Veja o resumo da notícia
- Expansão do mercado imobiliário de luxo no litoral norte catarinense para cidades vizinhas.
- Alto valor do metro quadrado e estoque de imóveis novos em Balneário Camboriú e Itapema.
- Lançamento da incorporadora Boutiq para atuar em Itapema e Balneário Piçarras.
- Detalhes dos primeiros empreendimentos da Boutiq com VGV estimado entre R$1,1 e R$1,3 bilhão.
- Diversificação patrimonial de famílias do agronegócio impulsiona novos investimentos.
- Demanda sustentada por compradores de diversas regiões mantém o mercado aquecido.
- Operadores regionais dominam o mercado devido a vendas diretas e permutas de ativos.

O mercado residencial de luxo do litoral norte de Santa Catarina segue se expandindo para além de Balneário Camboriú. Com terrenos cada vez mais escassos e preços já no topo do ranking nacional, a demanda começa a avançar para cidades vizinhas, como Balneário Piçarras e Penha. Segundo a Brain Inteligência Estratégica citada em reportagem do Valor, o estoque de unidades novas em Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo só perde, no país, para o de São Paulo, embora os três municípios somem apenas 246,7 mil moradores. Em abril, o preço do metro quadrado médio em Balneário Camboriú foi de R$ 15.185, praticamente empatado com Itapema, a R$ 15.179.
Nova incorporadora quer lançar até R$ 1,3 bilhão em VGV
Nesse cenário de demanda aquecida, o casal Raphaella e Christian Sigel, em parceria com a família Pozzobon, está lançando a incorporadora Boutiq para atuar em Itapema e Balneário Piçarras. O primeiro projeto, em Itapema, será erguido em um terreno que já pertencia à família de Raphaella e deve ter 51 andares, com arquitetura do escritório Metro Quadrado, de Joinville.
O segundo empreendimento, em Piçarras, está previsto para ocupar um terreno comprado com recursos próprios e deve reunir três torres. Juntos, os dois lançamentos têm VGV estimado entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,3 bilhão, com estreia prevista para meados de 2027.
Capital do agro busca diversificação e segunda residência
A entrada da família Pozzobon no segmento também reflete um movimento de diversificação patrimonial em meio à sucessão entre gerações no agronegócio. Segundo os sócios, investir em imóveis à beira-mar faz mais sentido agora do que ampliar área rural, diante de payback mais longo e maior dificuldade para contratar mão de obra no campo.
A companhia pretende financiar a construção com recursos próprios e, além da segunda residência, enxerga espaço para produtos voltados à moradia principal de clientes do Centro-Oeste ligados ao agro.
Mercado segue aquecido, mas ainda dominado por operadores regionais
Apesar do preço elevado e do uso esporádico de parte relevante das unidades, a Brain não vê sinais de bolha na região. No primeiro trimestre de 2026, as vendas de imóveis novos recuaram 0,5% em Balneário Camboriú e 54% em Itapema, enquanto os lançamentos caíram 8% e 54%, respectivamente. Mesmo assim, a presença de compradores de Santa Catarina, Curitiba, São Paulo e Centro-Oeste sustenta a demanda.
Grandes incorporadoras nacionais seguem pouco presentes, em parte porque o mercado local opera com venda direta em prazos longos e aceita permutas de diversos ativos, dinâmica em que empresas regionais ainda levam vantagem.
*Com informações de Valor







