Veja o resumo da notícia

  • São Paulo registrou 90.607 imóveis residenciais novos disponíveis para venda em julho de 2026, o maior nível em 36 meses.
  • Desse total, 58% das unidades estão enquadradas no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
  • O estoque total de imóveis em julho é 42,2% superior ao de julho de 2025 e 64,1% maior que o de julho de 2024.
  • O MCMV representou 83% das unidades lançadas em julho e 76% das vendas no mês.
  • Imóveis do MCMV vendem duas vezes mais rápido que os de outras categorias, com prazo de escoamento de 8 meses.
  • A oferta se concentra em apartamentos menores (30m² a 45m²) e com dois quartos, dominando lançamentos e vendas.
  • A Zona Sul concentra a maior oferta final, enquanto a Zona Leste lidera lançamentos e vendas.
  • O Centro de São Paulo registrou o maior VSO (Vendas Sobre Oferta), indicando maior rapidez nas vendas.
MCMV secovi predios em construcao
A soma que indica os mais de 90 mil imóveis disponíveis considera aqueles que estão na planta, em construção e prontos lançados num período de 36 meses Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A cidade de São Paulo chegou a 90.607 imóveis residenciais novos disponíveis para venda em julho de 2026, maior nível da série de 36 meses apresentada pelo Secovi-SP. Desse total, 52.559 unidades, ou 58%, estão enquadradas no MCMV (Minha Casa Minha Vida).

Os dados constam da Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário do Secovi-SP. A soma que indica os mais de 90 mil imóveis disponíveis considera aqueles que estão na planta, em construção e prontos lançados num período de 36 meses. 

O volume do estoque total de julho é 42,2% superior ao de julho de 2025, quando havia 63,7 mil imóveis disponíveis, e 64,1% maior que o de julho de 2024, com 55,2 mil unidades.

A evolução do estoque, porém, não significa que os imóveis serão vendidos com desconto pela simples lei da oferta e da procura. No mercado imobiliário, o número reflete o ritmo acelerado das obras, com lançamentos disparando justamente para dar conta de uma demanda que está comprando mais rápido. 

Esse movimento ocorre em um mercado em que a oferta de crédito imobiliário também ganhou força. A própria Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança)  revisou de cerca de R$ 376 bilhões para R$ 411 bilhões a projeção de concessões de crédito imobiliário em 2026, alta de 25% sobre 2025, mesmo em um cenário de juros altos

MCMV chega a 83% das unidades lançadas

Os dados indicam uma evolução gradual da participação dos imóveis enquadrados no MCMV na oferta disponível. Eles passaram de 46% em julho de 2024 para 58% em julho deste ano. Em números absolutos, a quantidade disponível mais do que dobrou, passando de 25.192 para 52,6 mil.

Evolução do Estoque (2024-2026)

Avanço da Fatia do MCMV na Oferta de São Paulo

2024
45,6%
25,2 mil MCMV
de 55,2 mil total
2025
52,1%
33,2 mil MCMV
de 63,7 mil total
2026
58,0%
52,6 mil MCMV
de 90,6 mil total
Destaque: Em 24 meses, a fatia do MCMV no estoque disponível cresceu 12,4 pontos percentuais em São Paulo.
Fonte: Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário do Secovi-SP

Quando a análise é feita apenas levando-se em consideração os lançamentos do mês de julho, observa-se que a participação do programa é ainda maior, já que 83% das unidades lançadas na capital estavam enquadradas no MCMV, o equivalente a 6.960 imóveis de um total de 8.354 lançamentos.

A pesquisa do Secovi indicou ainda que as vendas de imóveis residenciais novos do mercado como um todo no mês de julho chegaram a 10,3 mil unidades, avanço de 67,4% no comparativo com o mesmo  mês do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 6%, passando a 118,1 mil unidades.

Mais uma vez, o MCMV registrou alta quando o recorte é feito por esses dados. Dessas 10.301 unidades comercializadas em julho último por todo o mercado, 7.861 pertenciam ao segmento econômico, ou 76% do total.

Os demais mercados tiveram 1.394 lançamentos e 2.440 vendas no mês. O resultado mostra uma diferença importante entre estoque e fluxo. 

Apesar do MCMV representar 58% da oferta disponível, sua participação nos lançamentos e nas vendas mensais é maior. Embora ocupe pouco menos de seis em cada dez imóveis disponíveis, ele responde por mais de oito em cada dez unidades lançadas e por cerca de três quartos das vendas de julho.

