Veja o resumo da notícia

  • O mercado brasileiro de loteamentos registrou queda de 14% nos lançamentos e 11% nas vendas no primeiro semestre.
  • A retração é atribuída à escassez de mão de obra, incerteza política e juros elevados, que afetam diretamente as loteadoras.
  • A taxa média de distratos aumentou para 12% a 15%, e o estoque de lotes diminuiu 12%, para 154,8 mil unidades.
  • O mercado de luxo, menos exposto ao crédito, mantém novos projetos com preços de m² em alta, especialmente em condomínios fechados.
lançamentos de lotes
ViniSouza128/iStock

O mercado brasileiro lançou 48,7 mil lotes no primeiro semestre, queda de 14% ante o mesmo período de 2025. As vendas diminuíram 11%, para 64,7 mil unidades. Em valor, os lançamentos recuaram 20%, para R$ 12,74 bilhões, enquanto as vendas somaram R$ 16,9 bilhões, também 11% abaixo do ano anterior. Os dados são da Brain Inteligência Estratégica, em levantamento encomendado pela Aelo e noticiado pelo Valor.

Juros pesam mais sobre as loteadoras

Hamilton Leite, diretor da Brain para o Estado de São Paulo, atribui a retração à escassez de mão de obra, à incerteza política e aos juros. As loteadoras financiam diretamente a compra e bancam a urbanização, sem acesso aos recursos mais baratos do FGTS disponíveis em projetos do Minha Casa, Minha Vida.

A associação entre lote e construção de casa permite usar o financiamento do programa, mas a modalidade ainda é incipiente. Caio Portugal, presidente da Aelo, diz que a empresa quer atrair bancos privados para ampliar esse modelo, sobretudo no médio padrão.

Distratos sobem e estoque diminui

A taxa média de distratos, normalmente próxima de 10% das vendas, passou para uma faixa entre 12% e 15%, segundo a Aelo. O setor relaciona o avanço ao endividamento das famílias e à insegurança na aplicação da Lei de Distratos. Nos 12 meses até junho, foram lançados 122,4 mil lotes, menor volume desde 2023 e queda anual de 11%. As vendas somaram 142,3 mil unidades, recuo de 8%. O estoque caiu 12%, para 154,8 mil lotes, mas o prazo estimado de escoamento ficou estável em 14,6 meses.

Luxo mantém nova leva de projetos

O preço médio do m² chegou a R$ 621 nos bairros abertos, alta anual de 2%, e a R$ 1.176 nos condomínios fechados, avanço de 15%. A alta renda segue menos exposta ao crédito e sustenta projetos de segunda residência.

A Cyrela lançou a primeira fase do Heritage Riviera, em Porto Feliz, com 29 lotes a partir de 2,5 mil m², além de casas e apartamentos. Em Bragança Paulista, a JHSF lançou o Fazenda Santa Helena, com 58 lotes de ao menos 3 mil m² e preço de R$ 2,8 mil por m². A Aelo ressalta que esse mercado é um nicho de baixo volume.

*Com informações de Valor Econômico

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.