Veja o resumo da notícia

  • Preços de tubos e conexões de PVC subiram 33,58% em 12 meses até junho, cinco vezes mais que o INCC-DI.
  • O aumento de 10% no PVC eleva em 3,5% o componente Materiais e Equipamentos do INCC, mas a queda é menor.
  • A alta do PVC está ligada à guerra no Oriente Médio e ao câmbio, impactando imóveis na planta.
  • Nos primeiros seis meses de 2026, tubos e conexões subiram 9,22%, mais que o dobro do INCC-DI.
  • A inflação da construção é um fator importante nos balanços das construtoras no segundo trimestre.
  • Apesar da desaceleração do petróleo, o custo do PVC não reduziu na mesma intensidade, devido à indústria petroquímica.
Inflação da construção é formada por cadeia produtiva diversificada
Inflação da construção é formada por cadeia produtiva diversificada

Os preços de tubos e conexões de PVC acumulam alta de 33,58% em 12 meses até junho, um ritmo cinco vezes maior do que a variação captada pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC-DI), que ficou em 6,76% na mesma comparação. Esse grupo de itens foi a principal fonte de pressão para a subida do INCC neste período, destaca um estudo divulgado nesta segunda-feira (10) pelo FGV Ibre.

O INCC é uma referência de custos para as construtoras e incorporadoras, além de reajustar contratos de compra de imóveis na planta. O levantamento indica que os efeitos de um único insumo, no caso o PVC, podem ser sentidos por tempo duradouro na cadeia da construção. Ou, como se habituou a resumir a dinâmica inflacionária do Brasil, a subida é de elevador, mas a queda vai pela escada.

Um aumento de 10% nos tubos e conexões está associado a uma alta de aproximadamente 3,5% no componente Materiais e Equipamentos, parte do cálculo do INCC, segundo a estimativa do FGV Ibre. Mas uma queda de igual proporção resultaria em uma redução de apenas 0,8% no mesmo índice. De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo cálculo, estoques, contratos de fornecimento e custos de reposição, entre outros, podem explicar o comportamento.

O aumento do custo do PVC, e o possível impacto em imóveis na planta, está ligado à guerra no Oriente Médio, que encarece a matéria-prima, e ao câmbio, já que o Brasil importa grande parte desse produto (leia mais abaixo).

Além do horizonte estendido de 12 meses, a alta dos tubos e conexões segue relevante para a estrutura de preços do setor de construção neste ano. Apenas nos seis primeiros meses de 2026, os tubos e conexões subiram 9,22%, mais que o dobro da alta de 4,27% registrada pelo INCC-DI.

A inflação da construção também entra no radar da atual temporada de balanços das construtoras, que começam a divulgar os resultados do segundo trimestre. Será importante observar quanto desse aumento de custos já chegou aos resultados das companhias e ao preço unitário dos empreendimentos. Nos dados do primeiro trimestre, as empresas do setor listadas em bolsa relataram impacto ainda limitado dos reajustes de materiais sobre suas margens.

“Embora materiais como cimento, aço e concreto normalmente concentrem as discussões sobre os custos da construção, o comportamento recente dos tubos e conexões de PVC mostra que a inflação do setor é formada por uma cadeia produtiva bastante diversificada. Dependendo das condições de mercado, componentes menos lembrados podem exercer influência relevante sobre o custo das obras”, dizem os autores do levantamento, os pesquisadores Matheus Dias, Salomão Davi Bulhões Lourenço, André Braz e Ana Maria Castelo.

Os pesquisadores destacam que a desaceleração da alta do petróleo após as fortes oscilações provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã ainda não foi suficiente, sozinha, para reduzir o custo do PVC.

“Após as fortes oscilações provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, o petróleo Brent recuou para menos de US$ 70 por barril em 1º de julho, nível semelhante ao observado no fim de fevereiro, quando o conflito começou. A média de junho ficou em US$ 85, US$ 22 abaixo da registrada em maio. Esse alívio, entretanto, ainda não apareceu com a mesma intensidade nos preços de tubos e conexões de PVC”, afirmam.

Parte dessa dinâmica está relacionada à indústria petroquímica. A produção do PVC utiliza eteno, associado ao petróleo e ao gás natural, além de cloro, energia e outros insumos. O câmbio também tem papel relevante, já que a produção brasileira não é suficiente para atender toda a demanda interna e o país depende de importações de resina.

Jornalista Hugo Passarelli
Hugo Passarelli

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.