MCMV vs. Outros Mercados — São Paulo (Jul/2026)

Indicador Minha Casa Minha Vida Outros Mercados
Lançamentos do Mês 6.960 unid. (83%) 1.394 unid. (17%)
Vendas do Mês 7.861 unid. (76%) 2.440 unid. (24%)
Estoque Disponível 52.559 unid. (58%) 38.048 unid. (42%)
Velocidade de Vendas (VSO) 13,0% / mês 6,0% / mês
Tempo de Escoamento 8 meses 13 meses

Estoque do MCMV gira mais rápido 

O segmento também  apresenta um ritmo de comercialização superior ao dos demais imóveis. O indicador VSO (Vendas Sobre Oferta),  que relaciona as vendas ao total de imóveis disponíveis, atingiu 13% para o MCMV, ante 6% nos outros mercados no mês de julho. Ou seja, um imóvel do programa vende duas vezes mais rápido do que os da classe média ou alta.

A partir dessa análise, o levantamento estima um prazo de escoamento de 8 meses para os imóveis econômicos, contra 13 meses nos demais mercados. A diferença também aparece nos números absolutos. 

O que entra na conta do MCMV 

Para efeito da pesquisa do Secovi-SP, são considerados enquadrados no Minha Casa Minha Vida os imóveis financiados pertencentes às Faixas 1, 2 e 3 do programa. 

Em abril de 2026, os limites das Faixas 1 e 2 na cidade de São Paulo passaram para R$ 275 mil, enquanto o teto da Faixa 3 foi ampliado para R$ 400 mil. O programa também passou a financiar imóveis de até R$ 600 mil na Faixa 4. No entanto, essa faixa não é considerada como MCMV na metodologia da pesquisa utilizada pelo Secovi-SP. 

Alerta de Tendência Mercado Imobiliário SP

Estoque atinge 90,6 mil imóveis em SP, mas MCMV responde por 83% do ritmo de novos lançamentos.

A velocidade de vendas nos imóveis econômicos é mais do que o dobro do médio e alto padrão, reduzindo o tempo de escoamento do estoque para apenas 8 meses.

MCMV (Econômico)
VSO: 13,0% / mês
Giro em 8 meses
Médio e Alto Padrão
VSO: 6,0% / mês
Giro em 13 meses

Apartamentos menores dominam a oferta 

Os dados mostram forte concentração da oferta em imóveis de menor metragem. As unidades com 30 m² a 45 m² de área útil representaram 52% da oferta final em julho, com 47.104 imóveis. 

Essa faixa também concentrou 61% dos lançamentos, com 5.111 unidades, e 67% das vendas, com 6.896 unidades. O VSO foi de 12,8%, o maior entre as faixas de área analisadas. 

Por número de dormitórios, os imóveis de dois quartos representaram 56% da oferta final, com 51.042 unidades. Eles também responderam por 64% dos lançamentos e 71% das vendas de julho, com VSO de 12,6%. 

Zona Sul concentra maior oferta 

A distribuição pela cidade também é desigual. A Zona Sul tinha a maior oferta final em julho, com 30.476 unidades, ou 34% do total. A Zona Leste liderou os lançamentos, com 3.522 unidades, equivalentes a 42% do total, e também as vendas, com 3.570 unidades, ou 35%.

Já o maior VSO, ou seja, a região onde se vendem mais rápido os imóveis, foi registrado no Centro, com 14,5%.

São Paulo — Julho/2026

Panorama do Mercado Imobiliário por Zonas

Distribuição do estoque e velocidade de comercialização (VSO)

Zona Sul Maior Estoque
30.476 unidades disponíveis (34% do total)
7,9%
VSO Mensal
Zona Leste Líder Vendas e Lançamentos
24.019 unid. em estoque (27%) | 3.522 lançamentos (42%) | 3.570 vendas (35%)
12,9%
VSO Mensal
Zona Oeste
20.463 unidades disponíveis (23% do total)
9,0%
VSO Mensal
Zona Norte
8.315 unidades disponíveis (9% do total)
9,1%
VSO Mensal
Centro Maior Giro
7.334 unidades em estoque (8% do total)
14,5%
VSO Mensal
Fonte: Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário do Secovi-SP
Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.