Veja o resumo da notícia
- O mercado de escritórios em São Paulo mostra sinais de recuperação, com condições favoráveis para novas construções.
- A demanda por locações atingiu 180 mil metros quadrados no primeiro semestre de 2026, próximo ao recorde de 2025.
- Grandes empresas como Itaú Unibanco, Nubank e Bayer realizaram negociações significativas de espaços corporativos.
- A taxa de vacância na cidade caiu para 15,1%, e para 9,8% em edifícios de alto padrão (triple A).
- Edifícios previstos para 2027 já possuem 29% de sua área pré-locada, indicando forte interesse do mercado.
- Incorporadoras como Lucio e Bolsa de Imóveis já desenvolvem projetos para 2028, incluindo a futura sede do Santander.
- Apesar da melhora, a recuperação do mercado ainda depende de juros menores e custos de construção mais favoráveis.

O mercado de escritórios de São Paulo começa a reunir condições para uma nova rodada de construções, segundo a consultoria CBRE no site Metro Quadrado. A recuperação se concentra nos bairros de maior demanda, como Itaim Bibi, Faria Lima e Pinheiros, onde a oferta disponível ficou mais restrita.
Na Faria Lima, novos contratos já superaram R$ 350 ou R$ 400 por metro quadrado em alguns casos. Esse patamar ajuda a justificar o investimento em terrenos e obras. A conta, contudo, continua apertada por causa dos custos elevados de construção, outorga e financiamento.
Demanda se aproxima do recorde
As locações somaram 180 mil metros quadrados no primeiro semestre de 2026. O volume ficou próximo dos 187 mil metros quadrados registrados no mesmo período de 2025, recorde para a comparação. A redução do home office e a procura de grandes empresas por áreas extensas sustentam o movimento.
Entre as negociações recentes, o Itaú Unibanco alugou as duas torres do Esther Towers, com 91,4 mil metros quadrados, na Chucri Zaidan. O Nubank contratou cerca de 50 mil metros quadrados no Cyrela Corporate e no Capote 210. A Bayer, por sua vez, ocupou 16 mil metros quadrados no Alto das Nações.
Com essas e outras transações, a taxa de vacância da cidade caiu para 15,1%, ante um pico de aproximadamente 22% durante a pandemia. Nos edifícios triple A, de padrão mais elevado, a disponibilidade recuou para 9,8%.
Oferta futura já chega parcialmente ocupada
Os edifícios previstos para 2027 adicionarão 206 mil metros quadrados ao estoque paulistano. Desse total, 60 mil metros quadrados, ou 29%, já estão pré-locados. A CBRE trabalha em outra negociação de 26 mil metros quadrados que, se concluída, elevaria a pré-locação para 86 mil metros quadrados, equivalentes a 42% da oferta.
Alguns empreendedores já se antecipam. As incorporadoras Lucio e Bolsa de Imóveis desenvolvem dois projetos com entrega prevista para 2028. Um terá 17 pavimentos e 15 mil metros quadrados na confluência das ruas Jerônimo da Veiga e Iguatemi. O outro, na esquina da Rua Chilon com a Faria Lima, terá cinco pavimentos e 26 mil metros quadrados.
Também para 2028 está previsto o Campus JK, futura sede do Santander na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek. O projeto sob medida reunirá três torres interligadas e 40 mil metros quadrados de escritórios.
Ciclo ainda depende de juros e custos
A combinação de menor vacância, demanda firme e pouca oferta especulativa melhora a perspectiva para novos empreendimentos. Ainda assim, a recuperação não se espalha de forma uniforme pela cidade. Fora dos eixos mais disputados, os preços podem não compensar os custos de desenvolvimento.
Uma sequência de altas no aluguel pode atrair mais capital para novos projetos. Para que o ciclo ganhe escala, porém, o mercado também precisará de condições macroeconômicas mais favoráveis, especialmente juros menores.
*Com informações de Estadão







