
Decorar o interior de uma casa vai muito além de escolher móveis e cores: é uma forma de traduzir estilo de vida em ambientes funcionais, confortáveis e coerentes. Além de ampliar a sensação de bem-estar, personalizar o próprio espaço também é uma forma de tornar o dia a dia mais prático. Neste guia, reunimos orientações práticas para quem está montando o primeiro lar — seja próprio ou alugado — com soluções que funcionam em diferentes estilos e metragens.
A seguir, você confere:
- Como descobrir seu estilo de decoração
- Como planejar sua decoração em 6 passos
- Medidas para ter como referência
- Soluções essenciais para ambientes pequenos
- Decoração para apartamentos alugados
- Ideias de paletas para cada estilo
- Perguntas frequentes (FAQ)
Como descobrir seu estilo de decoração
Embora nenhum estilo precise ser seguido à risca, entender cada um deles facilita decisões, evita compras aleatórias e ajuda a criar ambientes coerentes. Confira a seguir os principais estilos de decoração:
Escandinavo

Como o nome indica, trata-se de um tipo de decoração bastante enraizada nos países nórdicos. Apesar de se valer de elementos do estilo minimalista, o diferencial do estilo escandinavo está em criar ambientes acolhedores. É caracterizado pelo uso de cores claras nas paredes, madeira clara, texturas suaves e valorização da luz natural.
Contemporâneo

O estilo contemporâneo prioriza funcionalidade e versatilidade. Ele valoriza ambientes com linhas retas, móveis de desenho simples e uma paleta neutra, geralmente combinando branco, preto, cinza e tons terrosos. Entram toques pontuais de cor para trazer personalidade sem pesar visualmente.
Industrial

Inspirado em antigos galpões e fábricas, o estilo industrial aposta em materiais brutos como metal, concreto e madeira escura. Estruturas aparentes — como vigas, tubulações e tijolinhos — fazem parte da estética, assim como luminárias metálicas e mobília com visual robusto. Os tons urbanos, como preto, grafite e marrom, costumam ser os mais usados. É um estilo que combina especialmente bem com espaços integrados e plantas abertas.
Minimalista

O estilo minimalista tem como foco eliminar excessos — tanto de objetos quanto de cores e texturas — para criar ambientes que não sejam visualmente carregados. As paletas costumam ser neutras, com predominância de branco, preto e cinza. Os móveis têm linhas retas e, de modo geral, há pouca (ou até nenhuma) presença de ornamentos e estampas. É uma abordagem que pode ser útil a espaços pequenos, já que busca evitar o acúmulo.
Boho

Influenciado pelo movimento hippie dos anos 1960 e 70, o boho aposta na mistura de texturas, estampas e cores, com um toque mais descontraído. É marcado pelo uso de texturas como linho, algodão, palha e macramê, além de valorizar peças artesanais na decoração. Tons terrosos, rosa queimado, verde oliva e amarelo mostarda aparecem com frequência.
Rústico

