Veja o resumo da noticia
- O mercado imobiliário brasileiro vendeu 226.536 imóveis residenciais novos no 1º semestre de 2026, alta de 5,4%.
- O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi responsável por 50,3% das vendas, impulsionando o avanço do setor.
- A participação do MCMV nos lançamentos residenciais atingiu 58% no 2º trimestre, a maior da série histórica.
- A maior participação do MCMV resultou na queda do Valor Geral de Vendas (VGV) e do Valor Geral de Lançamentos (VGL).
- O estoque de imóveis disponíveis recuou 2,1% no 2º trimestre, totalizando 355.290 unidades.
- O financiamento imobiliário tradicional via SBPE cresceu 12% no 1º semestre, somando R$ 67,2 bilhões.
- Apartamentos de dois dormitórios dominaram as vendas, representando 65,2% no 2º trimestre.
- A intenção de compra de imóveis nos próximos 24 meses atingiu 52% no 2º trimestre de 2026, o maior índice da série.

O mercado imobiliário brasileiro vendeu 226.536 imóveis residenciais novos no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% em relação às 214.910 unidades comercializadas no mesmo período do ano passado. O MCMV (Minha Casa, Minha Vida) respondeu por 113.988 dessas vendas, ou 50,3% do total, e foi o principal responsável pelo avanço do mercado no período, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (24) pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em estudo elaborado pela Brain Inteligência Estratégica.
O peso do programa aumentou ao longo do semestre. As vendas do MCMV passaram de 55.596 unidades no primeiro trimestre para 58.392 no segundo, alta de 5%. Com isso, a participação do programa nas vendas nacionais chegou a 51% entre abril e junho. No mesmo período, as vendas dos demais padrões recuaram 3,4%, de 57.264 para 55.284 unidades.
O avanço das vendas ocorreu mesmo em meio a um cenário de juros elevados. A taxa Selic estava em 14,25% ao ano no fim de junho, nível que, segundo o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, pesa sobre o crédito imobiliário, encarece o financiamento e limita a capacidade de compra das famílias. Em reunião realizada no dia 6 deste mês, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu a taxa para 14%.
MCMV impulsiona vendas e lançamentos
A diferença de desempenho entre os segmentos ajuda a explicar o resultado nacional. As vendas do MCMV cresceram 5% entre o primeiro e o segundo trimestre, passando de 55.596 para 58.392 unidades.
Já os demais padrões, que incluem os imóveis fora do programa, recuaram de 57.264 para 55.284 unidades no mesmo intervalo.
No acumulado do semestre, a diferença aumenta ainda mais. O mercado imobiliário vendeu 214.910 imóveis novos no primeiro semestre de 2025 ante 226.536 unidades neste ano, numa alta de 5,4%.
As vendas do MCMV passaram de 98.685 unidades no primeiro semestre de 2025 para 113.988 no mesmo período de 2026, alta de 15,5%. No mesmo período, os demais padrões somaram 112.548 unidades neste ano, ante 116.225 no primeiro semestre de 2025, numa queda de 3,2%.
Pelos dados da pesquisa, os imóveis do MCMV também ganharam protagonismo nos lançamentos.
No segundo trimestre, foram lançadas 62.129 unidades enquadradas no MCMV, contra 45.032 dos demais padrões. Com isso, o programa respondeu por 58% dos lançamentos residenciais do país, a maior participação da série histórica iniciada em 2019. No primeiro trimestre, a fatia do MCMV era de 50%.
Em nota, Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, afirma que ainda há espaço para a participação do programa ser ainda maior. “O Minha Casa, Minha Vida poucas vezes representou mais de 50% dos lançamentos e, neste trimestre, chegou a 58%, um patamar bastante significativo. O programa ganhou participação no mercado e ainda há espaço para avançar, podendo chegar a 60% ou até 65% dos lançamentos”, diz o executivo, em nota.
Impacto no valor de vendas e estoque
A maior participação do MCMV, que, em geral, tem menor ticket médio de valor de imóveis, fez com que o VGV (Valor Geral de Vendas) e o VGL (Valor Geral de Lançamentos) caíssem, segundo os dados da pesquisa.
Entre abril, maio e junho (segundo trimestre) deste ano, o VGV somou R$ 66,2 bilhões, recuo de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O ticket médio dos imóveis vendidos chegou a R$ 581,9 mil, um recuou 22,6% no comparativo com igual período de 2025, quando o ticket médio foi de R$ 751.920.
Os dados não indicam que o valor dos imóveis recuaram, mas sim que mais imóveis com valores menores estão sendo vendidos.
