Veja o resumo da notícia

  • Suspensão de alvarás em São Paulo pode impactar lançamentos da Cury em 2026, caso a decisão judicial persista até o final do ano.
  • A paralisação foi motivada por ação contra a revisão da Lei de Zoneamento, afetando novos alvarás de demolição e construção na cidade.
  • Prefeitura e incorporadoras buscam reverter a suspensão, defendendo sua aplicação restrita às áreas diretamente envolvidas na ação.
  • Mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida podem levar ao aumento de preços das unidades da Cury, com avaliação individual.
  • Governo federal analisa elevar o teto de preços do MCMV nas faixas 3 e 4, impactando o mercado imobiliário e as construtoras.
suspensão de alvarás em São Paulo
dabldy/iStock

A suspensão da emissão de novos alvarás de construção na cidade de São Paulo, em vigor desde o dia 2 de março, pode afetar até 15% dos lançamentos previstos pela Cury em 2026. A estimativa foi apresentada pelo diretor-executivo comercial da companhia, Leonardo Mesquita, durante teleconferência com analistas nesta quarta-feira (11), sobre os resultados da incorporadora no quarto trimestre.

Segundo o executivo, esse cenário dependeria da manutenção da decisão judicial até o fim do ano. A companhia considera essa hipótese improvável.

Mesquita afirmou que não há impacto esperado para o primeiro nem para o segundo trimestres. Caso a suspensão permaneça, novos projetos podem ser afetados a partir do terceiro trimestre, com maior efeito no último período do ano.

Suspensão de alvarás e impacto nos lançamentos

A paralisação foi determinada pela Justiça após uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo Ministério Público. O entendimento é que a revisão da Lei de Zoneamento, aprovada em 2024, liberou obras em áreas que não deveriam ter sido alteradas e ocorreu sem participação pública adequada.

A decisão suspendeu novos alvarás de demolição e de construção em toda a cidade. “Sem entrar no mérito da decisão, ela foi extremamente abrangente, hoje não se pode demolir uma casinha de cachorro em São Paulo”, afirmou Mesquita.

A prefeitura e associações de incorporadoras atuam para tentar reverter a medida. Caso a suspensão permaneça, a Cury pretende defender que ela se aplique apenas às áreas diretamente envolvidas na ação.

“Quase todos os nossos projetos, 99% deles, nem são impactados pela mudança de mapa que é objeto de discussão”, disse.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

A incorporadora atua no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em São Paulo e no Rio de Janeiro, com maior concentração de projetos na capital paulista.

Mesquita afirmou que alterações propostas pelo governo federal para o programa podem resultar em aumento de preço das unidades da companhia, que será avaliado “projeto a projeto”.

Entre as mudanças em análise pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) está a elevação do teto de preços: de R$ 350 mil para R$ 400 mil na faixa 3 e de R$ 500 mil para R$ 600 mil na faixa 4.

A Cury tem espaço para subir preços, uma vez que encerrou 2025 com velocidade de vendas de 76,3%, medida pelo indicador de venda sobre oferta (VSO). Apesar de ser uma queda de 0,8 ponto percentual em relação a 2024, está acima da média do mercado. No mesmo período, a empresa ampliou os lançamentos em 31%.

*Com informações do Valor

Time Portas

O time de redação do Portas é responsável por produzir conteúdos que explicam e analisam, com profundidade e objetividade, os principais movimentos do mercado imobiliário.

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