consignado privado construtoras
CENAS BRASILEIRAS/iStock

A expansão acelerada do consignado privado acendeu um sinal amarelo nas construtoras, destaca reportagem do Estadão. Embora a linha seja mais barata para o consumidor por ter desconto em folha, ela reduz a renda líquida disponível nos meses seguintes e pode pressionar outros compromissos financeiros. Para o setor imobiliário, a preocupação central é que essa perda de renda afete vendas, aprovação de financiamento e adimplência de parcelas assumidas diretamente com as incorporadoras.

Pro soluto fica mais exposto

O risco é especialmente sensível no Minha Casa, Minha Vida. Nessa faixa, muitos compradores não têm poupança suficiente para pagar a entrada de 20% a 30% do imóvel. As construtoras parcelam esse valor no chamado pro soluto, uma espécie de financiamento direto sem a mesma garantia do banco, já que o imóvel fica alienado à instituição que financia a maior parte da compra. Se a renda do cliente é capturada pelo consignado, a carteira da incorporadora fica mais vulnerável.

Volume mensal mudou de patamar

Segundo levantamento citado pelo Estadão, a concessão de consignado girava em torno de R$ 1,6 bilhão por mês até março de 2025. Após o lançamento do Crédito do Trabalhador, modalidade com FGTS como garantia e taxas menores, o volume passou para mais de R$ 6 bilhões mensais e chegou a R$ 10,9 bilhões em março de 2026. Para o consultor José Urbano Duarte, ex-diretor de habitação da Caixa, a captura crescente da renda amplia o risco nas demais linhas de crédito.

MRV e Cury monitoram impacto

Executivos de grandes construtoras já acompanham o tema de perto. Ricardo Paixão, diretor financeiro da MRV, afirmou à reportagem que o cenário pode pressionar não apenas o pro soluto, mas também aluguel, supermercado e outros gastos das famílias, embora a companhia ainda não tenha observado piora de inadimplência.

Na Cury, o diretor financeiro João Carlos Mazzuco disse que a carteira segue sob controle, mas exige monitoramento. O copresidente Leonardo Mesquita afirmou que o endividamento já atrapalha vendas nos estandes.

*Com informações de Estadão

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.