Veja o resumo da noticia

  • Reforma tributária promove mudanças estruturais no mercado imobiliário de alta renda a partir de 2026, com transição até 2033.
  • Implementação do IVA dual (CBS federal e IBS estadual/municipal) unifica a lógica tributária para todas as atividades imobiliárias.
  • Investidores pessoa física com múltiplos imóveis ou receita anual elevada passam a contribuir com CBS e IBS, além do IR.
  • Holdings patrimoniais migram do lucro presumido para o IVA, com alíquota entre 26% e 28%, impactando a carga efetiva.
  • Uso pessoal de bens mantidos em holdings (imóveis, carros, aeronaves) passa a ser tributado pelo IBS e CBS.
  • Famílias de alta renda focam em eficiência, governança e conformidade tributária, além da tradicional economia fiscal.
  • Fundos imobiliários pulverizados surgem como alternativa estratégica, mantendo a isenção do IR para pessoas físicas.
  • Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) será implantado até 2033, criando um inventário nacional unificado do setor.
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Imagem: Andrii Yalanskyi/uStock

A reforma tributária brasileira deve promover mudanças estruturais no setor imobiliário de alta renda, segundo analistas ouvidos pela Forbes Brasil. O novo modelo entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, com transição até 2033.

O sistema cria o IVA (Imposto de Valor Agregado) dual, combinando CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) federal e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) estadual e municipal. Todas as atividades imobiliárias seguirão a mesma lógica tributária.

“A reforma do consumo insere o setor imobiliário no IVA dual com regime específico e reduções relevantes. Isso aumenta a transparência, amplia o crédito não cumulativo e reduz parte da carga, sobretudo para imóveis populares”, diz o advogado tributarista João Marcos Colussi, sócio do Mattos Filho.

No entanto, para o segmento de luxo, o benefício é mais limitado. Se por um lado a tributação fica mais previsível, por outro tende a ser mais onerosa para estruturas tradicionais de holding patrimonial.

Investidor pessoa física vira contribuinte

Investidores físicos com mais de três imóveis locados ou receita anual superior a R$ 240 mil passam a contribuir com CBS e IBS, além do IR (Imposto de Renda). “É uma mudança estrutural, já que o investidor pessoa física passa a ser tributado também pelo consumo”, explica o tributarista André Menon, sócio do Machado Meyer.

A combinação entre IRPF e IVA também reduz a rentabilidade líquida das locações de alta renda, podendo estimular migração para estruturas de pessoa jurídica, aponta.

Holdings patrimoniais enfrentam novos custos

Participações patrimoniais deixarão o lucro presumido e migrarão para o IVA, com alíquota entre 26% e 28%. Como têm baixa despesa operacional, a carga efetiva será elevada.

O uso pessoal de bens mantidos em holdings – imóveis, carros, aeronaves – passará a ser tributado pelo IBS e CBS. “A frutificação de bens pelos sócios passa a ser tributada. Isso transforma estruturas usadas há décadas no planejamento patrimonial”, aponta Menon.

Para famílias de alta renda, o foco passa a ser eficiência, governança e conformidade tributária, não apenas economia fiscal.

Os ajustes no IR estabeleceram que rendas anuais superiores a R$ 600 mil implicam tributação mínima complementar, incluindo aluguéis, criando custo extra para investidores de alta renda. O IR sobre ganho de capital permanece entre 15% e 22,5%, mas IBS e CBS passam a incidir sobre operações de pessoas jurídicas, com redução de 50% da base de cálculo.

Fundos imobiliários como alternativa estratégica

Fundos imobiliários pulverizados surgem como opção para ativos corporativos e industriais, mantendo isenção do IR para pessoas físicas.

“Famílias com imóveis apropriados a fundos, como galpões e lajes corporativas, podem vender os bens aos fundos e manter cotas em nome da pessoa física”, sugere João Arthur, da Suno Wealth.

O CIB (Cadastro Imobiliário Brasileiro) será implantado até 2033, criando inventário nacional unificado. “A simplificação tributária é oportunidade para destravar investimentos paralisados por custos ocultos”, diz Pedro Ros, da Referência Capital.

*Com informações de Forbes Brasil

Marcela Guimaraes
Marcela Guimarães

editora/redatora

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)