Veja o resumo da notícia
- São Paulo registra o menor risco de bolha imobiliária entre 23 grandes centros urbanos, segundo o Global Real Estate Bubble Index 2026 do UBS.
- Os preços dos imóveis na capital acomodaram-se, valendo 25% menos que em 2014, enquanto os aluguéis subiram cerca de 30% no período.
- Apesar da baixa pontuação no índice, os salários locais são insuficientes para a compra de um apartamento de 60m² próximo ao centro.
- As taxas de financiamento imobiliário em dois dígitos dificultam a sustentação dos preços atuais na capital paulista.
- A valorização dos imóveis deve permanecer limitada no curto prazo devido ao alto custo do financiamento, segundo o UBS.

São Paulo registrou o menor risco de bolha imobiliária entre 23 grandes centros urbanos no Global Real Estate Bubble Index 2026 elaborado pelo UBS. A capital marcou -0,24 ponto e ficou abaixo de San Francisco (-0,02), Nova York (0,28), Londres (0,32) e Paris (0,33). A cidade também ocupava a última posição do índice em 2025. O resultado, porém, mede desequilíbrios de preços e não indica que a moradia esteja barata para o paulistano.
Preços se acomodaram e aluguéis avançaram
O quadro reflete a acomodação do mercado residencial. Em termos reais, os imóveis ainda valem cerca de 25% menos do que no pico de 2014 e permanecem praticamente estáveis desde 2022. Os aluguéis, por outro lado, acumulam alta próxima de 30% no período. Esse movimento aproximou o custo econômico de comprar e de alugar. Ao mesmo tempo, o estoque não vendido e a atividade de construção chegaram a níveis recordes, segundo o UBS.
Juros mantêm a compra sob pressão
A baixa pontuação não eliminou o problema de acesso. O UBS coloca São Paulo entre as cidades em que os salários locais são insuficientes para sustentar com conforto a compra de um apartamento de 60 metros quadrados perto do centro.
Embora os juros básicos tenham começado a cair, as taxas do financiamento imobiliário continuam em dois dígitos. Por isso, o banco avalia que os preços atuais são especialmente difíceis de sustentar na capital, assim como em Nova York, Sydney e Londres.
Valorização deve permanecer limitada no curto prazo
No último ano, os preços residenciais de São Paulo recuaram 0,7% em termos reais (descontada a inflação), enquanto os aluguéis caíram 1,4%. Em dez anos, o crescimento real anualizado foi de 1,1% para os preços e de 1,2% para os aluguéis.
Matthias Holzhey, principal autor do estudo, afirma que o custo elevado do financiamento deve limitar novas altas no curto prazo. Ainda assim, o UBS considera que os imóveis residenciais da maioria das cidades podem voltar a proteger contra a inflação no médio prazo, apoiados pela demanda urbana e por restrições de oferta.
*Com informações de Valor Econômico







