas o estoque de médio/alto padrão caiu 9,8% em 12 meses, o MCMV respondeu por 85,4% dos lançamentos das incorporadoras associadas à Abrainc e a construção abriu 12.691 vagas formais só em julho, segundo o Novo Caged. O setor projeta 2026 forte, mas já vê 2027 com cautela — Selic ainda elevada e custos de obra são os principais riscos citados.
Em São Paulo, o ciclo de 317 mil apartamentos em construção reflete lançamentos recordes em três anos consecutivos, com compactos dominando em volume. No médio e alto padrão, o estoque subiu para 26 meses de venda e o investidor especulativo recua. Investidores institucionais estão mais seletivos, com preferência pelo residencial econômico. No luxo, Balneário Camboriú empurra o mercado para cidades vizinhas.
As fusões e aquisições no setor imobiliário somaram R$ 12,4 bilhões no 1º semestre de 2026, alta de 44% frente aos R$ 8,7 bilhões de igual período de 2025, segundo a KPMG. O número de transações cresceu bem menos (87, ante 82) — sinal de que o movimento é puxado por ativos estabilizados e de maior valor, não por um boom de operações. A leitura da consultoria é de “reciclagem de capital”: com juros altos, empresas preferem vender propriedades prontas a captar dívida nova. Destaques do semestre incluem a compra de 11 galpões da Log Commercial pelo Itaú Log CP FII (R$ 1 bilhão) e de 6 galpões pelo XP LOG FII (R$ 919 milhões).
17 set 2026
21 ago 2026
21 ago 2026
07 jul 2026
29 jun 2026
13 mai 2026
12 mai 2026
Perguntas frequentes
Como está o mercado imobiliário hoje?
O mercado em agosto de 2026 tem um quadro misto na venda e uma boa notícia no aluguel. As vendas de imóveis novos cresceram 5,4% no semestre, recorde puxado pelo Minha Casa, Minha Vida — mas o médio e alto padrão recuou 3,2% e o desconto médio na venda bateu recorde de 14%. No crédito, bancos preveem restrição a partir do próximo trimestre, mas a Abecip revisou para cima a projeção de 2026, para R$ 411 bilhões. No aluguel, a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas, e o acumulado de 5,97% no ano segue acima da inflação. A Selic chegou a 13,75% (5º corte), mas os efeitos no crédito ainda demoram a se materializar (repasse pode levar até 12 meses).
2026 é um bom ano para comprar imóvel?
Depende do segmento. Para a faixa popular, o cenário é favorável: o MCMV puxou 50,3% das vendas do semestre (+15,5%) e a Abecip revisou para cima a oferta de crédito em 2026. Para o médio e alto padrão, o quadro é mais desafiador — vendas recuaram 3,2%, o ticket médio caiu 22,6% e o desconto médio de 14% indica espaço crescente para negociação. O ciclo de cortes da Selic melhora gradualmente o acesso ao crédito, mas os bancos sinalizam maior restrição à frente. Uma análise relevante: comprar antes de novos cortes pode ser vantajoso, pois quando o custo do financiamento cair, o preço do imóvel tende a subir — e a portabilidade permite refinanciar depois.
O aluguel vai continuar subindo em 2026?
A tendência de alta persiste, com um sinal positivo: a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas — queda em todas as regiões do país. O FipeZap registrou 0,70% em julho e o acumulado de 5,97% no ano supera a inflação em 2,53 pontos. Cinco capitais acumulam mais de 10%: Aracaju lidera com +16,12%. No comercial, a alta acumula 8,50% no ano e 11,21% em 12 meses, com rendimento superior ao do residencial.
Qual a previsão para a valorização dos imóveis em 2026?
Em julho, os preços subiram 0,46% e acumulam 2,89% no ano — ainda abaixo da inflação, mas a diferença diminuiu. O desconto médio de 14% nas vendas sugere que o mercado está mais favorável ao comprador. Vitória (+8,82%), Manaus (+8,43%) e Aracaju (+7%) lideram. O ciclo de cortes da Selic tende a sustentar preços no 2º semestre, especialmente no segmento popular e fora do eixo SP-RJ.