Inspirado em casas de campo, o estilo rústico privilegia materiais naturais como madeira maciça, fibras, pedras e tecidos encorpados. As cores tendem a ser quentes e acolhedoras, como marrom, bege e terracota. A palhinha costuma aparecer com frequência no mobiliário, especialmente em cadeiras. Texturas naturais, móveis robustos e elementos artesanais reforçam a sensação de aconchego.
Como planejar sua decoração em 6 passos
1. Meça tudo
A arquiteta Duda Tavares, do Estúdio Moringa, brinca que é preciso se abraçar a uma trena no momento de planejar a decoração.
“É que parece uma coisa simples, mas muitas pessoas erram e compram móveis maiores do que o seu espaço permite. Então ter essas medidas no espaço pode ser positivo, às vezes marcando as medidas com uma cartolina ou com a fita no chão para entender se as circulações continuam funcionando”, aconselha.
Tirar as medidas é importante mesmo ao comprar itens que tenham tamanhos padronizados, alerta a profissional. “Decidir se você vai querer uma cama de casal padrão, uma king ou uma queen depende do quanto você está disposto a abrir mão da circulação em volta dessa cama, por exemplo”.
2. Liste prioridades do ambiente
Especialmente em imóveis menores, é preciso pensar na funcionalidade do espaço. Para quem trabalha de casa, um espaço de home office é essencial. Já para quem gosta de receber, é preciso reservar um espaço no ambiente social para acomodar mais pessoas em uma mesa de jantar maior, por exemplo. Listar essas prioridades ajuda também a entender em quais itens você está disposto a investir mais, o que é muito útil no próximo passo.
3. Defina um orçamento básico
Depois de entender como você pretende usar aquele espaço, comece seu orçamento pelos itens de maior impacto: sofá, cama, mesa de jantar, iluminação e marcenaria costumam envolver despesas maiores.
4. Escolha um estilo e uma paleta de cores
Agora é o momento de definir qual estilo se encaixa melhor no seu lar. Além das preferências pessoais, pense também em características do imóvel e da sua rotina: ambientes menores tendem a ser valorizados por cores claras e superfícies espelhadas que ampliam o espaço; estilos mais “carregados”, como o boho, podem exigir maior manutenção na hora da limpeza.
Embora nenhum estilo vá ser seguido à risca, ter uma ideia geral ajuda também na definição de uma paleta de cores — que pode abarcar diversos tons, dependendo do estilo e do gosto pessoal.
5. Pense sobre os materiais
Seguindo o estilo definido no passo anterior, é importante escolher os materiais do piso e do mobiliário pensando na estética e no quando se está disposto a investir em manutenção.
“Um piso de madeira natural traz muita qualidade sensorial, mas ele exige uma manutenção constante. Ao mesmo tempo, se você for pensar em um piso vinílico ou outro você vá instalar por cima de um material existente, você teria visualmente um aconchego um pouco maior, mas não tem todas as qualidades térmicas e acústicas que você teria da madeira, embora o custo seja mais baixo”, pondera Tavares.
De forma similar, o quartzo para bancadas costuma ser uma opção mais resistente do que a pedra natural, exemplifica a profissional.
“No geral, os materiais naturais — como madeira, linho e algodão — trazem muito aconchego, visual e fisicamente, mas têm uma demanda de manutenção maior”.
6. Compre em ordem lógica
Por fim, compre os itens da casa em uma ordem lógica: comece pelos móveis grandes (sofá, mesas, cama, armários), passe para a iluminação, depois escolha os têxteis (como tapetes e cortinas) e finalize com os acessórios.
Medidas para ter como referência
Ao escolher um item de mobiliário, pense em como ele afetará a circulação do seu ambiente. Embora não seja uma regra, existem algumas medidas que podem ser tomadas como referência ao planejar um ambiente, como:
Distância entre o sofá e a TV (para a sala):
Segundo um estudo da plataforma Which, que entrevistou 1200 consumidores, a distância ideal para cada tamanho de aparelho é:
- TV de 32 polegadas: 2 metros
- TV de 40 a 43 polegadas: 2,5 metros
- TV de 48 a 50 polegadas: 2,7 a 3 metros
- TV de 55 polegadas: 3,4 a 3,7 metros
- TV 65 polegadas: 4 metros
Corredor livre:
Pensando em acessibilidade, os corredores devem ter pelo menos 90 cm para livre circulação.
Espaço lateral da cama (para o quarto):
Recomenda-se reservar pelo menos 60 cm de cada lateral da cama como espaço de circulação, ou para acomodar móveis como mesas de cabeceira.
Espaço atrás da cadeira (para sala de jantar e home office):
Recomenda-se deixar, pelo menos, 60 cm entre a cadeira e a parede para permitir que uma pessoa possa se sentar e se levantar de maneira confortável.
Circulação entre bancadas/armários em paralelo (para cozinha):
O recomendado é reservar de 90 cm a 1 metro entre os armários da cozinha que estejam posicionados um de frente para o outro, para permitir a passagem de mais de uma pessoa por vez no espaço entre eles.
Soluções essenciais para ambientes pequenos
Espaços pequenos pedem soluções que aumentem a sensação de amplitude dentro do local. Por isso é comum o uso de cores claras em apartamentos menores, sobretudo tons de branco na parede. Uma decoração mais minimalista também ajuda a evitar que o ambiente pareça sobrecarregado.
Outro truque eficiente é instalar cortinas do teto ao chão, que criam uma linha vertical contínua e fazem o pé-direito parecer mais alto.