Por sua vez, o VGL ficou em R$ 62,4 bilhões no segundo trimestre, queda de 23,1% ante o mesmo período de 2025.
A combinação entre evolução nas vendas e estabilização de lançamentos fez com que o estoque disponível recuasse pouco. Ao final do segundo trimestre deste ano, havia 355.290 imóveis residenciais novos disponíveis para comercialização no mercado, 2,1% a menos do que no primeiro trimestre (362.953).
Apesar disso, o número do último trimestre representa alta de 8,2% do registrado um ano antes, quando o estoque era de 328.250 imóveis.
Crédito imobiliário
O financiamento tradicional também apresentou expansão no primeiro semestre. Nas operações do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) destinadas à aquisição de imóveis, as concessões chegaram a R$ 67,2 bilhões entre janeiro a junho deste ano, alta de 12% ante aos R$ 60,1 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025.
O SBPE é uma das principais fontes de financiamento imobiliário para a compra de imóveis por pessoas físicas.
“O avanço do financiamento para aquisição é um sinal importante para o mercado. Mais crédito amplia a capacidade de compra das famílias, fortalece a demanda e contribui para manter o ritmo das vendas, com efeitos positivos para toda a cadeia imobiliária”, afirma Ely Wertheim, vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC e presidente do Secovi-SP, em nota emitida pela CBIC.
Considerando aquisição e construção, as concessões do SBPE totalizaram R$ 93,7 bilhões no semestre, 29% acima dos R$ 72,9 bilhões registrados um ano antes. Do total, R$ 26,5 bilhões foram destinados à produção, alta de 107%.
A pesquisa da CBIC não foi a primeira a citar evolução de recursos para financiamento imobiliário. No final de julho, levantamento da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) indicou que as concessões totais de financiamento imobiliário, que incluem recursos da poupança, do FGTS e de outras origens (as chamadas fontes livres), aumentaram 23% no primeiro semestre, para R$ 180,9 bilhões, sempre na comparação com mesmo período do ano anterior.
Nesta segunda-feira, a entidade divulgou uma revisão da projeção para crédito imobiliário neste ano. Inicialmente a alta projetada era de 16%, e foi revisada após um primeiro semestre de crescimento acima do esperado. A projeção atual agora é de R$ 411 bilhões, o que representa uma alta de 25%.
Perfil de compra
Os apartamentos de dois dormitórios responderam por 65,2% das vendas no segundo trimestre. Os imóveis de um dormitório vieram em seguida, com 23,1%, enquanto unidades de três dormitórios representaram 10% e as de quatro dormitórios, 1,8%.
As unidades de um dormitório também ganharam participação. Segundo Wertheim, o movimento acompanha mudanças no perfil das famílias e dos compradores. “Os imóveis de um quarto também ganharam uma relevância que não tinham há algum tempo. É um movimento que acompanha mudanças demográficas, como o crescimento do número de jovens e de pessoas que optam por morar sozinhas”, acrescenta Wertheim, segundo nota da CBIC.
No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados disseram que pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses, três pontos percentuais acima dos 49% registrados no mesmo período de 2025.
O índice é o maior da série histórica do levantamento.
Entre os entrevistados que pretendem comprar, 38% ainda não começaram a procurar um imóvel, enquanto 10% já fazem buscas pela internet e 4% já visitam unidades.
Entre as razões para a compra, sair do aluguel aparece em primeiro lugar, com 37% das respostas. Sair da casa dos pais vem na sequência, com 15%, seguido por buscar mais espaço, com 14%.
Desempenho regional e participação do MCMV
Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período do ano passado, todas as regiões do País registraram alta, mas em ritmos diferentes.
O Centro-Oeste teve o melhor desempenho, com avanço de 27,7%, seguido pelo Norte, com 15%, e pelo Nordeste, com 13,6%. Sudeste e Sul tiveram altas mais modestas, de 1,3% e 0,2%, respectivamente.
O comportamento dos lançamentos foi diferente. O Nordeste liderou, com crescimento de 24,6%, seguido pelo Centro-Oeste, com 19,1%, e pelo Sudeste, com 1,2%. Já Sul e Norte registraram retrações de 25,1% e 35,2%, respectivamente.
O Minha Casa, Minha Vida também tem pesos diferentes de acordo com a região. No segundo trimestre, o programa respondeu por 68% dos lançamentos no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste e 52% no Centro-Oeste. No Sul, a participação foi menor, de 29%.







