
O desconto médio na venda de um imóvel chegou a 14% no segundo trimestre de 2026, ante 11% um ano atrás. O dado atual se equipara aos recordes atingidos em 2016 e 2020, mostra a pesquisa Raio-X Fipezap.
O levantamento produz duas formas de cálculo de desconto. Uma, a que atingiu nível de 14%, leva em conta apenas as operações com desconto.
Na outra forma de cálculo, com e sem abatimento do valor anunciado do imóvel, o desconto médio chegou a 9%, acima da média histórica do levantamento.
O momento favorável à barganha também se reflete em uma terceira métrica. A proporção de transações com desconto subiu para 65% no acumulado de 12 meses até junho, acima dos 63% de um ano antes.
O patamar também supera a média histórica, de 64%, e fica próximo do maior percentual já encontrado, de 70%, captado em duas sondagens em 2016 e uma em 2019.
Os imóveis à venda estão caros?
O movimento pode ser atribuído à percepção sobre o preço atual dos imóveis. No segundo semestre de 2026, 73% dos entrevistados consideram os preços altos ou muito altos. O patamar é superior aos 71% do ano anterior.
Os que disseram avaliar os preços como baixos ou muito baixos caíram de 6% para 4%.
“Em síntese, os resultados indicam um leve incremento da percepção de preços elevados na comparação interanual”, afirmam os pesquisadores da Fipe.
Para os próximos 12 meses, o Raio-X FipeZap identificou uma postura mais cautelosa e aumento das incertezas em relação à valorização dos imóveis. A proporção daqueles que projetavam aumento nominal dos preços recuou de 42% para 39% entre os segundos trimestres de 2025 e 2026.
A expectativa agregada dos respondentes, também uma média entre os três perfis da pesquisa, aponta para uma alta nominal de 2,6% nos preços dos imóveis residenciais nos próximos 12 meses.
Compra de imóvel como investimento tem leve alta
As transações de compra de imóvel classificadas como investimento cresceram ligeiramente nos últimos 12 meses, passando de 39% para 40% em junho de 2026, segundo o Raio-X Fipezap. A média histórica do indicador é de 43%, e o recorde é de fevereiro de 2013 (53%).
O interesse maior dos investidores, segundo o levantamento, foi a obtenção de renda com aluguel. A finalidade tem sido a mais buscada desde 2013, quando começou o levantamento, mas tem aumentado a participação gradativamente. Considerando as aquisições identificadas como investimento nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2026, 74% foram direcionadas ao mercado de locação, contra 67% um ano atrás.
Compradores e compradores em potencial
O levantamento separa os respondentes entre três grupos: compradores (adquiriram um imóvel nos últimos 12 meses); proprietários (compraram há mais de 12 meses); e compradores em potencial (pretendem adquirir no prazo de 3 meses).
O primeiro grupo, de compradores, somou 10% da amostra, um recuo sobre o trimestre imediatamente anterior (12%) e abaixo da média da pesquisa (11%).
Já os compradores em potencial subiram um ponto percentual entre o primeiro e segundo trimestres de 2026, para 38%, enquanto os proprietários caíram em igual magnitude, de 24% para 23%. Entre os compradores dos últimos 12 meses, 68% tinham renda maior do que R$ 10 mil. Já os compradores em potencial estão um degrau abaixo, e 60% têm renda de até R$ 10 mil.
A pesquisa permite que um mesmo entrevistado se enquadre em mais de uma categoria. Pode ser o dono de um imóvel e se dizer disposto a adquirir outro, por exemplo. De modo inverso, 29,2% dos ouvidos não se encaixavam em nenhum dos três grupos (compradores, compradores em potencial ou proprietários).