Nos móveis, é preciso otimizar usando peças que cumprem mais de uma função. A cama baú ou com gavetas, por exemplo, libera espaço no armário e reduz a necessidade de cômodas adicionais. A mesa dobrável, seja de parede ou com tampo retrátil, atende refeições e trabalho sem ocupar área fixa do ambiente. É possível também usar puffs que funcionam como assento ou mesa lateral ajudam a compor a sala, podendo ser realocados conforme o uso — muitos, inclusive, têm uma abertura que permite armazenamento.

Outra estratégia importante é o aproveitamento vertical com o uso de prateleiras e nichos, que liberam a área de piso e aumentam a capacidade de armazenamento sem comprometer a circulação. Estantes altas e estreitas conduzem o olhar para cima e ampliam a percepção da altura.

Decoração para apartamentos alugados

“Fazemos muitos projetos de apartamento alugado e tem recursos clássicos, que usamos muito, como a pintura, que muda completamente a atmosfera e é muito fácil de desfazer”, conta Tavares.
Outro recurso similar à pintura é o uso de papéis de parede. Embora representem um investimento um pouco mais alto, também são de fácil instalação, segundo a arquiteta.
“E tem a questão de que a maior parte dos contratos de aluguel já implica em pintar o imóvel para devolver, né? Então é um custo que você já teria”, ressalta.
Outra dica da profissional é o uso de recursos como luminárias de chão, abajures, e fitas de LED, que permitem ampliar a quantidade de cenários de iluminação — sempre priorizando a luz quente para um maior conforto.
“A gente gosta também de usar mobiliários soltos e inteligentes, que você consegue levar com você para outros lugares. E a produção também faz muita diferença: cortinas, tapetes, almofadas e adornos no geral são itens que trazem muita cara de finalização e amarram essa sensação de casa”.
Ideias de paletas para cada estilo
Paleta 1 — Estilo moderno
Branco + bege areia + madeira clara + preto fosco nos detalhes.

Paleta 2 — Estilo escandinavo
Cinza claro + branco + carvalho + verde musgo.

Paleta 3 — Estilo industrial
Cinza grafite + off-white + azul petróleo.

Paleta 4 — Estilo boho
Terracota + verde oliva + areia quente + marrom caramelo + detalhes em mostarda suave.

Psicologia das cores
Pode parecer desimportante, mas a correlação entre certas cores e emoções já foi descrita em diversos estudos acadêmicos. Por exemplo, o estudo “Associações de cor e emoção em interiores” (Güneş & Olguntürk, 2020), revelou que:
- o vermelho foi associado tanto à alegria quanto ao nojo;
- o verde à felicidade e à neutralidade;
- o azul à neutralidade;
- o cinza à neutralidade e à tristeza.
Gabriela Sartori, co-fundadora da NEUROARQ® Academy ao lado de Priscilla Bencke, recomendou as seguintes escolhas de cores por ambiente:
- Salas e quartos: tons neutros e terrosos, como bege, marrom e verde claro;
- Home office: tons mais neutros e frios, como o branco, o azul suave e o cinza claro;
- Cozinha e espaços infantis: por serem ambientes onde há mais espaço para criatividade, podem ser usadas cores mais intensas, como vermelho, amarelo ou azul vibrante.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual a melhor cor para sala pequena?
Tons claros, para aumentar a sensação de amplitude, com um ponto de cor (como azul petróleo, verde musgo ou terracota).
Como decorar sem furar paredes?
Quadros colados com adesivos, plantas, luminárias de chão, e papel de parede.
Estilos diferentes podem ser misturados?
Sim: você pode escolher um estilo predominante e usar outros apenas em acessórios, por exemplo. Mas lembre-se de seguir uma paleta de cores.
Como montar um home office sem ocupar espaço?
Uma opção para otimizar o espaço é usar uma mesa de home office dobrável e instalar prateleiras ou nichos na parede para armazenamento.
Quais são os erros mais comuns na decoração de interiores?
Os deslizes mais frequentes envolvem proporção e excesso: quadros instalados alto demais, cortinas curtas ou estreitas que “achatam” o ambiente, mistura exagerada de estilos sem um eixo dominante, falta de iluminação quente e o acúmulo de móveis grandes em plantas pequenas, prejudicando a circulação.
Como decorar gastando pouco?
Invista primeiro nos itens de maior impacto visual, como sofá, cama, tapete e iluminação. Peças garimpadas em brechós e marketplaces também ajudam a reduzir custos, assim como o uso de tinta para criar contrastes simples.

