
A volta às aulas no Ensino Superior aquece o mercado de aluguel em Porto Alegre, impulsionada pela busca de estudantes vindos do interior do Rio Grande do Sul, de outros estados e do exterior. Em um cenário de expansão do setor, que registrou 10 milhões de alunos matriculados em 2024, a procura por imóveis próximos a universidades segue intensa, principalmente por unidades compactas e mobiliadas.
Segundo a gerente comercial de aluguéis da Auxiliadora Predial, Milena Machado, a procura por moradia estudantil costuma crescer cerca de 30% entre janeiro e março. “A oferta é menor do que a demanda. Quem encontra um imóvel dentro do perfil costuma fechar rapidamente, porque a disponibilidade muda em poucos dias”, afirma ao Jornal do Comércio.
Mesmo com a educação a distância representando 50,7% das matrículas, conforme dados do Censo da Educação Superior 2024, o fluxo para polos universitários, como Porto Alegre, mantém forte impacto no mercado habitacional. A combinação de alta procura e oferta limitada intensifica a competitividade, especialmente no início do ano.
Aumenta a corrida por imóveis estudantis em Porto Alegre
O diretor-geral do Imovelweb, Eduardo de Miranda, também afirma que a procura por imóveis em Porto Alegre sobe mais de 20% nos primeiros meses do ano, acompanhada pelo crescimento no volume de locações fechadas. “O início do ano letivo coincide com a alta temporada do mercado imobiliário, com jovens chegando à cidade e buscando soluções rápidas de moradia”, destaca.
Entre os imóveis mais procurados estão kitnets, estúdios, lofts e apartamentos de um dormitório, preferencialmente mobiliados. Além disso, há busca por unidades maiores para divisão de custos entre colegas ou famílias que precisam de um quarto de apoio durante visitas.
Bairros e valorização destacam tendência do mercado
O Índice de Aluguel QuintoAndar Imovelweb apontou alta acumulada de 11,75% no preço dos aluguéis em Porto Alegre nos últimos 12 meses, acima da inflação do período. O desconto médio nas negociações caiu para 2,1% em janeiro de 2026, demonstrando maior pressão sobre a demanda.
Bairros próximos a universidades registram valorização acima da média, destacando-se localidades como Bom Fim (+33,1%), Jardim Lindóia (+30%), Rio Branco (+29,8%) e Boa Vista (+25,6%). Segundo levantamento da Sperinde, o tíquete médio do aluguel gira em torno de R$ 1.600, enquanto o valor médio do metro quadrado na capital é de R$ 41,95, chegando a R$ 48,51 em imóveis de um dormitório.
“Hoje vemos uma busca mais concentrada em estudantes de cursos presenciais, especialmente saúde, engenharias, veterinária e direito, além de residentes e alunos de cursinhos. Esse público tende a priorizar imóveis próximos das universidades e com maior sensação de segurança, fatores que pesam muito também na decisão das famílias”, explica Bete Zimmermann, diretora de aluguéis da Sperinde.
Porto Alegre concentra majoritariamente jovens entre 17 e 22 anos em busca de suas primeiras moradias independentes. Imóveis com perfil estudantil mantêm alta liquidez, atraindo investidores que apostam na baixa vacância e na alta demanda.
Realidade financeira afasta jovens da casa própria
A preferência pelo aluguel entre os jovens também reflete as dificuldades de acesso ao crédito, aliadas à renda inicial mais baixa e à instabilidade profissional. Segundo a pesquisa Retratos do Morar, realizada pela Ipsos-Ipec em parceria com QuintoAndar e Imovelweb, 63% dos brasileiros vivem em imóveis próprios, mas, entre os mais jovens, a proporção de locatários é significativamente maior.
Para os jovens, desafios como o valor elevado da entrada, os juros altos e o custo total do financiamento tornam o aluguel uma alternativa mais viável. Enquanto a segurança e a qualidade da moradia continuam sendo prioridades, a flexibilidade e a mobilidade passaram a ganhar peso. Por isso, há uma tendência de postergar a compra do primeiro imóvel em prol da liquidez proporcionada pelo aluguel.
*Com informações de Jornal do Comércio







